Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Coluna JC Negocios

Desafio de João Campos é tentar fazer diferente para restaurar centro do Recife

O Centro do Recife se transformou numa grande rodoviária urbana.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 11/04/2021 às 21:00
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TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
Ações voltadas para o Centro do Recife ficaram apenas no planejamento durante esses 100 primeiros dias de gestão - FOTO: TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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Se o prefeito João Campos se der ao trabalho de fazer uma pequena pesquisa no banco de dados da Prefeitura do Recife vai ver que, desde Roberto Magalhaes, todos os prefeitos falharam na missão de reorganizar o Centro do Recife.

Rigorosamente todos assumiram prometendo dar uma geral nos bairros do Recife, Santo Antônio, São José e mais os outros sete sem ter obtido sucesso.

Não era, de fato, uma tarefa fácil. Desde que o espaço foi transformado numa "rodoviária urbana” a chance de qualquer gestor redefinir o que fazer com a região ficou mais difícil.

Depois, porque o crescimento natural do comercio de bairro, a consolidação do varejo moderno com o shopping center, fez o centro perder fluxo e mercado no varejo e no atacado que migrou para outras áreas da cidade.

Mas isso não quer dizer que a prefeitura não pudesse fazer nada. E os prefeitos ficaram na frase de um deles, Joaquim Francisco, “olhando a Massaranduba do tempo”, enquanto o Recife foi se deteriorando.

Os gestores não decidiriam enfrentar o problema porque a cidade tinha outras demandas. Afinal, como cuidar de uma área que tem calcamento, saneamento, segurança, limpeza, iluminação e fornecimento regular de água quando as demais áreas da cidade tinha coisas mais urgentes.

Os prefeitos falharam exatamente naquilo que poderiam fazer para não deteriorar esses serviços. Na incapacidade de resenhar um destino para esse espaço que é o cartão postal da cidade.

Não se conseguiu, por exemplo, definir um esquema mínimo de estacionamento para a região, nem um programa mínimo de reocupação dos espaços existentes e políticas de comunicação e identidade para o patrimônio artístico ali existente.

O resultado está na matéria de Katarina Moraes na edição de hoje do Jornal do Commercio mostrando que o centro da capital pernambucana há muito tempo que deixou ser prioriade.

Tudo isso serve de alerta para a prefeitura João Campos para não cometer o velho equivoco de dizer que vai resolver. Não vai se não buscar uma nova abordagem dos problemas sabendo que não pode ter a pretensão de querer resolver em quatro anos o que seus antecessores não fizeram 28.

Quando o Recife, assim como o centro das demais capitais, começou a perder relevância, o prefeito do Recife não tinha nem nascido. O que não quer dizer que não possa aprender com os erros dos seus antecessores.

O prefeito pode começar com as coisas mais simples como fazer da varrição uma referência. Depois pode iniciar um programa de identidade visual para os bairros do centro com informações para o turismo e acelerar os programas de ajuda ao elevado número de moradores de rua que hoje habitam o centro.

Ele também pode retomar os programas de iluminação das pontes e dos monumentos dentro do projeto Ilumina Recife.

Também pode começar um debate com a Câmara Municipal sobre a adoção de IPTU Zero para quem se disponha a fazer restauro e retrofit com ajuda das equipes da PCR.

E o mais importante. Discutir com o Consorcio Grande Recife a redução do número de ônibus que cruzam o centro do Recife inclusive reduzindo o número de linhas que acessam o bairro de Santo Antônio. E tentar devolver o centro aos veículos pequenos, ainda que limitado

Poderia, se quiser ser mais ousado lançar um “Programa de ISS Zero” para as empresas que desejem se instalar na região a partir de restauração das fachadas e interiores. E de reversão da receita existente dos demais para ações no centro.

Finalmente, analisar um programa que permita a transformação de parte dos edifícios em pequenos estacionamentos privados com isenção de ISS de modo a estimular a reocupação da região. Um projeto já feito por algumas cidades que conseguiram resolver a questão do estacionamento.

E claro, negociar com os poderes Executivo e Judiciário uma redução ou eliminação dos estacionamentos que eles transformaram o centro numa típica ocupação irregular das melhores áreas da cidade.

O Recife não vai virar um showroom. Mas o prefeito pode começar a mudar. E se o prefeito não seguir o velho padrão de dizer que vai resolver a questão.

Não vai. E o melhor é começar dizendo que vai tentar uma nova abordagem e começar a botar dinheiro na região.

Ah é bom começar andando a pé pela região. E sem comitiva e sem anunciar isso nas redes sociais.

 

TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
abandono do centro do Recife. - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
EZEQUIEL ARRUDA/VOZ DO LEITOR
Boca de lobo na Rua Passo da Pátria, no Centro do Recife - FOTO:EZEQUIEL ARRUDA/VOZ DO LEITOR
TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
NA RUA DO IMPERADOR Próximo da Capela Dourada, calçada vira dormitório: cena virou rotina na cidade - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
abandono do centro do Recife. - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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abandono do centro do Recife. - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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abandono do centro do Recife. - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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abandono do centro do Recife. - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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abandono do centro do Recife. - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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abandono do centro do Recife. - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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abandono do centro do Recife. - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM

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