Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Coluna JC Negócios

Conheça CAOA, ou Carlos Alberto Oliveira Andrade. O médico que se transformou num dos mais arrojados empresários do mundo dos carros

Depois de se consolidar como um dos mais arrojados empresários do setor automobilístico, uma coisa continua a chamar a atenção no empresário paraibano que se formou em medicina, exerceu a profissão no Recife e na sua Campina Grande com grande desenvoltura: o senso de oportunidade

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 27/05/2021 às 9:00
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Carlos Alberto Oliveira Andrade em entrevista no Salão do Automóvel - FOTO: Reprodução/Carro Arretado
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Carlos Alberto Oliveira Andrade, o CAOA, costuma dizer que a sua trajetória no mercado de venda de automóveis começou quase por acaso, quando ainda era médico em Campina Grande (PB) e comprou um Ford Landau, mas a empresa faliu e o carro não foi entregue. Ele soube que a empresa estava com problemas junto a Ford e acabou comprando a concessionária e entrando no ramo, Na época, o investimento foi de quatro milhões de cruzeiros.

Mas o que pouca gente sabe é que o médico que virou dono de concessionaria acabou comprando uma segunda concessionária (Fonseca Irmãos) no Recife porque a empresa também enfrentava problemas com a fábrica. A empresa virou a Concórdia Veículos e o novo negócio marcou a entrada definitiva do cirurgião no ramo que o consagrou no setor de veículos nacional e, a seguir, internacional.

Depois de se consolidar como um dos mais arrojados empresários do setor automobilístico, uma coisa continua a chamar a atenção no empresário paraibano que se formou em medicina, exerceu a profissão no Recife e na sua Campina Grande com grande desenvoltura: o senso de oportunidade. CAOA não deixa passar nenhuma sempre que ela aparece no seu caminho.

Claro que ele aposta muito em gestão. A concessionária de Campina Grande, que vendia oito carros por mês, logo saltou para 30 veículos comercializados. No fim do ano, chegou a 100. E isso aconteceu porque o "Doutor Carlos" fazia qualquer negócio. Aceitava carros usados, terreno, cabeça de gado, e se tornou conhecida a história de que para vender um outro Landau ele recebeu o pagamento em tijolos.

“Vinha gente de outras cidades do interior, de Natal e Joao Pessoa para comprar comigo”, lembra em suas entrevistas e foi isso que fez a Ford o procurar, oferecendo-lhe a principal concessionária do Recife. E foi essa capacidade que fez a montadora o levar, anos mais tarde, para atuar em São Paulo.

Isso fez a CAOA se consolidar como a maior revendedora da Ford no Brasil (em número de concessionárias de veículos vendidos). Aliás, foi essa característica que fez a mesma Ford o procurar antes de fechar suas operações para lhe vender a tradicional fabrica de São Paulo, que fazia a F-4000. E CAOA só não comprou porque não tinha a garantia que poderia fazer ao menos alguns motores da marca sob licença.

Isso foi o que fez ele começar a entrar, em 1988, no ramo de consórcios. Para quem não lembra, quando a Convef Administração de Consórcio S.A. foi criada, o Brasil vivia uma onda de consórcio de produtos como TV, videocassete VHS, conjunto de som, onde Sanyo e Sharp dominavam as vendas.

O sistema de consócios já existia, mas CAOA o levou para dentro de uma rede própria onde sua máquina de vendas de carros tinha o cliente na porta para vender consórcio como poupança. Tanto que, em 1990, ele abriu o grupo de Caminhões Ford. Não demorou para, quatro anos, depois entrar no ramo de imóveis, sempre usando a rede de concessionárias e a fidelização de marca.

Quando em 1998 o grupo virou o importador oficial Subaru, o consórcio foi junto. E dez anos depois com a parceria com a marca Hyundai, o consórcio ganhou mais um item na prateleira.

