Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho
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Por Fernando Castilho
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Enquanto Marinho reduz juros da casa própria, Guedes quer cortar remédio de graça e despesa médicas no IR

O que Rogério Marinho está fazendo não custa caro mas está dentro do orçamento. Na verdade, está pegando o que já tem dentro do Orçamento Geral da União.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 25/08/2020 às 23:00
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MARCOS CORRÊA/DIVULGAÇÃO
2022 Bolsonaro aperta a mão de Marinho no lançamento do programa que subsitui o Minha Casa Minha Vida - FOTO: MARCOS CORRÊA/DIVULGAÇÃO
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Por Fernando Castilho da Coluna JC Negócios 

Político profissional, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho está, literalmente, dando um nó no ministro da Economia, Paulo Guedes que demonstra que não é do ramo.

Rogério Marinho, como se sabe, com aquela cara de amigão, boa gente e fala mansa, foi o cara que costurou a aprovação da reforma da Previdência, que Paulo Guedes por várias vezes tumultuou. No Congresso, todo mundo sabe que não fosse a atuação de Marinho a reforma não saia.

Marinho percebeu, ano passado, que Paulo Guedes não tinha nada pronto para depois da reforma da Previdência. Ele viu que tinha um espaço para crescer no governo sem precisar de muito dinheiro apenas reempacotando programas que já estão em andamento colocando uma marca de Bolsonaro. E como em terra de cego quem tem um olho é rei, virou o preferido do presidente.

O curioso é que se a gente olha bem, o que Rogério Marinho está fazendo não custa muito dentro do orçamento. Na verdade, está pegando o que já tem dentro do orçamento. Transposição, Casa Verde Amarela e crédito para empresas via FNE e FNA já estão no orçamento ou aprovadas pelo conselho do FGTS.

O problema é que Paulo Guedes, pressionado por Bolsonaro, para um programa melhorado do Bolsa Família começou a falar de cortar a Farmácia Popular, o Abono Salarial e as deduções de despesas médicas no Imposto de Renda da Pessoa Física.

E aí ele se complicou de vez quando ofereceu como solução para arrumar o dinheiro para pagar R$ 300 a cada beneficiário do Renda Brasil.

O caso do Farmácia Popular é o mais impactante. o “Aqui Tem Farmácia Popular” alcança a marca de 38 milhões de brasileiros beneficiados, o equivalente a cerca de 20% da população do país.

O programa custa R$ 2,6 bilhões e entrega medicamento para hipertensão, diabetes, dislipidemia, asma, rinite, doença de Parkinson, osteoporose, glaucoma, além de anticoncepcionais e fraldas geriátricas. Imagina acabar um programa desses?

O ministro quer acabar ainda com as deduções do Imposto de Renda. Bom, incluir no debate o fim das deduções que os contribuinte pessoa física podem fazer na declaração anual de ajuste que permite abater a despesa sem limite é complicado. Na ponta quer dizer que os brasileiros vão pagar ao menos R$ 15 bilhões a mais ao Fisco.

Isso quer dizer que a classe média que abate essa despesa perderia a dedução do que pagou por serviços médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, hospitais, e com exames laboratoriais e serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Imagina a reação?

O programa gerido pela Receita Federal não é barato. Representa 1,07% da arrecadação total e 9,36% da Pessoa Física. Está no bolo de um pacote de deduções de R$ 52,4 bilhões e 3,60% da arrecadação total.

Mas essa dedução pega, por exemplo, os planos de saúde corporativos e ajuda ao trabalhador cujo plano de saúde que é pago em grande parte pela empresa.

Então, na prática, enquanto Rogério Marinho leva notícia boa Paulo Guedes está levando problemas. E isso está deixando o presidente irritado com seu posto Ipiranga.

Nesta terça-feira Rogério Marinho foi a estrela do programa casa Verde Amarela. E onde está o foco do programa: No Norte e Nordeste. Exatamente onde Bolsonaro tem visto crescer sua popularidade.

Semana passada Rogério Marinho levou Bolsonaro para Rio Grande do Norte onde ele entregou poços d’água, acesso gratuito à internet e títulos de terrenos.

Na solenidade o presidente disse: “não vamos inventar nenhuma grande obra para marcar o nosso governo, vamos concluir as obras deixadas por outros governos. Rogério Marinho estava junto. Paulo Guedes em Brasília.

O problema é que Paulo Guedes não tem soluções criativa para arranjar o dinheiro do Renda Brasil. Não está conseguindo encontrar R$ 30 bilhões dentro de uma orçamento de R$ 1,5 trilhão. Até agora, o que entregou como solução não agradou ao presidente.

Também não está sabendo gerenciar a crise externamente e passou a informação pública de que está incomodado.

É um caso raro onde um ministro que tem um orçamento mínimo passa a ser mais importante que o principal ministro do Governo.

E quando isso acontece é um sinal de que o ministro deixou de ser mais importante que o ministro do orçamento mínimo.

 

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