Sindicalismo em rede social vira desafio de dirigente analógico

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 18/02/2020 às 16:03
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""No final do governo Temer, quando a reforma trabalhista foi aprovada, a extinção da contribuição sindical foi vista como o tiro de morte do sindicalismo brasileiro que perdeu  a fonte de financiamento e capacidade de mobilização. Isso é verdade e, na onda, o sindicalismo empresarial também perdeu capacidade operacional a ponto de hoje as federações terem virado birô de cursos e seminários pagos enquanto os sindicatos patronais passaram a ter pool de serviços e depender do sistema S.Mas o desafio do sindicalismo mundial não é apenas a questão financeira. O maior desafio hoje é como se apresentar à classe trabalhadora digital com os mesmos instrumentos de 1917. Com bandeiras, carros de sons, panfletos e assembleias onde o discurso inflamado terminava como velho e surrado "Trabalhadores do mundo uni-vos" .Trabalhadores estão perdendo dinheiro e capacidade de organização porque o futuro do emprego é incerto e nesse mundo o sindicalismo continua analógico. Eles já sabem que se  radicalizarem contra a população as redes sociais se tornarão implacáveis com os seus dirigentes e não sabem como se comportar.Dito de outra forma:Greve ou interrupções sem um suporte de mídias sociais e discursos consistentes tendem se tornar o caminho mais rápido para a desmoralização digital. Claro que a oposição se tiver articulação digital pode ganhar sindicato. Mas o desafio depois da posse não e ter apoio da categoria na contenda patrimonial, mas não perder o apoio da população se o movimento tiver que ir as ruas e interromper a rotina das pessoas. Mas qual sindicato tem idade mental para isso?Na verdade, o perfil do dirigente sindical atual revela que, no máximo, tem uma conta no WhatsApp o no Instagram. Mas o que eles fazem com isso? Se tiverem dinheiro não tem mais capacidade de mobilizar gente o problema é que sindicalismo brasileiro é analógico. Não sabe o que é redes sociais e, no máximo, o que podem conseguir é travar a atividade na força se tiverem a abrigados no guarda-chuva do setor público.A críticas que os dirigentes do sindicato de enfermeiros sofreram por interromper as Avenida Agamenon Magalhães na semanapassada são um bom exemplo. As que os dirigentes do Sinpol também receberam vão nessa direção o que deve ter feito refletir sobre suas pautas e do recuo de propor uma greve no Carnaval.  Tudo isso ensina uma nova lição de que é bom começar a saber que, agora, quando o movimento sindical de trabalhadores atrapalhar a vida das pessoas, as redes sociais vão linchá-los em tempo real. Aliás, já tem gente sofrendo quando ameaça greve que prejudica a quem não tem nada a ver com as reinvidicações salariais.

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