Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Pernambuco testa todos pacientes graves e vê disparar número de mortes por covid-19

O Estado totaliza 7.334 casos confirmados Com isso, o Estado totaliza 603 mortes pela Covid-19.

Fernando Castilho
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Publicado em 01/05/2020 às 23:00 | Atualizado em 04/05/2020 às 13:13
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Pernambuco testa todos os pacientes suspeitos de covd-19 que estejam internados em estado grave. - FOTO: JAILTON JR./JC IMAGEM
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Por Fernando Castilho, do JC Negócios

A decisão da secretaria de Saúde de Pernambuco de testar, com o exame RT-PCR, todos os pacientes que estejam internados em situação grave nos hospitais do Estado, fez o número de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) disparar.

A atitude fez o Estado observar mais registros locais de morte por covid-19, colocando-se apenas atrás de São Paulo e Rio de Janeiro e do Ceará e logo atrás do Amazonas onde o sistema de saúde entrou em colapso.

A classificação não diminui a gravidade do quadro de Pernambuco onde o crescimento dos registros já torna dramática a situação de ofertas de leitos de UTI na rede publica e pressionam a rede privada.

Nesta sexta-feira, Pernambuco confirmou 458 novos casos da Covid- 19, sendo 314 casos que se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), portanto internados e/ou mais graves, além de outros 144 casos leves.

Agora, o Estado totaliza 7.334 casos confirmados (4.685 casos graves e 2.649 casos leves). Também foram confirmados laboratorialmente 38 óbitos (sendo 17 mulheres e 21 homens). Com isso, o Estado totaliza 603 mortes pela Covid-19.

Entretanto, segundo o Boletim Epidemiológico Especial n º 14 do Ministério da Saúde, divulgado dia 26 de abril último, Pernambuco é o único estado que recomenda que, na Declaração de Óbitos, os óbitos suspeitos de COVID-19, ou seja, sem exame positivo, seja preenchido no atestado como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Esse número entra nas estatísticas do Ministério da Saúde como mortes pela covid-19. A secretaria de Saúde corrige após a morte a informação se ele testar negativo nos exames de RT-PCR o que é muito raro nas mortes classificadas como SRAG.

A opção de Pernambuco de fazer testes em todos os pacientes faz com que os números de mortos por covid-19 no Estado estejam discrepantes dos demais estados e isso já aparece nas estatísticas do Ministério da Saúde.

Eles revelam uma distorção nos números da Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), que faz a comparação dos dados divulgados pelos cartórios e os reportados pelos estados ao Ministério da Saúde.

No último boletim do MS, enquanto a CRC Nacional registrava 159 mortos por covid 19 o Estado reportou 415 vítimas de SRAG com uma diferença de 256 a mais.

Pernambuco é o estado com maior diferença seguindo do Amazonas que tinha 170 casos na CRC Nacional e reportara 304 de mortes por covid-19 ao ministério numa diferença de 134 mortes.

A grande maioria dos estados não está fazendo esse procedimento em relação aos óbitos o que revela situações curiosas como Minas Gerais onde o número de mortes relatados na CRC Nacional (143) é menor que o relatado pelo estado ao Ministério da Saúde de apenas 61 até o dia 26 de abril.

Isso acontece, também, no Rio de Janeiro 1.140 registrados contra 645 relatado são Ministério da Saúde e até mesmo em São Paulo que naquela data do boletim registrara 2007 mortes por covid=19 na CRC Nacional e 1700 ao MS.

No Ceará, que também está testando os seus pacientes graves internados, os números são de 315 registros na CRC Nacional e 327 informados ao Ministério da Saúde.

O cuidado com informações sobre o quadro real da Covid-19 vem sendo observado pela Open Knowledge International (OKBR) – organização não-governamental presente hoje em 66 países, com atuação nas áreas de transparência das gestões e abertura de dados públicos que elogiou Pernambuco que aparece empatado com Rondônia, que cresceu de desempenho, seguidos de Ceará e Espírito Santo na divulgação de números sobre a covid-19.

A organização revela que dos 27 estados brasileiros, apenas nove (Amapá, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rondônia) têm seus dados disponibilizados.

A metodologia de divulgação de informações chamou a atenção do Ministério da Saúde que observou uma variação importante entre as Unidades da Federação (UF). Dezenove das 27 UFs apresentam mais registros de óbitos no Ministério da Saúde do que nos cartórios, sendo a maior diferença encontrada para o estado de Pernambuco (256).

Por outro lado, os estados do Rio de Janeiro (495) e São Paulo (307) tiveram mais óbitos registrados pelos cartórios do que nos registros do Ministério da Saúde

A menção a insuficiência respiratória ou pneumonia na Declaração de Óbito, reportados pela CRC Nacional também vem sendo estudada agora com mais atenção na comparação entre os dados da CRC Nacional e o Ministério da Saúde.

Em 2019, por exemplo, foram registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) um total de 207.747 óbitos com menção de pneumonia e 195.753 reportando insuficiência respiratória.

Destes, foram identificados 70.302 tendo como causa básica de morte a pneumonia e 5.321 óbitos por insuficiência respiratória.

Segundo o MS, observam-se diferenças importantes entre os registros de óbitos da CRC Nacional e do Ministério da Saúde, nacionalmente e pelos estados.

Essas situações mostram, que a questão da subnotificação não está restrita apenas aos casos confirmados, mas especialmente ao numero de mortes que não estão tendo o registro adequado nos cartórios prejudicado a percepção do rela quadro de letalidade da covid-19.

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