Coluna JC Negócios

Brasil tem desemprego estrutural onde número de sem trabalho formal já supera os quem têm carteira assinada

No final de 2013, o Brasil tinha 6,3 milhões de pessoas. Este ano de março a maio o número saltou para 12,7 milhões.

Fernando Castilho Fernando Castilho
Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 01/07/2020 às 21:10
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MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
A crise do trabalho é preocupante quando se considera que dos 85,9 milhões de pessoas formalmente contratadas - FOTO: MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
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Por Fernando Castilho da Coluna JC Negócios

Num país de 210 milhões de habitantes onde, da população em idade de trabalhar (173,6 milhões), 87,7 milhões estão na condição de “fora da força de trabalho” (75 milhões) ou “desocupada” (12,7 milhões) na classificação do IBGE significa que o bicho pegou.

Porque pela primeira vez na história recente de nossa economia existem mais pessoas sem uma renda segura do que as com carteira assinada e consequentemente protegidas pelos sistema formal de emprego. Significa um desequilíbrio estrutural no mercado de trabalho.

Especialmente quando se considera que dos 85,9 milhões de pessoas formalmente contratadas, os empregados no setor público somam 12,3 milhões de pessoas se incluindo nesse segmento os servidores estatutários e militares. Significa que o setor privado só consegue gerar 73,6 milhões de postos de trabalho.

Segundo a pesquisa de PNAD de maio do IBGE, o número de pessoas ocupadas e desocupadas, a chamada força de trabalho, é estimada em 98,6 milhões de pessoas.

Mas existe um dado paralelo que preocupa ainda mais: O número de empregadores (4,0 milhões de pessoas) recuou 8,5% (-377 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 8,8% em relação ao mesmo trimestre de 2019 (-388 mil). Em um ano Brasil perdeu 765 mil empregadores. Ou seja, gente que pode dar emprego a gente.

Esse dado de 2020 tem a ver com as perspectivas da economia brasileira em termos de manutenção dos índices negativos de empregos devido a covid 19. Com as dificuldades das micro e pequenas empresas há uma tendência de que mais empresas fechem diminua o número de empregadores e, consequentemente, aumente o número de desempregados.

A questão emprego está ligada ao perfil do empregador que gera emprego barato e rápido. Segundo o Sebrae 99% das empresas são classificadas como pequenas e micro empresas. Elas geram 7,3 milhões dos empregos das mulheres com carteira assinada.

Em dez anos, média salarial dos trabalhadores dos pequenos negócios subiu 25% acima da inflação. Outra coisa 27% do PIB do Brasil é formado em micro e pequenas empresas.

O problema é que o número de pessoas desocupadas está crescendo mês a mês. No final de 2013 (Outubro a Dezembro), o Brasil tinha 6,3 milhões de pessoas com 14 anos ou mais desempregadas. Este não de março a maio o número saltou para 12,7 milhões.

Também caiu o número de trabalhadores por conta própria (8,4%) um universos de 22,4 milhões de pessoas. Mas a Auxílio Emergencial pago para as pessoas por estarem afastadas do trabalho não está incluído no rendimento de trabalho da PNAD Contínua.

 

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