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Onde o bilionário brasileiro Carlos Wizard vai comprar 10 milhões de vacinas para a covid-19?

Empresário diz que conversa com laboratórios de Ásia, Europa e Estados Unidos; e prevê gastar cercar de R$ 500 milhões com essas aquisições

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Fernando Castilho

Publicado em 09/04/2021 às 13:45 | Atualizado em 09/04/2021 às 14:12
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Empresário de sucesso, embora não frequente as altas rodas da elite da indústria e mercado financeiro de São Paulo, que o olha com cuidado, o bilionário Carlos Wizard anunciou que já começou a conversar e a prospectar a compra de pelo menos 10 milhões de doses de vacina contra a covid-19 com laboratórios da Ásia, Europa e Estados Unidos, prevendo gastar cercar de R$ 500 milhões com essas aquisições. 

A notícia surpreendeu empresários e pesquisadores que indagam onde o bilionário brasileiro vai conseguir encontrar um fabricante com certificação internacional disposto a lhe vender vacinas.

O texto aprovado na Câmara esta semana prevê que os laboratórios que já têm contratos com o governo só podem fornecer vacinas para a iniciativa privada “após a entrega já pactuada” com o SUS.

Wizard é conhecido como um empreendedor de sucesso, um “self-made man” que conquistou sua própria fortuna (ele criou a rede de línguas Wizard, e a vendeu em 2013 para o grupo britânico Pearson, por quase R$ 2 bilhões). Mas, segundo a revista Forbes, ele não está na lista do 30 maiores bilionários brasileiros.

A proposta de compra de vacinas pelo setor privado entrou no debate depois que o próprio presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, defendeu a ideia e até apresentou um projeto. Wizard tentou junto com o empresário Luciano Hang, dono da Rede Havan e integrante da lista dos 10 bilionários brasileiros, retirar da proposta a obrigatoriedade de doação ao SUS.

O que intriga a comunidade cientifica e ate empresários que trabalham em ações de ajuda ao governo relativas à compra de imunizantes é em qual país e de qual empresa ele conseguiria comprar.

Das quatro maiores produtoras mundiais. Pfizer, Janssen, AstraZeneca e Sinovac (parceira da Instituto Butantã) já se sabe que não conseguirá, porque as empresas já informaram que só vendem para governos.

Existem três países onde Wizard poderia tentar: A Rússia, que além da Sputnik V tem outra duas vacinas, a Índia, que também tem outra vacina além da Covaxin (mas sem aprovação no Brasil por não ter comprovados segurança nos processos de produção), e a própria China ,que além da CoronVac anunciou que tem outras duas vacinas.

Isso deixa pouca margem para que Wizard encontre um país que se disponha a vender vacinas ao Brasil, já que não haveria como, por exemplo, comprar vacinas nos Estados Unidos.

O que chama a atenção de sua articulação é que internacionalmente não existe notícia de que uma empresa tenha comprado vacinas. A Emirates que pertence ao emir, Ahmed bin Saeed Al-Maktoum, fez um programa de vacinação direta sob autorização do governo. Fora da Emirates não existe nenhuma empresa no mundo que tenha comprado.

Wizard diz que vem recebendo ofertas de vários fabricantes e que neste momento discute preços - já que não admite comprar vacinas com preços acima da média de US$ 10 que os países estão pagando.

Carlos Wizard que é dono de várias empresas de alimentos que incluem Taco Bell e Mundo Verde, além de sociedade com as redes de fast-food  Frango Assado, Pizza Hut e KFC (reunidas no chamado Grupo Sforza) é um forte apoiador do presidente Bolsonaro. Ao lado de Luciano Hang, eles são, na verdade, os dois únicos bilionários que apoiam abertamente o presidente.

Wizard não faz parte de nenhuma associação de entidade de empresários que nas últimas semanas cobraram mais vacinas e também não está nos grupos de economistas que pedem mais cuidados com a ações de combate ao coronavírus.

A proposta de compra de vacinas tem críticos importantes. Nesta quarta-feira, o diretor adjunto da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, declarou ao jornal O Estado de S. Paulo que a vacinação contra a covid-19 deve ser uma política pública, liderada pelos ministérios da Saúde locais.

O fundador e primeiro presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto duvida que uma empresa ou grupo de empresas possa comprar um lote porque, segundo ele, não tem vacina para vender ao setor privado. "Vamos fazer uma pergunta: vão comprar de quem? As empresas Pfizer, Janssen, Moderna, AstraZeneca, já disseram que não vão fazer isso". E sobra a indiana Covaxin?

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