Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Política monetária

Autonomia do Banco Central: Evita que o presidente do clube passe por cima do técnico na escalação do time

Projeto de autonomia do Banco Central, aprovado no Senado, foi bem recebido pelo mercado porque deve contribuir para reduzir a volatilidade macroeconômica no Brasil

Leonardo Spinelli
Leonardo Spinelli
Publicado em 04/11/2020 às 20:02
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Marcello Casal JrAgência Brasil
Com o presidente do BC cumprindo um mandato que não coincide com o mandato presidencial, a leitura é de que ficará mais fácil manter a estabilidade da moeda - FOTO: Marcello Casal JrAgência Brasil
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Por Leonardo Spinelli, para a coluna JC Negócios


O projeto de autonomia do Banco Central, aprovado no Senado, foi bem recebido pelo mercado porque deve contribuir para reduzir a volatilidade macroeconômica no Brasil.

Foram 56 votos a favor contra 12, para uma matéria que sempre despertou paixões acirradas no Brasil e ajudou a difamar a então candidata Marina Silva, em 2014, por defender a autonomia em seu plano de governo. Uma maior interferência política nos juros após o pleito pipocou a inflação no governo Dilma e ajudou, ironicamente, no seu impeachment.

Com o presidente do BC cumprindo um mandato que não coincide com o mandato presidencial, a leitura é de que ficará mais fácil manter a estabilidade da moeda, ou seja, o controle inflacionário. Na prática há uma melhor distribuição de poder.Perde o príncipe de plantão, que deixa de ter concentrado o poder político e também o poder sobre a moeda. Com isso, o Brasil se iguala, ainda que com décadas de atraso, às maiores economias do mundo. Um passo importante para melhoria do ambiente interno e de atração de investidores.

O texto da autonomia do BC deverá ser votado apenas em 2021 na Câmara. O que saiu do Senado dá um mandato duplo, além da inflação, o BC também vai perseguir taxas de pleno emprego.

“É uma notícia boa. Eu acho que o BC tem que ter de ter mandato. Tem que bloquear a política monetária de interferência política e o presidente do BC tem que ser sabatinado no Senado”, avalia o economista Jorge Jatobá.

“A política monetária tem que ser blindada e na maior parte dos países desenvolvidos tem isso. Independente de ser governo Bolsonaro, a medida em si é importante”, avaliou.

Jatobá acha difícil Jair Bolsonaro interferir no projeto, que na prática tira do presidente o poder sobre a moeda brasileira. “Isso é o plano de Paulo Guedes”, diz o economista. “É uma medida de Estado, não é de governo.”

Para Jatobá, o tema sempre despertou polêmica no Brasil porque pouca gente entende e sempre foi divulgada a história de que dar autonomia ao Banco Central era deixar a “raposa tomando conta do galinheiro”. “Esse foi um assunto politizado com informações falsas e desvirtuamento. É uma medida bem-vinda, mas que chegou tarde”, avalia.

"É uma notícia positiva do ponto de vista estrutural, de melhora no ambiente, mas pouco faz preço no dia a dia", disse o estrategista de Mercados da Harrison Investimentos, Renan Sujii em entrevista à Agência Estado.

“A independência do BC dá certa tranquilidade”, diz o sócio da Multinvest Capital, Osvaldo Moraes, pois evita que o presidente demita o dirigente do BC caso não goste de um aumento da taxa de juros, por exemplo.

“É como técnico de um time. Se o presidente do clube começa a escalar , atrapalha”, compara, admitindo, porém que nos últimos anos o Banco Central sempre funcionou independente. “Dilma bagunçou no final, mas vinha sempre independente. É mais uma questão de formalidade e de fundamento para o investidor estrangeiro se sentir seguro em investir no País. É positivo”, disse.

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