Coluna JC Negócios

Covid-19 chega a 10 milhões de casos, 500 mil mortes, US$ 10 trilhões de gastos e mundo não sabe como vencê-la

Em apenas 180 dias, mais de 160 países contaram 10 milhões de infectados e 500 mil mortes a partir de uma disseminação a partir da China.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 28/06/2020 às 22:30
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O novo coronavírus já fez 10 milhões de vítimas e matou 500 mil pessoas em apenas seis meses - FOTO: PIXABAY
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Por Fernando Castilho da JC Negócios 

Nesta terça-feira, a pandemia do coronavírus completa seis meses. Embora os jornais chineses relatem os primeiros casos em 1º de dezembro de 2019, foi apenas no último dia do ano passado que o mundo tomou conhecimento do novo vírus sem ter qualquer ideia do que viria a acontecer nos meses seguintes.

Três dias antes de completar apenas um semestre, a covid-19 chegou à marca de 10 milhões de infectados, 500 mil mortes e a um custo fiscal estimado em US$ 10 trilhões sem que o mundo saiba exatamente como proceder além das medidas de isolamento social, distanciamento físico e limpeza pessoal como simples a simples lavagem das mãos com o velho sabão à base de bicarbonato, soda cáustica e glicerina.

Fora dessas medidas, o mudo ainda não descobriu uma vacina embora aos menos 110 projetos segundo a OMS cuidem disso especificamente. Também não conseguiu padronizar um tratamento médico específico e tenta combatê-la usando várias técnicas e drogas anteriormente aplicadas noutras infecções virais.

O mais curioso desse evento médico de classe mundial é o impacto que ele provocou na economia global e como o vírus se espalhou pelos cinco continentes com efeitos que nem mesmo os mais catastróficos filmes de ficção cientifica previram.

Até porque em todos eles, o mundo é salvo por um antidoto pronto feito por um herói da ciência. O mundo real de 2020 provou que isso não existe.

Em apenas 180 dias, mais de 160 países contaram 10 milhões de infectados e 500 mil mortes a partir de uma disseminação a partir da China infectando primeiro a Europa, Ásia e, a seguir, as Américas onde os Estados Unidos passaram a liderar os número de casos e mortes com o Brasil vindo a seguir.

Enquanto os cientistas não conseguem uma vacina e os médicos testam novos tratamentos, o primeiro estudo dos custos desse fenômeno feito por cinco universidades ao redor do mundo lideradas pela Universidade de Columbia (Estados Unidos) estimou que até o final de maio o total de gastos fiscais globalmente é de US$ 7,2 trilhões (mais de R$ 40 trilhões), o equivalente a cerca de US$ 1.152 (R$ 6,6 mil) per capita. O número de junho deve chegar a US$ 10 trilhões.

É metade do PIB dos Estados Unidos e duas vezes o do Japão. Ou quase cinco do Brasil.

E embora não se tenha ainda uma previsão do impacto econômico da pandemia, os especialistas e organizações internacionais, acreditam que ela será a pior desde a Grande Recessão da década de 1930. O Fundo Monetário Internacional estima que a economia mundial deverá retrair quase 5%. 

O estudo liderado pelo professor Ceyhun Elgin, diretor do Programa de Mestrado em Economia da Universidade Columbia, Nova York afirma que os 10 países quem mais gastaram com o enfrentamento da covid-19 (Japão, Luxemburgo, Bélgica, Eslovênia Áustria, Irã. Estados Unidos e Catar Singapura e Suécia), usaram entre 22% e 12% de seu PIB com a epidemia.

Maior economia do mundo os Estados Unidos gastaram 13% o que segundo estimativa do FMI sobre o tamanho do PIB de todas as nações significa dizer que os americanos (com um PIB de US$ 20, 5 trilhões) estão gastando US$ 2,67 trilhões.

Na América do Sul, segunda a Universidade de Columbia, o Peru com 9% do PIB é o que mais gastou segundo do Brasil com 8%. Como o PIB do Brasil, em dólar de 2018, era US$ 1,7 trilhão isso quer dizer pelo menos 150 bilhões.

O problema é que há uma distância de 12 para 1 entre a capacidade financeira do Brasil e os Estados Unidos se tomado apenas o critério PIB.

Os Estados Unidos com 2.593.169 e 127.693 mortes tem muito mais capacidade financeira e infraestrutura médico hospitalar de atendimento que o Brasil com 1.345,254 e 57.658 mortes.

Talvez a única equivalência seja na abordagem do problema pelos dois presidentes em atitudes negacionistas da gravidade da doença, conflito com os governadores e uma pressão exacerbada para a retomada das atividades que nos dois países estão fazendo as cidades e estados darem passos para trás depois que os casos voltarem a crescer.

O fato de neste domingo o mundo cravar a mais de 10 milhões de casos meio milhão de mortos já faz da covid-19 a maior catástrofe de saúde pública da humanidade em tempos de reprodução vírus.

Como essencialmente ele viajou de avião para os países e nestes a partir do uso do avião, também por esse meio de transporte se espalhou o que tornou mais difícil a definição de estratégias de combate e definição de protocolos pela velocidade de propagação.

A despeito da internet e da força das comunicações os efeitos de combate foram amplificados, mas os procedimentos dentro dos hospitais só agora começam a ser organizado mesmo com a comunidade medica trabalhando em tempo rela em regime de 7x24 a verdade é que o mundo não tem seis meses depois uma forma de tratar as infeções que reduzam as mortes.

Os efeitos colaterais do vírus e as sequelas de longos períodos de internação e uso intensivo de drogas e procedimentos ainda vão levar anos para serem escritos.

No fundo, o mundo inicia a segunda metade da segunda década do século XXI sem saber como será o mundo depois da covid-19. Até porque ainda não sabe quantos seres humano serão contaminados, quando vão perder a vida e quando isso custará a economia global.

A ficção cientifica, nem o cinema não poderiam mesmo prever nada próximo disso.

 

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