Comunicação sem uniformidade e discurso de Temer transmitem a ideia de presidente-naftalina

Publicado em 25/09/2016 às 20:00
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MICHEL-TEMER Fernando Henrique Cardoso, sempre transmitiu, internacionalmente, a ideia de credibilidade de Pai do Real. Lula, no começo da gestão, fixou a imagem de transferência de renda e regaste social. Dilma Rousseff, antes do desastre administrativo, transmitiu seriedade pela condição de mulher, sobrevivente da tortura e honestidade. Michel Temer, com a imagem advogado bem penteado e o discurso em português castiço transmite a ideia de um presidente-naftalina. O jornalista Eduardo Oinegue - que esta semana conversou com o presidente e disse que ele precisar colocar a comunicação no centro das decisões governamentais - tem absoluta razão na advertência de que o Governo Temer precisa, urgentemente, de ações voltadas para a integração da comunicação de diversas pastas, ponto considerado mais problemático pelo Planalto. Acredite. Neste domingo, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, sinalizou em Ribeirão Preto (SP), que uma nova etapa da Operação Lava Jato vai ser deflagrada nesta semana. O ministrou falou evento de campanha do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), candidato a prefeito no município paulista.  Não deu outra: Duas horas depois a assessoria de imprensa do Ministério foi uma "força de expressão". Agora façamos uma pergunta simples: O que ajuda ao Governo Temer essa afirmação? Complica e atrapalha. Primeiro, porque se acontecer uma nova operação, passa a ideia de que a o Ministério da Justiça interfere na Lava jato. Segundo, se não acontecer o ministro vai passar por boquirroto. Mas o problema começa com o presidente. Ele fala num tempo verbal antigo e seu discurso é construído de uma forma que não passa absolutamente nenhuma segurança de conhecimento do Temer. E as pessoas que conversam com ele dizem que ele é assim o tempo todo. Dá a ideia que dorme de um jeito que não assanha o cabelo. Alguém imagina o Temer na piscina de camiseta, com uma cerveja de milho na mão? Se alguém se dar ao trabalho de assistir a entrevista dele no canal Blumberg vai ver que se um possível investidor dependesse de suas falas vai esperar pelo menos um ano. Para um público de negócios que exige que o interlocutor de uma país com um PIB de US$ 2,3 trilhões, ele não passou a segurança de conhecimento profundo sobre o que está falando. Na verdade,  ele sai com essa pérola: “Estou inspirado no ex-presidente Juscelino Kubitschek, que era muito ativo, modernizante e fazia um governo alegre. Minha função – em dois anos e quatro meses – é colocar o Brasil nos trilhos. ” Quem nos Estados Unidos lembra ou sabe a existência de Kubitschek? As referências a Kubitschek são do homem que construí Brasília. Mas as coisas no governo Temer são surreais. Na entrevista Temer levou o ministro das Relações Exteriores, José Serra, que no estúdio tomou a palavra diversas vezes para dar suas opiniões a respeito do estado da economia”. Agora imagina o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew explicando uma fala de Barack Obama? É difícil imaginar que Temer controle seus ministros boquirrotos. Tem coisa maravilhosas de erros graves de comunicação. O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, vai a um encontro de sindicalistas da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), em Brasília e diz "Vamos colocar freios na lei com teto de jornada em 48h semanais, sendo até 12h diárias". Não deu outra. O próprio Temer teve que intervir e mantar o boquirroto Nogueira soltar uma nota explicando “ Não haverá aumento da jornada semanal de trabalho de 44 horas, nem da diária de oito horas”. Num governo sério seria demitido á noite. Esta semana teve uma outra. Desta vez com o Mendonça Filho. O ministro apresentou, certamente, o mais ousado projeto do Governo Temer que é a reforma da Educação.   Mas no discurso Temer vem com um discurso empoado: Eu quero dizer muito solenemente que no nosso governo não haverá redução de verbas para a educação. Em momento algum nós faremos isso. ” Disse. Depois o ministro Mendonça Filho, também, se enrolou ao falar sobre os trechos polêmicos que retiram a obrigatoriedade das disciplinas de Artes e Educação Física. Não é assim e não vai ser desse jeito, mas passou a ideia. No dia seguinte a secretária-executiva do Ministério da Educação (MEC), Maria Helena Guimarães, teve que explicar: Não é isso, o que “a MP diz é que metade o estudante poderá escolher em até cinco grandes áreas de conhecimento: linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e formação técnica e profissional. E que os outros 50% do currículo do ensino médio deverá ser preenchido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que ainda está em discussão. ”, esclareceu. Mas aí já era tarde. Todo mundo criticando o governo em mais um episódio de total falta de comunicação. Pegou a ideia de que o Governo Temer vai acabar com Artes e Educação Física. Isso depois de uma Olimpíada. Então, como advertiu o Eduardo Oinegue realmente esse governo precisa de governo precisa afinar e concentrar o discurso para evitar ruídos e desgastes, que o obrigou a ter seguidos "recuos". Mas tem que começar com o próprio Temer. Talvez porque a formação de professor de Direito. Talvez porque nunca tenha sido mais próximo de alguma coisa mais concreta aos olhos do cidadão como Lula. Mesmo tendo sido Secretário de Segurança Pública de São Paulo. O problema é que Temer é arrumado demais para passar uma ideia de praticidade. Quando fala não se aprofunda e não passa segurança. Resumindo: transmite a ideia de que é teórico demais e arrumado demais para passara ideia de comando. Talvez por isso os ministros se atrevam a falar em seu nome. E aí dá no que está dando. MICHEL-TEMER01

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