Eficiência na irrigação e revitalização são temas de debate do Senado no Submédio São Francisco

Publicado em 10/04/2015 às 20:30
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Uso eficiente da água aplicada na agricultura irrigada, atuação mais forte nas ações de revitalização do São Francisco e soluções de captação de água que evitem prejuízos econômicos aos irrigantes que dependem dos cursos hídricos afetados pela estiagem prolongada. Essas são algumas das contribuições que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf) tem condições técnicas de oferecer à região do Vale do São Francisco de acordo com o presidente do órgão, Elmo Vaz, um dos participantes, na tarde desta sexta-feira (10), do seminário promovido pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal em Petrolina (PE) – município da região do Submédio São Francisco que se destaca nacionalmente pela atividade da fruticultura irrigada. O objetivo do evento foi debater os efeitos da crise hídrica sobre a agricultura irrigada. De acordo com Elmo Vaz, a Codevasf, para melhor contribuir com a revitalização do Velho Chico, poderia passar a atuar mais fortemente em controle de processo erosivo e qualidade hidroambiental da bacia – ações para as quais estão previstos R$ 19,8 milhões no Orçamento deste ano aprovado pelo Congresso. No quesito uso eficiente da água, ele disse aos participantes que a Codevasf concluiu – mediante investimento de R$ 1,5 milhão – 528 projetos parcelares para conversão de sistemas de irrigação em 4.042 hectares de quatro perímetros da região do Submédio São Francisco. Feitas todas as conversões pelos produtores, a economia de água anual do rio São Francisco chegaria a 79 bilhões de litros, já que o consumo com irrigação se reduziria em até 70%. “É o modelo do que foi feito pela Codevasf no perímetro Mandacaru, onde o lote piloto saiu do processo de irrigação por inundação para o sistema de gotejamento; com isso, reduziu o custo e a despesa com energia em cerca de 40%, redução de água na ordem de 60% a 70%, e houve aumento de área útil para irrigação da ordem de 40%”, disse o presidente da Codevasf. “É um projeto revolucionário e simples de ser feito, nós temos a capacidade de ajudar a fazer isso, mas não podemos investir no lote privado, então o agricultor precisará pegar um financiamento”, observou. No tocante à solução imediata para o problema que aflige os irrigantes do perímetro Nilo Coelho – já que a redução da vazão do Lago de Sobradinho, em razão da estiagem, ameaça a oferta de água –, o presidente da Codevasf anunciou que na próxima terça-feira (14) órgãos como Agência Nacional de Águas (ANA), Chesf, ONS, Ibama, Marinha e representantes de agricultores do perímetro estarão reunidos na sede da Codevasf, em Brasília, para discutir as alternativas – uma delas é a instalação de flutuantes para captação de água no rio São Francisco. “O projeto já está pronto, fizemos o termo de referência, a especificação, o custo para implantação está estimado em cerca de R$ 60 milhões, e temos capacidade para executar essa obra em 120 dias”, disse Elmo Vaz, pontuando que a reunião de terça-feira servirá para que todos os entes envolvidos apresentem propostas e formas de contribuição. O perímetro Nilo Coelho contabilizou, em 2014, R$ 883,8 milhões em valor bruto de produção e 552,5 mil toneladas de itens agrícolas produzidos numa área irrigável 18.563 hectares onde os principais cultivos são uva, manga e goiaba. Do debate, participaram também os senadores Fenando Bezerra Coelho, proponente do seminário, e Ana Amélia, presidente da CRA; o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu Guillo; o coordenador geral da Secretaria Nacional de Irrigação (Senir) do Ministério da Integração Nacional, Cristiano Egnaldo; o diretor de operações da Chesf, Mozart Arnauld; Ivan Costa, da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação Nacional de Agricultura (CNA); o secretário estadual de Agricultura e Reforma Agrária de Pernambuco, Nilton Mota; além de deputados estaduais e federais, prefeitos da região, vereadores e produtores. “O Vale do São Francisco é de uma importância fundamental não só para a região do semiárido mas para todo o Brasil, pois a agricultura irrigada, além de sustentar a economia, emprega de 200 a 250 mil trabalhadores rurais, o que traz um efetivo desenvolvimento para toda a região”, assinalou o diretor de Irrigação da Codevasf, Solon Braga Filho, que esteve presente ao debate. Ele apontou que a Codevasf tem hoje R$ 500 milhões em ações contratadas para modernização de seus 25 perímetros irrigados, sendo que mais de R$ 250 milhões já foram pagos. Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os debates no Vale do São Francisco prosseguem neste sábado (11), das 8h30 às 15h, também no Sest/Senat de Petrolina, onde será realizada uma oficina setorial do processo de atualização do Plano de Bacia do Rio São Francisco. A oficina será sobre o tema agricultura, e vai reunir representantes do Vale São Francisco para debater os principais problemas que afetam a dinâmica agrícola nas margens do Velho Chico e de seus afluentes.

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