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Eduardo Pazzuello afunda credibilidade pessoal e do Ministério da Saúde ao tratar da covid-19 no Congresso

Ministro virou "meme" por força de um ato falho num depoimento numa comissão de deputados que estão, há 100 dias, apenas cuidando desse assunto.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 10/06/2020 às 12:40
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JOSE DIAS/PR
O ministro interino da Saúde, não conseguiu informar aos congresso as ações da sua pasta ao Congresso e virou um mame na internet - FOTO: JOSE DIAS/PR
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Fernando Castilho da Coluna JC Negócios

Oficial de Intendência, a arma que cuida de suporte, suprimento e logística para a Infantaria e a Cavalaria, o general Eduardo Pazzuello tem, naturalmente, dificuldades nas missões que exigem o primeiro combate. Daí porque a sua gestão na frente do Ministério da Saúde tem enormes desafios, inclusive pessoais. Ele não foi treinando para isso.

Poderia até ser um bom gestor se cuidasse, especificamente, de fazer os quatro aviões KC 390, da Embraer, que estão entregando os suprimentos. Se cuidasse, junto ao ministério das Relações Exteriores, de buscar os suprimentos adquiridos na China. E se, efetivamente, lhe fosse dada a missão de entregar material e gente nos lugares onde o sistema entrou em colapso por força da covid-19.

Mas ter que definir, gerenciar e montar uma estratégia nacional de combate para cuidar do caos em que o sistema de saúde está hoje no Brasil é exigir dele um pouco demais. Até porque ao ser levado para o MS não lhe foi dito que comandaria a pasta. Foi para dar apoio na oferta de suprimentos aos estados que seria comandando por um especialista.

O ministro virou “meme” por força de um ato falho num depoimento numa comissão de deputados que estão, há 100 dias, apenas cuidando desse assunto. Com muito mais informações internacionais que ele tem sobre o tema e que, certamente, o assustou quando teve que comparecer e falar com os congressistas.

Foi a primeira vez que o general precisou comparecer ao Congresso na condição chefe de uma pasta como a da Saúde.

O ministro esteve na Operação Acolhida, que cuidou de refugiados da Venezuela em Roraima, e misturou as geografias. De fato, Boa Vista, em Roraima, onde esteve servindo ate recentemente está geograficamente no Hemisfério Norte. Assim como Macapá, capital Amapá que está, exatamente, na linha do Equador que divide os dois hemisférios.

Mas daí formular o entendimento e fazer a afirmação de que o inverno no Norte e Nordeste está ligado ao inverno do hemisfério Norte é um erro primário numa questão de geografia. E no tribunal em tempo real da Internet ele foi condenado em poucos minutos.

O problema é que mesmo abstraindo esse equívoco, o resto da informação é errada. Não podemos separar “o Brasil em Norte e Nordeste, que é a Região que está mais ligada ao inverno do hemisfério Norte. em termos de inverno”.

Assim como não pode separar o Centro-Sul, Sudeste, Centro-Oeste afirmando que “estão mais ligados ao inverno do hemisfério Sul”. Está errado.

Mesmo do ponto de vista da divisão clássica que no Norte e Nordeste chove mais até junho e no Sul chove mais a partir de julho há enorme equívoco em relação à covid-19.

O ministro Pazzuello, certamente, queria dizer que a doença se espalhou porque no Norte e Nordeste estávamos no período chuvoso que ela se espalhou menos do sudeste porque era o período seco. Isso também é um equívoco colossal. A covid-19 não é um vírus de país frio ou quente. Independe porque se espalha pelo contato direto de pessoa a pessoa.

O ministro está equivocado quando avalia essa propagação porque parte da ideia de que o Nordeste e o Norte tiveram maior propagação porque estava mais seco com começo do ano. Não é assim que o vírus atua. Não.

A covid-19 tem padrões diferentes que a ciência ainda não conseguiu entender. Mas já se sabe que a proximidade dos lares do Norte e Nordeste, por exemplo, é um fator de forte expansão. São as condições sanitárias que potencializam a doença em ambientes pequenos e como muita gente morando. E não o fato do paciente está no Norte Nordeste ou Sudeste.

Juntou gente, existe perigo de contaminação em Macapá, em Fortaleza, em São Paulo ou em Caruaru. É a proximidade em casa, no trabalho e nas ruas.

E, aqui para nós, ninguém está interessado na avaliação geográfica do ministro, mas no que o ministério está fazendo. As interpretações do ministro só têm validade se for para provar as ações. O resto é dispensável.

Mas a fala do ministro vem dentro de um problema mais sério.

A sua decisão de dar ouvidos ao empresário Luciano Hang e o deputado Osmar Terra. Isso é importante porque os dois desinformam e politizaram o vírus. E o mais perigoso: fizeram isso para agradar o discurso equivocado do presidente Jair Bolsonaro.

Não têm nenhuma credibilidade. Nem mesmo nas área e setores em que atuam. Não lideram correntes de pensamento. Então, quando um general se apoia neles para querer apresentar versões isso vira um problema. E o mais grave e que constrange os seus colegas de arma, de farda e ao país. Especialmente no cenário internacional.

 

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