O custo dos deslocamentos nas áreas metropolitanas e o caso do Recife

Publicado em 10/09/2015 às 9:00
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TI INTEGRAÇÃO Nas áreas metropolitanas, a ausência de um planejamento urbano adequado resulta em um forte desequilíbrio entre a ocupação habitacional nas áreas periféricas e a oferta de funções urbanas (empregos, educação, saúde, saneamento, lazer e serviços em geral) nas áreas centrais das cidades-polo. Nesse ambiente, o impacto das longas viagens pendulares casa – trabalho – casa sobre a produtividade, chamado de produção sacrificada, tem crescido ano após ano. Considerando os deslocamentos acima de 30 minutos, mais de 17 milhões de trabalhadores2 demoram, em média, 114 minutos nessas viagens, gerando um custo de produção sacrificada superior a R$ 111 bilhões. Esse número aumentou em 304 mil pessoas entre 2011 e 2012, equivalente à população de Petrolina/PE (305,4 mil) naquele ano. O tempo do deslocamento casa-trabalho-casa vem crescendo ano após ano nas principais áreas metropolitanas do Brasil. Um estudo do Sistema FIRJAN, divulgado nesta quarta-feira (09.09), mostra que, considerando os deslocamentos acima de 30 minutos, mais de 17 milhões de trabalhadores demoram, em média, 114 minutos nessas viagens. O tempo perdido nos deslocamentos tem um impacto para a economia, a chamada produção sacrificada, superior a R$ 111 bilhões. Na área metropolitana de Recife, 669 mil trabalhadores levaram, em média, 122 minutos nos deslocamentos casa-trabalho-casa, considerando apenas os deslocamentos acima de 30 minutos, em 2012. Frente a 2011, o tempo de deslocamento na área metropolitana aumentou 7 minutos e o número daqueles que perderam mais de 30 minutos no trânsito cresceu 1,5% (9,8 mil pessoas). O custo da produção sacrificada ultrapassou R$ 3,3 bilhões em 2012, equivalente a 4,3% do PIB metropolitano daquele ano. O crescimento de 14,6% no impacto econômico em termos de produção sacrificada acompanhou o aumento do tempo médio dos deslocamentos e do número de trabalhadores que gastam mais de 30 minutos nos deslocamentos – Tabela 1. A pesquisa analisou os dados de 601 municípios em 37 áreas metropolitanas do país. O Rio de Janeiro foi a que apresentou o maior tempo de deslocamento (141 minutos). São Paulo está em segundo lugar (132 minutos). Em relação ao custo, no Rio de Janeiro, deixam de ser produzidos mais de R$19 bilhões (5,9% do PIB metropolitano). Em São Paulo, o prejuízo é de quase R$45 bilhões (5,7% do PIB metropolitano).O município onde os trabalhadores registraram maior tempo de deslocamento foi Ilha de Itamaracá, com média de 167 minutos. Cabo de Santo Agostinho registrou a menor média, com 114 minutos. Na capital, que concentra 37,6% dos trabalhadores com deslocamento acima de 30 minutos, a média ficou em 114 minutos.  

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