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Fernando Bezerra esquece Bolsa Família na hora de defender Banco do Nordeste

Senador pernambucano faz defesa de banco do Nordeste como gestor do FNE, mas não se pronunciou sobre exclusão de famílias da Região no Bolsa Família.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 07/03/2020 às 18:19
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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) condicionou a retomada da economia brasileira a partir da aprovação da Reforma da Previdência - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
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Por Fernando Castilho do Jornal JC Negócios

Líder do Governo no Senado, o pernambucano Fernando Bezerra Coelho (PMBD-PE), ocupou a tribuna na última sexta-feira para um inflamado discurso rebatendo o colega Esperidião Amin (PP-ES) que defende que os fundos constitucionais entre eles o FNE, possam ser administrados por outras instituições federais de modo que a performance possa ser melhor avaliada. Amin quer ter a oportunidade de poder comparar.

Ao rebater o catarinense, FBC disse que "no ano passado, como nos anteriores, de todos os bancos públicos, o BNB foi o que melhor performou do ponto de vista da aplicação de recursos, do retorno e da rentabilidade. E que o banco foi reconhecido internacionalmente como o banco do Crediamigo, do crédito popular e do microcrédito, o BNB, para subsistir num ambiente econômico adverso, precisa sim da exclusividade dos recursos do FNE".

Tudo isso é verdade. Mas também é verdade que o TCU, ao analisar a política de administração dos fundos do banco, entendeu que ele (por absoluta leniência da Sudene) virou uma espécie de dono dinheiro do FNE a ponto de sua administração ser equivalente a de um banco comercial comum.

E que conforme estudos do próprio Escritório de Estudos Técnicos do Nordeste ETENE, a aplicação do FNE não vem gerando uma quantidade de empregos que possa distinguir a atuação de um financiamento normal feito pelos bancos comerciais com outras linhas. Em resumo o dinheiro do FNE não gera um maior volume de empregos e sua aplicação não o diferencia como um programa de desenvolvimento.

No seu discurso, FBC também lembrou que o banco teve sua gestão reconhecida por instituições internacionais sobre transparência nos resultados e defendeu veementemente que não haja mudanças na gestão dos fundos.

O senador pernambucano fez melhor que toda bancada do Ceará poderia fazer uma vez que ela trata o banco como uma instituição financeira cearense. Até porque o banco de fato trabalha pelo Ceará

Mas o Nordeste gostaria de ouvir palavra sua  -ainda que suave - sobre a questão do Bolsa Família onde o Nordeste está sendo punido de forma cruel estando sem ter quase um milhão de famílias fora do programa.

A questão do Bolsa Família foi objeto de reclamação e críticas de todos os governadores, lideranças e estudiosos, mas o governo do qual o senador pernambucano é líder não deu uma resposta concreta sobre porque em janeiro pouco mais 3.009 famílias do mesmo Nordeste do BNB não foi melhor assistido.

Não há nenhuma razão para que o senador do MDB não defenda que instituições do Nordeste não cuidem do dinheiro destinado ao Nordeste. Até porque eles são escassos especialmente no Governo Bolsonaro que não enxerga políticas públicas diferenciadas para a região, mas os nordestinos gostariam de ver a mesma veemência do senador Pernambucano na defesa de um dos mais importantes programas de assistência social do governo no Nordeste.

Ajudaria muito saber que o senador está ao lado de tantas famílias abaixo da linha da pobreza. Mas como líder do Governo certamente poderá conversar com o ministro Onyx Lorenzoni para que ele reveja essa forma cruel para com a região onde o simples crédito de R$ 165 pode fazer a diferença entre uma família dormir com fome. Incluindo as crianças.

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