Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Coluna JC Negócios

Na guerra de comunicação das vacinas da covid-19 quem já perdeu foi o paciente

A indefinição do Governo brasileiro sobre um cronograma de início de vacinação virou um problema econômico para os países que atrasarem suas campanhas de vacinação,

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 08/12/2020 às 11:00
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Supremo Tribunal Federal (STF) analisa medida que questiona se o estado tem ou não poderes para obrigar o cidadão a tomar a vacina contra a Covid-19 - FOTO: WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
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Por Fernando Castilho da Coluna JC Negócios do Jornal do Commercio


Apesar do otimismo com o início das vacinações na Rússia e na Inglaterra, os brasileiros não devem ter esperanças de que isso possa acontecer no Brasil aos menos nos próximos 100 dias.

E se tomarmos por base a média desta segunda-feira, teremos contado no dia 18 de março de 2021, mais 58.800 mil mortes e 2.624.300 infectados, atingindo a marca de 235.762 mortes em 9.227.242 casos de infectados.

Detalhe. A Inglaterra começou, na manhã desta terça-feira, a vacinar sua população de idosos usando uma vacina desenvolvida nos Estados Unidos pela Pfaizer coma Bontech.

O Governo de Bóris Johnson não esperou pela conclusão da fase 3 da vacina produzida pela britânica AstraZênica com o a Universidade de Oxford.

A previsão trágica para o Brasil é possível diante das afirmações das autoridades do governo dando conta de que só começaremos a vacinação em março e, pelo que afirma o ministro da Saúde Eduardo Pazuello com base do que nos poderá entregar a AstraZeneca único laboratório de que Brasil aceitar comprar o imunizante.

Naturalmente, a questão da compra do governo de São Paulo da vacina Coronavac, desenvolvida pela biotech chinesa Sinovac e que será produzida pelo Instituto Butantã, vai parar no STF onde as chances de a União perder são próximas de 100%. Independentemente dos que o governador João Dória poderá capitalizar politicamente.

O que assusta nesse processo é a falta de atitude do Governo Bolsonaro em organizar uma estratégia não só de vacinação, mas de compra.

Por exemplo, o governo brasileiro não definiu nada alemã do protocolo de compra da vacina da AstraZênica e de um participação num consórcio internacional que se dispõe a comprar a vacina de que tiver oferta.

Isso limita a ação da União a um fornecedor e mais ainda quando não inclui a vacina da Sinovac. O governo federal ficará uma situação constrangedora, por exemplo, se a Sinovac concluir todos os protocolos. Será difícil a Anvisa não aprovar o uso dela imediatamente.

Além disso, existe o fato de que a AstraZeneca fechou um acordo com a farmacêutica chinesa Shenzhen Kangtai Biological Products para que esta possa produzir sua vacina experimental contra a covid-19, para uso no país, caso aprovada pelas autoridades reguladoras locais.

Aliás, depois de visitarem os laboratórios da Sinovac, na semana passada, os técnicos da Anvisa estão - esta semana - na planta da Shenzhen Kangtai Biological Products. Porque essa parceria amplia o acesso da China a possíveis opções de vacina.

Mas essa é uma questão secundária para um presidente que pressiona sua equipe para não aprovar as licenças da Sinovac até que a vacina da AstraZeneca esteja pronta. É uma disputa absurda.

Na verdade, o Governo fez uma aposta acreditando que a vacina da Oxford estaria pronta antes da Sinovac de modo a sair na frente. Perdeu a Universidade de Oxdford precisou reavaliar o grupo de teste e perdeu várias semanas.

Por isso, os brasileiros não devem ter ilusões. O governo Bolsonaro vai atrasar início da vacinação. Primeiro, porque não se preparou para aplicar a vacina a partir do momento em que ela estiver disponível. Depois porque não definiu uma política de compras do imunizante quando ele estivesse pronto. Finalmente porque politizou a questão com São Paulo.

Isso sem contar que a menos que atue para vetar a vacinação programada por São Paulo Bolsonaro perder a guerra de comunicação pelo simples fato de não ter uma vacina. Dória tem e pronto.

Bolsonaro erra quando fez disso uma questão de honra quando nunca deu uma palavra de solidariedade pelas atuais 176.962, não mudará de atitude diante de mais 58.800 mortes até março.

O problema é que essa indefinição do Governo brasileiro sobre um cronograma de início de vacinação virou um problema econômico pela separação que, na prática, ela coloca entre os países na medida em que os que iniciaram a vacinação tendem a restringir o acesso de cidadãos às suas fronteiras.

A partir de agora, essa movimentação tende a aumentar pressão pelo encurtamento de cronogramas. Na verdade, a oferta de um pacote de vacinas fará os países trabalharem com o encurtamento de prezo para o primeiro semestre de 2021.

 

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