Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho
JC Negócios
Por Fernando Castilho
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Coluna JC Negócios

De onde vem a ave que o brasileiro comeu no Natal?

Dezenas de empresas brigam por um mercado natalino tradicional no Brasil

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 25/12/2020 às 19:30
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DAY SANTOS/JC IMAGEM
O Chester como o Specialle e o NatoFest, produzidos em Pernambuco, são um dos clássicos para essa época do ano - FOTO: DAY SANTOS/JC IMAGEM
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Chester, Specialle, NatoFest. Quem já não comeu no Natal uma dessas aves em lugar do peru? Primeiro porque é mais barato. Depois porque, de fato, a carne é bem mais macia. Finalmente, por ser menor, pode ser ideal para famílias menores. Mais ainda nesses tempos de covid-19, qaundo não se deve reunir muita gente.

Mas o que pouca gente sabe é que essa é a face externa de uma briga de dezenas de empresas por um mercado natalino onde a tradição no Brasil manda que as famílias se reúnam ao redor da mesa.

Entretanto, no ano em que o Chester faz 40 anos, o mercado de aves natalinas anda preocupado com o que vai acontecer até este domingo (27) nas gondolas dos supermercados. Porque nesse ano de pandemia as famílias estão sendo recomendadas a se reunir em pequenos grupos, o que demanda menos comida e, consequentemente, a procura por aves menores para a mesa.

"Natal é uma festa de família ao redor de uma mesa e, este ano, estamos colocando 1 mil toneladas de nossa ave natalina, o Specialle, no mercado Nordeste", informa Marcondes Faria Filho, diretor da Mauricéa, empresa pernambucana que disputa o mercado com a gigante BRF, dona da marca Chester.

O mercado de aves natalinas começou a ser ocupado em 1980, quando a Perdigão comprou uma linhagem da gigante Cobb-Vantress. Em 2005, a empresa americana desenvolveu a linha Chester para a empresa como raça de uso exclusivo.

A Mauricéa também usa uma linhagem da Cobb-Vantress para seu Specialle, assim como outras do Nordeste. E Marcondes Filho está preocupado se o cliente vai manter a tradição pela ave que se tornou símbolo do Natal brasileiro.

Mas o que diferencia o Chester, Specialle, NatoFest de um frango comum? Porque ele tem um peito grande com muito mais carne que um frango que se compra o ano todo?

Na verdade, tanto Chestar, Specialle ou NatoFest são variedades de frango industrial que exige engorda com ração especial por 60 dias (contra 42 do frango comum), quando adquire um peso acima de três quilos.

Ele começa a ser produzido seis meses antes do Natal, tempo que faz a diferença de maciez da carne comparada ao peru, criado por 15 meses e por isso tem carne mais dura. O Peru vem perdendo espaço no mercado pelo tamanho e densidade de sua carne.

Na prática, o preço está no centro da disputa. Primeiro porque o frango come ração por menos tempo. Depois porque o peru, que precisa ser alimentado por muito mais tempo, naturalmente, custa mais pelo investimento que o granjeiro faz. Mas a verdade é que o peru está perdendo mercado no Brasil.

Isso faz a produção de aves natalinas tenha se transformado numa briga de gigantes do setor de desenvolvimento genético.

São três empresas: Cobb-Vantress, da Tyson Foods, a casa mais antiga (1916) de desenvolvimento genético do mundo. A outra é a Ross do grupo Aviagen, ligada ao alemão EW Group, que atua também em saúde animal e humana, além da indústria de alimentos, sendo líder mundial em genética de frangos. E, finalmente, a Hubbarda, do francês Grimaud, que atua em suínos e indústria biofarmacêutica de saúde animal e humana.

São essas empresas que fornecem as matrizes que põem os ovos que são chocados pelas indústrias que geram as aves para serem alimentadas nas granjas por dois meses.

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