Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho
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Por Fernando Castilho
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Jogador de videogames, Bolsonaro "legislou em causa própria" ao reduzir imposto sobre os consoles

O presidente, como se sabe, é um habitual jogador, e seu filho mais novo Renan (04) é praticante dos jogos do estilo Battle Royale.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 27/10/2020 às 11:50
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O PUBG (PlayerUnknown’s Battlegrounds) é um game que que deu início a toda uma era moderna de jogos de sobrevivência. - FOTO: Foto: reprodução do Instagram
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Por Fernando Castilho da Coluna JC Negócios

Acredite, o presidente Jair Bolsonaro não assinou decreto para a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre consoles de videogames, acessórios e jogos apenas para agradar o segmento. De certa forma, quando for comprar um console, como cidadão, ele também será um dos beneficiados. 

O presidente, como se sabe, é um habitual jogador. Seus filhos, especialmente o mais novo Renan (04), são praticantes dos jogos do estilo Battle Royale. O PUBG (PlayerUnknown’s Battlegrounds) é um game que deu início a toda uma era moderna de jogos de sobrevivência. O presidente, inclusive, já pôs fotos nas suas redes sociais praticando PUBG.

O game está disponível para PC (Windows), Xbox One, PS4, iOS (Apple) e Android, os dois últimos na versão mobile de PUBG, portanto, os que foram atingidos pela redução dos impostos do decreto publicado na edição desta terça-feira (27) do Diário Oficial da União (DOU).

O anúncio de Bolsonaro ocorre pouco tempo antes da temporada de vendas de fim de ano do varejo, que inclui a BlackFriday no fim de novembro e o Natal; e, após meses de forte crescimento da indústria de jogos eletrônicos, fomentada pelas medidas de quarentena contra o Covid-19.

Na verdade, não fosse a pandemia da covid-19, esse decreto deveria ter sido assinado durante a BGS 2020, a maior feira de games da América Latina. O evento que aconteceria nos dias 8 a 12 de outubro de 2020 retornará em sua 13ª edição nos mesmos dias, mas em 2021. Na prática, o presidente está cumprindo uma velha promessa aos gamers.

Gastando mais de 9 horas por mês na média, os gamers brasileiros já somam 73 milhões de usuários só no mobile. O Brasil é o 4° país no mundo com mais usuários de aplicativos de games, atrás apenas de Índia.

Mais de 2,1 milhões de pessoas já passaram pela BGS. Na última edição, visitantes fizeram parte da maior edição da história, que contou com cerca de 400 estandes, convidados internacionais aclamados mundialmente, campeonatos de eSports, áreas temáticas, centenas de lançamentos e muito mais.

No Brasil, o mercado de games movimentou US$ 1,5 bilhão no ano passado, cerca de R$ 5,6 bilhões, segundo dados da consultoria Newzoo. Desse total, aproximadamente 83% compraram algum item virtual nos jogos nos seis meses anteriores ao levantamento.

A pesquisa da empresa mostrou que existem aproximadamente 75,7 milhões de jogadores (ou "players") no País. O governo diz que a medida incentivará o desenvolvimento do segmento no País, e que benefício entra em vigor imediatamente.

O impacto previsto na arrecadação será de R$ 2,7 milhões por mês este ano. O impacto anual para 2021 deverá ser de R$ 36 milhões e para o exercício de 2022, R$ 39 milhões, informou o Ministério da Economia.

Segundo o 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais (IBJD), o número de desenvolvedoras de jogos cresceu 164% de 2014 (quando foi feito o primeiro censo) até 2018, saindo de 142 para 375. Essas companhias empregavam 2,7 mil pessoas, uma alta de 144% em relação a 2014.

Mas o mercado de games no Brasil já não é um domínio masculino. De acordo com uma pesquisa feita pela Comscore, as mulheres já representam 49% do público, além de serem a maioria em jogos online.

O País ainda é o único da América Latina que figura entre os cinco primeiros no ranking global de gamers, e em termos de média mensal de horas gastas por usuário, já passou a China e a Índia. A pesquisa coletou dados até março passado, ou seja, é um retrato do mercado de jogos eletrônicos no Brasil logo antes da pandemia da Covid-19.

Para o Diretor geral da Comscore no Brasil, Eduardo Carneiro, o fato de as pessoas estarem em isolamento social nos últimos meses deve acelerar um processo de crescimento do mercado que já vinha acontecendo.

O mercado de games no Brasil deve crescer em torno de 5,3% até 2022, conforme resultado apresentado pela 19ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia, da PwC. No ano passado, o faturamento do setor no país atingiu 1,5 bilhão de dólares, mantendo a posição de líder latino-americano e 13º na classificação global.

É um mercado em crescimento. Apenas com jogos de celulares, segundo a PwC, o faturamento subirá de 324 milhões de dólares, em 2017, para 878 milhões de dólares em 2022. O faturamento estimado do mercado nacional de jogos digitais chegará a US$ 1,756 bilhão.

O levantamento analisou 15 segmentos do setor em 53 países e indicou que a receita global deve chegar a 2,4 trilhões de dólares em 2022 contra 1,9 trilhão de dólares registrados em 2017.

De acordo com a PwC, os segmentos de publicidade digital e games são os que mais crescerão até 2022 – a expansão média anual prevista é de 12% e 15%, respectivamente.

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