O CAOA Consórcios está chegando aos 33 anos de experiência na administração de consórcios e passou da aquisição de automóveis, utilitários, frotas, caminhões, imóveis, reforma e construção através do consórcio. E sempre atuando com parceiros comerciais e presente nas mais de 160 concessionárias CAOA.

É uma máquina de vendas muito forte. E como o CAOA atua nas marcas Hyundai, Ford, Subaru e Caoa Chery é fácil oferecer mais opções aos clientes. Isso além das 12 lojas de seminovos e da rede de 130 oficinas da CAOA Pós-venda.

Em 2007, CAOA deu o seu mais ousado passo. Virou dono de fábrica de automóveis, em Anápolis. Nasceu a CAOA Montadora de Veículos Ltda. Ele se orgulha de dizer que os modelos tem a mesma qualidade dos carros feitos na Coreia pela Hyundai. Segundo o empresário, uma de suas premissas foi a de que a fábrica contasse com os melhores equipamentos disponíveis, como os 32 robôs das áreas de pintura e bodyshop etc.

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Carlos Alberto Oliveira Andrade, o CAOA - DIVULGAÇÃO

Ele também implantou um Centro de Pesquisa e Eficiência Energética (único da América Latina que mede emissões de veículos com tração 4x4) e a constante preocupação com a preservação ambiental – como e apostou no tratamento de efluentes, permitindo que a água usada nas câmaras de pintura seja devolvida potável a natureza. Em 2015 o grupo inaugurou Centro de Pesquisa e Eficiência Energética (CPEE), em Anápolis (Goiás).

Numa entrevista a Revista EXAME em 2018, o empresário se queixou que não teve o apoio que o Governo dá às montadoras estrangeiras. “A fábrica de Anápolis foi inteiramente construída com dinheiro do meu bolso. Não recebi um empréstimo sequer do BNDES e, como empresário brasileiro, me senti totalmente desamparado”. Nós geramos mais de 25 000 empregos diretos e indiretos no país – e, mesmo diante da recente crise no mercado automobilístico, não demiti funcionários".

Ainda segundo a revista, a decisão de bancar fábrica foi mais uma ousadia. “Na época, eu vendi quase tudo que tinha e corri todo o risco sozinho. Quando contei essa história para o presidente mundial de uma montadora alemã, ele se surpreendeu e disse que, se alguém fosse fazer o mesmo na Alemanha, teria recebido enorme apoio financeiro.”

Com a imagem de marca criada para a Hyundai pela CAOA, a introdução dos modelos HB20 e, mais recentemente, do SUV Creta no mercado brasileiro foi bastante facilitada, tornando a Hyundai a quarta maior montadora desde 2016, de acordo com dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores.

Já em 2017, o Grupo CAOA planejou uma integração com à chinesa Chery. A CAOA, maior conglomerado de distribuição e fabricação de automóveis da América Latina e a Chery, maior exportadora de veículos chineses, se uniram num acordo histórico de cooperação para lançar a CAOA Chery, nova montadora 100% nacional.

A parceria com os chineses, porém, só se concretizou em março de 2018, com a compra de 50,7% das ações da filial da Chery no país, dando início às operações da Caoa Chery e passando a ser a responsável por importação, distribuição e fabricação da marca no Brasil.

Após o lançamento do Tiggo 7, a recém-lançada marca CAOA CHERY fechou seu primeiro ciclo de lançamentos comemorando o fato de ter apresentado quatro novos veículos ao mercado brasileiro em menos de um ano.

Assim, CAOA hoje possui duas fábricas próprias no Brasil, uma no Distrito Agroindustrial de Anápolis, onde são montados modelos da Hyundai e da Chery, bem como outra em Jacareí/SP, advinda da aquisição de 50,7% das operações brasileiras da fabricante chinesa Chery, em setembro de 2017, formando assim a CAOA Chery.

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Carlos Alberto Oliveira Andrade, líder do grupo que produz a linha Chery no Brasil. - FOTO:DIVULGAÇÃO
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Carlos Alberto Oliveira Andrade, o CAOA - FOTO:DIVULGAÇÃO

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