Sem proteção de suas estações, o BRT virou pedra

Publicado em 21/09/2019 às 19:30
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Enquanto a secretaria de Desenvolvimento Urbano faz cara de paisagem, o Sistema BRT da Região Metropolitana do Recife, literalmente, está virando pedra. De crack. Nos últimos meses, as estações do sistema que se jactava – nos tempos de Eduardo Campos – de ser o único do Brasil com ar condicionado vêm sendo canibalizadas com a retirada de partes das estações para venda no ferro velho e até trocadas por pedras de crack. É uma situação absurda de destruição de patrimônio público e é de se estranhar que, até agora. o Ministério Público e o Tribunal de Contas não tenham acionado o governo do Estado. O sistema BRT é um desses casos que deveriam ser referência do como não fazer (como sugeriu a então presidente da Petrobras Graça Foster, aos comentar o modelo de construção da Refinaria Abre e Lima). A então Secretaria das Cidades contratou um projeto de uma consultoria que escreveu um sistema cujas estações com ar condicionado e vidro têm aproximadamente 1.200 itens, o que impacta na sua manutenção. Não há no Brasil nada parecido. O custo de manutenção das estações não cabe na conta das tarifas. O sistema (incluindo os ônibus) foi orçado, em 2014, em R$ 557 milhões, mas nunca foi concluído. Nos relatórios do governo do Estado ele está quase pronto. Mas apenas 40 das 51 estações previstas ficaram prontas e operam. Não se discute aqui o fato de que, inconcluso, o sistema (que exigiu a compra de 195 ônibus articulados), precisou ser colocado em uso às pressas porque os veículos estavam se deteriorando nas garagens das empresas. Mas o absurdo é o governo abandonar o sistema à própria sorte sem perspectivas de solução para sua proteção física. O BRT está sendo destruído, mas só é notícia quando o Bandeira 2 da Rádio Jornal relata 40% dos assaltos nas estações e ônibus do sistema. VEJA TAMBÉM https://jc.ne10.uol.com.br/blogs/movecidade/2019/09/20/a-canibalizacao-do-brt-pernambucano-e-o-fim-do-sistema/.

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