Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Transnordestina ainda vai precisar de muita negociação para chegar a Suape

Pernambuco comemora MP que pode fazer o trem chegar a Suape, mas é preciso não esquecer que a TSLA é a dona da concessão completa

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 03/09/2021 às 10:10
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Guga Mattos/JC Imagem
A União vai fazer um aporte de R$ 1,4 bilhão na ferrovia que está em obras há 10 anos - FOTO: Guga Mattos/JC Imagem
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É perfeitamente compreensível a comemoração do governador Paulo Câmara, do empresariado e até do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, que já dá como certo um ramal da ferrovia para Petrolina. Mas é preciso ir devagar com o trem. Porque até o trem chegar a Suape, vai levar tempo.

Antes de qualquer coisa, é preciso entender que apesar do Governo Federal afirmar, como aconteceu ontem, da divulgação de uma nova legislação, não se pode esquecer que hoje quem tem a concessão da ferrovia é o Benjamin Steinbruch.

Então, quando o Governo de Pernambuco comemora que pode fazer o trem chegar a Suape, é preciso não esquecer que a TSLA é a dona da concessão completa. E é preciso saber se ela está disposta a fechar uma conta que mexe com o negócio todo. A questão é: esse distrato que Pernambuco comemora será amigável?

Mas porque essa festa do Governo de Pernambuco?

Bom, podemos explicar. Quando o ministro da Infraestrutura, Tarciso de Freitas, decidiu revelar que tinha acertado com o empresário Benjamin Steinbruch a rota da ferrovia Transnordestina fazendo a curva em Salgueiro (PE) com destino a Pecém (CE), o Governo de Pernambuco percebeu que tinha que retomar as conversas com o Grupo Oportunnity, dono da mineradora GM4 que controla a Bemisa, que explora jazidas de minério de ferro, ouro, níquel, fosfato e calcário.

O fato novo no governo Bolsonaro era que Freitas queria dar o caso por resolvido e depois de uma articulação bem feita, conseguiu reverter a coisa. Até porque o Projeto de Lei do Senado 261/18 (que trata do Marco Ferroviária) está sem perspectiva de aprovação.

A opção de Paulo Câmara foi primeiro certificar-se de que, se o Estado aprovasse uma PEC assumindo a exploração dos serviços ferroviários, a mineradora Bemisa aceitaria construir o trecho Custódia-Suape.

Paulo conversou com os diretores da Bemisa e a empresa topou, embora tenha advertido que isso demandará uma dura conversa da União com Steinbruch.

Com essa garantia, Paulo pediu a conversa com o ministro. Discretamente, a conversa teve a presença de representantes da mineradora, mas deu resultado.

O governador saiu com a promessa do ministro do anúncio da MP nº 1.065 de 30 de agosto último. A MP atualizou a legislação e viabilizou a aprovação pela Assembleia de Pernambuco de PEC estadual que permite o início do processo de retirada da ilha de Cocaia do perímetro do Porto Organizado pela União. Freitas se comprometeu a aprovar a retirada.

Ficou acertado ainda um terceiro movimento. O distrato do trecho Custódia-Suape, hoje incluído na concessão. A Bemisa - que tem a mina no Piauí - agora poderá ter a estrada de ferro com investimento de um quarto do já feito por Steinbruch.

Do ponto de vista técnico, o ramal que faz a ligação entre Curral Novo (PI) e Suape tem 717 quilômetros. O investimento previsto é de R$ 5,7 bilhões. Mas terá que passar pela ferrovia que pertence a Steinbruch, que também estava interessado.

O Grupo Bemisa, um dos maiores do País no ramo de exploração e exportação de minérios, formalizou junto ao ministério da Infraestrutura seu interesse em viabilizar a conclusão do Ramal Suape da ferrovia e instalar o terminal de minério na Ilha de Cocaia.

O novo desenho muda a lógica da concessão dada à Transnordestina Logística S.A., do Grupo CSN, que mirava apenas o trecho de Elizeu Martins (PI) até o Porto de Pecém (CE). Agora virou o jogo a favor de Pernambuco. Mas nada garante que será tranquilo.

Claro que para qualquer ferrovia, o que conta é a carga. E agora ela está indo para Pernambuco. Com o desenho, a TLSA ganha, porque o que importa é o trem na ferrovia. Mas não se pode esquecer que o outro lado tem seus interesses. Aguardemos.

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