Coluna JC Negócios

Governo de Pernambuco tenta não ser atropelado pelo "libera geral" na economia, mas setores reclamam.

O cronograma tem coisas muito estranhas como o retorno dos treinos de futebol profissional. Alguns setores que foram excluídos sem muita base técnica. Os serviços médicos por exemplo.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 02/06/2020 às 12:45
Notícia
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Construção civil reclama dos prazos para poder retomar as ativiades. - FOTO: Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Leitura:

Por Fernando Castilho da Coluna JC Negócios 

Ao menos três segmentos não gostaram em nada do programa de reabertura das atividades econômicas anunciado nesta segunda-feira quando o Governo de Pernambuco apresentou um cronograma de reabertura em 11 fases diferentes e sucessivas,

Construção Civil que só poderá reabrir os canteiros de obras com 50% do pessoal; Serviços Médicos que ainda aguarda uma data depois de 15 de junho para retomar suas consultas e exames e concessionárias de veículos que devem ser uma das últimas que poderão abrir suas portas e correm o risco de passar 90 dias de portas fechadas.

O governo insiste no discurso de que o isolamento rígido foi positivo na medida em que reduziu a curva de crescimento da covid-19. Mas parece claro que neste embate os cientistas ganharam o debate para os economistas e administradores públicos.

As reclamações são muitas. O presidente do Sinduscon, Érico Furtado Filho, acha que o governo parece não entender a dinâmica do setor que impacta mais 10 categorias ao permitir que as empresas funcionem com apenas metade do pessoal.

Numa frase: Parece que no governo não tem um só engenheiro que tenha vivido um dia numa obra. Mesmo do setor público. A proposta de começar as 9 e fechar as 18 horas é risível e para a maior parte do setor abrir desse jeito é melhor ficar fechado.

O problema é que o governo de Pernambuco apresentou um plano de retomada das atividades econômicas com base numa tendência de redução da pressão, por serviços médicos demandados pela covid-19 verificada em apenas uma semana de redução das taxas de solicitação de UTI+ enfermaria por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), UTI e enfermaria.

Na verdade, apesar do discurso empoado de critérios técnicos e estudos profundos o fato é que o governo precisava tomar uma atitude depois do fracasso do isolamento rígido nas periferias sob pena de ser desmoralizado quando pede para as pessoas ficarem em casa.

Isso não quer dizer que o "Fique em casa" na seja importante. Mas basta ver os números do contador de pessoas fora de casa da In loco para ver que nas RMR a maior parte da população seguiu vida normal,

Mas o governo está usando esse período que compreende a semana entre 25 e 31 maio - que o governo com tendo sido o pico na epidemia no Estado -e, portanto, se formado um platô para poder reabrir.

Todo mundo no governo sabe que, se pudesse, o governador Paulo Câmara só começava a abrir alguma coisa depois de 15 de junho quando se completam 90 dias isolamento social.

Isso quer dizer que o cronograma é um risco calculado para que as atividades sejam gradualmente retomadas, embora a primeira semana, ou como o governo classifica de 23ª (entre 1º e 7 de maio) estejam sendo liberadas.

Por enquanto, apenas as lojas de material de construção e o delivery de comércio não essencial além de metade da Construção Civil e o Comercio Atacadista.

Segundo o plano, apenas na 24ª semana - entre 15 e 21 de junho - poderão abrir, gradualmente, o varejo de bairro, salões de beleza e serviços de estética e além do delivery o cliente poder fazer a coleta em shoppings centers e centros comerciais como se provou muito eficiente no caso das lojas de material de construção.

Agora tem coisas muito estranhas como o retorno dos treinos de futebol profissional. Qual o argumento? E qual a importância em termos econômicos e de geração de empregos? Torcida organizada não é emprego.

Mas tem setores que foram excluídos sem muita base técnica. Os serviços médicos por exemplo. Todo mundo sabe da gravidade da interrupção de tratamento. Com 90 dias sem acompanhamento todo os tratamento de doenças está parado.

Além disso se existe um setor que sabe tudo de segurança para retomar suas atividades é o setor médico. Pelo critério de importância econômica o setor médico dá de 10 no futebol, por exemplo.

E a importância do Polo Médico como produtor de suporte a covoid-19? Até para tratar das demais doenças.

O outro setor de ficou uma arara com Paulo Câmara é o de concessionárias de veículos. Se for pelo critério econômico e de emprego esse segmento hoje é igual a construção civil.

Não faz sentido até porque quem vai a concessionária hoje é um público muito menor e com maior consciência das medidas de isolamento.

Além disso, em termos de ICMS o segmento está entre os 10 maiores do Estado. Concessionarias não deve voltar antes de julho. O setor já admite ir a Justiça para voltar.

Na apresentação desta segunda-feira, os três secretários tentaram mostrar que a informação de abrir algumas atividades nas próximas duas semanas não pode ser confundida com um “libera geral” como está claro nos bairros periféricos e nas cidades de maior incidência dos casos.

Mas é bom lembrar a base disso tudo é uma semana de redução do número de solicitações para taxas de solicitação de UTI+ enfermaria por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), UTI e enfermaria.

O governo diz que Pernambuco reduziu para menos de 1 o chamado número de Reprodução Efetiva que indica quantas pessoas são contaminadas a partir de um indivíduos infectado.

Mas não se pode esquecer que assim como nos demais estados o percentual de testagem é muito baixo.

LEIA MAIS TEXTOS DA COLUNA JC NEGÓCIOS

O jornalismo profissional precisa do seu suporte.

Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Comentários

Últimas notícias