Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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Um preço de manhã, outro de tarde, outro de noite; inflação no Brasil corre risco de se igualar aos anos 1980?

No governo Bolsonaro, o fantasma está cada vez mais presente na vida das pessoas embora a correções não estejam nem perto dos numero de 1994 antes do Real.

Fernando Castilho
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Fernando Castilho
Publicado em 28/09/2021 às 11:45 | Atualizado em 28/09/2021 às 12:18
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Maquina de etiquetar preços na década de 90 FOTO ARQUIVO AE - FOTO: ARQUIVO AE
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Quem tem menos de 30 anos e certamente nunca viu uma maquininha etiquetador de preços, uma corrida ao posto para pegar a gasolina com preço de dois dias atrás e também não viu o pai deixar o dinheiro no banco no final de semana apenas para ganhar mais um dia de rendimentos.

Mas para quem já passou dos 30 anos certamente essas são as imagens que mais marcaram os tempos da inflação e do governo SarneyNo governo Bolsonaro, o fantasma está cada vez mais presente na vida das pessoas, embora a correções não estejam nem perto dos numero de 1994 antes do Real.

Hoje esse fantasma está cada vez mais presente na vida das pessoas embora a correções não estejam nem perto dos numero de 1994 antes do Real.

É bem diferente. Mas assusta. Por exemplo, este ano a gasolina já subiu 32,% em oito aumentos em menos de nove meses. Nas regiões Norte, Sudeste e Sul do Brasil a ANP chegou a encontrar preços acima de R$ 7 por litro no mesmo período. 

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Aumento de preços no Supermercados - DIVULGAÇÃO

Os preços do frango já subiram mais de 00,0% num ano. Apenas no mês passado segundo o IPCA 15 ele subiu 4,7%. Também os rendimentos da caderneta de poupança que no mês de agosto foram de 0,0% estão distante dos índices de 1994 meses antes da implantação do Plano Real.

Esse fenômeno assusta. Porque para muito jovens inflação quer dizer subir, 1%, 20% ou até 5% num ano. Para muitos deles não faz nenhum sentido, por exemplo, o preço de um sanduíche BIG MC passar de R$ 20,90 para R$ 25,40 embora o normal seja pagar $ 10,00 por um Mc Donalds na promoção.

Mas é bom lembrar que essa tempo já existiu e que uma inflação de 10% ao ano quer dizer algo muito sério. Especialmente para quem ganha um salário mínimo de R$ 1.045,00 por mês.
Mas como era viver num mundo em que tinha mais gente cuidando de atualizar os preços dos produtos que fazendo as contas de quanto a empresa estava ganhando.

Bom para começo de conversa além de gastarem todo seu salário rapidamente, as pessoas criaram hábitos que perduram até os dias de hoje, como o de fazer compras do mês.

Outra coisa era encher o tanque de gasolina. Importante, a Internet não existia assim todas a vezes que surgia um boato isso causava filas gigantescas em diversos estabelecimentos, de mercados a postos de combustíveis.

Tem mais. Não exigia quantidade de produtos que tem hoje num supermercado. Por isso sempre havia o interesse de comprar tudo que era possível. Naturalmente causava desaparecimento rápido de alguns produtos das prateleiras. Em muitos produtos a venda era racionada. Não se podia comprar mais que cinco litros de óleo de soja, por exemplo.

FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
NAS ALTURAS Versão de narrativa que justifique os preços tem divergido entre a União e os estados - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Isso levava a um comportamento meio esquisito. Muitas famílias, principalmente as mais pobres, recebiam o salário do mês, corriam todos para os supermercados para comprar tudo que pudessem.

Havia ainda possibilidade de comprar no cartão. O Hipercard, do Bompreço era o sonho de consumo de muita gente. As pessoas compravam no melhor dia porque a fatura já permitia um ganho de até 10%.
O problema eram as promoções. As promoções arrasadoras faziam as compram coisas das quais não precisavam.

Por isso é que hoje muita gente está assustada com a falta de ação do Governo. Porque o controle da inflação foi, certamente, a maior conquista do Brasil com o Real.

Para quem é jovem está sendo a primeira vez do contado com a inflação que segundo está escrito os livros nada mais é que o aumento contínuo de preços de bens, produtos e serviços em uma determinada região durante um período.

No Brasil de hoje o problema é que está subindo rápida e muita gente não está conseguindo mais comprar alimentos.

Segundo o IBGE o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 1,14% em setembro, maior resultado para o mês desde o início do Plano Real, em 1994, quando ficou em 1,63%.

Os preços das carnes subiram 1,10% e contribuíram com 0,03 p.p. de impacto. Subiram também os preços da batata-inglesa (10,41%), café moído (7,80%), frango em pedaços (4,70%).

No acumulado deste ano até agosto, o preço da gasolina já avançou 31,09%, enquanto o do diesel acumula alta de 28,02%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Alta da gasolina pesa, e inflação oficial fica em 0,87%.

Nesta segunda-feira, a Petrobras informou que os combustíveis devem passar por um novo reajuste para cima nos próximos dias pela defasagem em comparação ao mercado internacional.

Foto: ABr
O país obteve 75% de todos os bônus de assinaturas pagos em leilões que foram realizados no mundo desde 2016 - Foto: ABr

Segundo o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, disse que a manutenção do valor do barril de petróleo tipo Brent. Esse tipo de óleo que o Brasil não extrair é usado como referência para a Petrobras. Ele chegou a US$ 70 (R$ 376,50 ) o que segundo a empresa força o aumento dos preços domésticos.

A última alteração foi anunciada em julho, com o aumento dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha nas refinarias.

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Aumentos recorrentes na energia elétrica e nos combustíveis têm prejudicado os preços de alimentos - FOTO:DIVULGAÇÃO
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NAS ALTURAS Versão de narrativa que justifique os preços tem divergido entre a União e os estados - FOTO:FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

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