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Bolsonaro fez reunião para organizar ataque ao TSE e urnas eletrônicas; material gravado foi obtido pela PF

Bolsonaro fez reunião para criar estratégia de ataque contra o TSE. Vídeo de encontro foi principal base para operação nesta quinta (08) que fez busca e apreensão na casa de Jair e exigiu seu passaporte

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Cynara Maíra

Publicado em 09/02/2024 às 7:15 | Atualizado em 09/02/2024 às 8:08
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Segundo a Polícia Federal, a operação desta quinta-feira (08) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, teve como uma de suas principais evidências para solicitar os mandados de busca e apreensão um vídeo encontrado no computador do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid. 

O material mostra uma reunião no Palácio do Planalto ainda em 5 de julho de 2022, em que Bolsonaro e sua equipe se reúne para discutir uma estratégia de ofensiva ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à confiança das urnas eletrônicas.

VÍDEO COM ESTRATÉGIA DE ATAQUE AO TSE FOI BASE PARA OPERAÇÃO CONTRA BOLSONARO

O Blog de Malu Gaspar no Globo afirma que fontes da Polícia Federal indicaram que os integrantes da reunião sobre o ataque ao TSE não sabiam estarem sendo gravados no momento do encontro. 

Junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, estavam os ex-ministros Anderson Torres (Justiça), Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Walter Braga Netto (ex-Chefe da Casa Civil e vice de Bolsonaro na chapa para reeleição) e Mário Fernandes (substituto na Secretaria-Geral da Presidência). 

Ainda nesta quinta, o jornal O Globo divulgou a transcrição de uma troca de mensagens de Cid com apoiadores de Bolsonaro, em que revela a tentativa de encontrar algum problema nas urnas eletrônicas para comprovar existência de fraude, mas que alegações não conseguiam ser comprovadas.

"A gente tem cara infiltrado em tudo quanto é lugar monitorando e passando pra gente, informações, refutando ou ajudando a instigar, né, digamos assim", diz Cid no áudio transcrito em documento da PF.

O apontamento do ministro Alexandre de Moraes, do STF, é de que o vídeo demonstra um "arranjo de dinâmica golpista" nos líderes do Governo Federal da época. 

EM VÍDEO DE REUNIÃO, BOLSONARO ORDENA QUE MINISTROS QUESTIONEM PROCESSO ELEITORAL

O vídeo em questão foi divulgado nesta sexta-feira (09) pela jornalista Bela Megale do Globo, a transcrição do material já estava contida no pedido de deflagração da operação desta quinta.

O entendimento geral é de que preocupado com uma possível derrota para Lula, Bolsonaro queria que sua equipe se mobilizasse contra o TSE. 

No material, Bolsonaro fala que ninguém acredita nos ministros do STF e que eles estariam a preparar uma fraude para que Lula ganhasse de primeiro turno. Durante a reunião, o atrito entre o TSE e as Forças Armadas também foi apresentado como um argumento para dizer que a Justiça Eleitoral estaria do lado do petista. 

O vídeo divulgado pelo Globo mostra Bolsonaro a ordenar que o governo questione o processo eleitoral antes da realização das eleições e na data do primeiro turno. Baseado em uma premissa sem provas de que existiria uma fraude no sistema que faria Lula ganhar, Jair Bolsonaro pedia que equipe reagisse. 

Bolsonaro também fala que se seus aliados reagirem ao caso depois das eleições "vai ter um caos no Brasil, vai virar uma grande guerrilha, uma fogueira no Brasil". O ex-presidente ainda concluiu com "não adianta eu ter 80% dos votos. Eles vão ganhar as eleições", a insinuar uma fraude. 

Bolsonaro pedia que a Comissão de Transparência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizasse uma nota conjunta a dizer que "a lisura das eleições são (sic) simplesmente impossíveis de ser (sic) atingidas" com subscrição  da OAB. 

O próprio presidente indica que o TSE errou em convidar as Forças Armadas para participar do processo eleitoral, mas que isso o beneficiava. "Eles erraram. Pra nós, foi excelente. Eles se esqueceram que sou o chefe supremo das Forças Armadas?", relatou Bolsonaro

 

BOLSONARO teve acesso à minuta do golpe, que pedia PRISÃO e MONITORAMENTO de ALEXANDRE DE MORAES

BOLSONARO É ALVO DA PF, PRECISARÁ ENTREGAR PASSAPORTE E 4 EX-FUNCIONÁRIOS SÃO PRESOS

A operação desta quinta, intitulada Tempus Veritatis (hora da verdade, em latim), realizou busca e apreensão na casa de Bolsonaro em Angra dos Reis (RJ) e exigiu que o ex-presidente entregasse em 24 horas seu passaporte. As ordens autorizadas por Alexandre de Moraes exigem que Bolsonaro não fale com outros investigados. 

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Dois ex-assessores especiais de Bolsonaro e dois membros do Exército foram presos preventivamente pela PF. Aliados de Bolsonaro, como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o General Braga Netto e o General Augusto Heleno foram alvos de busca e apreensão. 

Durante a ação da PF, Valdemar Costa Neto foi preso pelos agentes da polícia por posse de arma ilegal. 

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