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Por Fernando Castilho
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Brasil terá primeiras mulheres generais do Exército em 2027. Conheça as histórias das candidatas ao posto

Com acesso à Escola de Comando do Estado Maior do Exército (Eceme) ela poderão em breve receber as estrela do posto de general.

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 06/06/2021 às 12:00
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Foto: Divulgação/Fábio Maciel
As major Ana Maria, Regina Lúcia e Carla estão no grupo de sete mulheres que podem chegar a general de Exercito. - FOTO: Foto: Divulgação/Fábio Maciel
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O sucessor do presidente eleito no próximo ano, portanto, que tomará posse em 2027, vai entrar para história como o primeiro a conceder a patente de general de Exército a uma mulher brasileira. Isso porque hoje, sete mulheres — três médicas e quatro engenheiras — já estão aptas a chegar ao posto de general de divisão, máximo permitido para a ascensão do quadro feminino da força militar terrestre brasileira. Hoje, elas estão cursando a Escola de Comando do Estado Maior do Exército (Eceme), de onde sairão prontas para assumir outras funções.

Segundo o Comando do Exército, existe atualmente 6,3 mil militares mulheres em suas fileiras, sendo que 1,4 mil são de carreira e 4,9 mil temporárias. Não há restrições para o ingresso delas na Força — com exceção para a área combatente.

O quadro feminino também desempenha os cargos previstos nas mesmas condições do sexo masculino e concorrem às promoções em condições de igualdade com os homens. Médicos só podem chegar a generais de divisão, penúltimo posto da carreira regular.

General de exército é exclusivo para quem cursa a Academia Militar das Agulhas Negras, onde o ingresso de mulheres ainda é proibido.

Ana Maria Jorge Teixeira, Carla Maria Clausi e Regina Lúcia Schindel estão no grupo de sete mulheres que, nos próximos cinco anos, podem se tornar as primeiras oficialas-generais da história do Exército brasileiro. A formação na escola de comando é o que as torna aptas a dirigir uma unidade da corporação e depois chegar ao topo da carreira militar.

Para chegar à graduação de general de brigada, primeiro posto do quadro de oficiais-generais, as majores ainda terão de passar por algumas etapas, como atingir as patentes de tenente-coronel e coronel, o que pode levar pouco mais de cinco anos. 

Ana Maria Jorge Teixeira não é de família com tradição militar. Ela é engenheira de fortificação do Instituto Militar de Engenharia (IME), major e há 15 anos no Exército ela decidiu unir seus conhecimentos à vontade de ajudar comunidades carentes em áreas remotas do país. É casada com um tenente-coronel da reserva e não tem filhos.

Ela diz que na sua profissão é preciso ser organizada para chegar a outros postos. Hoje, ela participa de pesquisas para emprego em fins militares e civis, como pontes móveis, como as que foram usadas para socorrer moradores durante as enchentes na região serrana do Rio de Janeiro.

A major Carla Maria Clausi é formada em medicina pela Universidade Federal do Paraná. Ela já foi secretária de Saúde em Guajará-Mirim (RO), onde o marido coronel servia há 20 anos. Seu sonho é disseminar o que aprendeu como médica da rede pública tanto no Exército quanto na área civil.

"Penso que podemos melhorar e muito o nosso atendimento se reunirmos o que há de melhor na medicina praticada aqui dentro e lá fora", observa a major Carla, que fez cursos de graduação durante dois anos na Bélgica. Ela foi a primeira colocada na Eceme.

A major Regina Lúcia Schindel, é cardiologista e é a única das três que é filha de general, o Antônio Jorge da Cruz Schindel. "A nossa carreira depende muito mais da intelectualidade do que da força física", diz a oficiala que como as outras duas também optou por não ter filhos ainda. 

"É um sacrifício por opção", diz Carla, que, ao contrário de Ana, não tem planos para ser mãe. "Acho que dá para conciliar as duas coisas, mas tem que planejar", explica Ana, ao avaliar a possibilidade de ter filhos no futuro.

Por enquanto, elas querem se dedicar à carreira militar e chegar a seu topo, posto que elas vão disputar com militares homens, um fato que não as inibem. "Você é valorizado por aquilo que produz, pelo seu conhecimento. As promoções são iguais", ressalta Carla.

Segundo resenha no site do Exército, a primeira participação de uma mulher em combate ocorreu em 1823. Maria Quitéria de Jesus lutou pela manutenção da independência do Brasil, sendo considerada a primeira mulher a assentar praça em uma Unidade Militar.

Entretanto, somente em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, as mulheres oficialmente ingressaram no Exército Brasileiro. Foram enviadas 73 enfermeiras, 67 delas enfermeiras hospitalares e 6 especialistas em transporte aéreo. Elas serviram em quatro diferentes hospitais do exército norte-americano, todas se voluntariaram para a missão e foram as primeiras mulheres a ingressar no serviço ativo das forças armadas brasileiras.

Em 1992, a Escola de Administração do Exército (Salvador - BA) matriculou a primeira turma de 49 mulheres, mediante a realização de concurso público. E, em 1996, Maria Quitéria de Jesus, a Paladina de Independência, foi reconhecida, nas fileiras do Exército, como Patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.

O Exército instituiu o Serviço Militar Feminino Voluntário para Médicas, Dentistas, Farmacêuticas, Veterinárias e Enfermeiras de nível superior (MFDV) em 1996.

Em 1997, Instituto Militar de Engenharia - IME (Rio de Janeiro - RJ), matriculou a primeira turma de 10 mulheres alunas, a serem incluídas no Quadro de Engenheiros Militares (QEM). Será dessa turma que deve sair uma das primeiras mulheres general do Exército Brasileiro.

Atualmente, as mulheres, no Exército, já alcançaram o oficialato superior, no posto de tenente-coronel. No entanto, a grande maioria continua ocupando, como praça, a graduação de sargento e, como oficial, os postos de tenente, capitão e major.

Foto: Divulgação/Fábio Maciel
Foto: Divulgação/Fábio Maciel - Foto: Divulgação/Fábio Maciel

No caso da Marinha, as mulheres começaram a ocupar os quadros a partir de 1980, quando o ingresso na Força foi regulamentado por lei.

Atualmente, a Força Naval conta com 6.981 mulheres militares. Já a Força Aérea Brasileira (FAB) criou o Corpo Feminino da Reserva da Aeronáutica (CFRA) em 1981, absorvendo, no ano seguinte, sua 1ª turma, composta por 150 mulheres de diversas formações: psicólogas, enfermeiras, analistas de sistemas, assistentes sociais, fonoaudiólogas, nutricionistas e biblioteconomistas, entre outras.

A Contra-almirante Médica Dalva Maria Carvalho Mendes, da Marinha do Brasil, foi a primeira mulher da história a ocupar um cargo de oficial-general das Forças Armadas.

As três oficiais mais antigas das Forças Armadas são a Contra-almirante Médica Dalva Maria Carvalho Mendes, da Marinha do Brasil, a Coronel Carla Beatriz Medeiros de Souza Albach, do Exército Brasileiro e a Brigadeiro Médica Carla Lyrio Martins, da Força Aérea Brasileira.

Foto: Divulgação/Fábio Maciel
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