Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Como o arroto e cocô de boi fizeram Brasil se comprometer na COP26 a cortar emissões de metano

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 02/11/2021 às 18:15
PIXABAY
Vacas arrotam metano - FOTO: PIXABAY
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Acredite. Um dos assuntos mais sérios e que movimentaram as discussões mais tensas na COP26 está relacionado com o que vagas e bois que pastam, tranquilamente no Norte e Centro Oeste e no Sul do Brasil do Brasil fazem depois de comer muito capim. Fazer cocô e arrotar.

É isso mesmo o arroto de boi e o destino do cocô dos chamado animais ruminantes está no centro da mais importante polemica da reunião de líderes mundiais sobre o planeta.

Esqueça aquele barulho todo sobre queimadas e destruição de florestas. Eles são importantes, mas o problema não é derrubar a floresta, mas colocar capim e boi para pastar porque os animais arrotam muito, soltam gases e fazem muito cocô. Tudo isso vira metano. E o metano é um poderoso gás-estufa, muito mais nocivo do que o CO2.

Em 2020, o Brasil emitiu 20,2 milhões de toneladas de metano, sendo 72% da agropecuária, 16% de resíduos e 9% de mudança de uso da terra. Ou seja, o Brasil emitiu sozinho 14,5 milhões de toneladas de metano na agropecuária. Deste volume, 97% vêm de fermentação entérica — o arroto do boi — e manejo de dejetos de animais, que a gente pode chamar de cocô ou esterco.

Isso explica por que o enviado especial dos Estados Unidos para questões climáticas, John Kerry, disse disse ainda estar "ansioso" para trabalhar junto com o país. Bolsonaro pode até ter trocado o nome dele pelo com o ator e humorista Jim Carrey, mas Kerry sabe do que está falando.

Segundo a jornalista Daniela Chiaretti, do Valor, enviada especial a Glasgow, o Brasil apoiou a proposta de cortar emissões de metano em 30% até o final da década, em relação aos níveis de 2020, por pressão dos Estados Unidos através de Kerry.

O governo brasileiro era contrário e cedeu à pressão dos EUA. E enviou um tuíte informando que "Como parte das negociações da COP-26 o Brasil irá aderir ao Compromisso Global do Metano. O Brasil é parte da solução dos desafios da mudança do clima", diz o texto, publicado na segunda-feira.

Isso quer dizer que o Brasil se compromete a cortar 6 milhões de toneladas de gás metano, o que significa dizer reduzir o plantel de gado bovino que produz 72% de todo gás metano emitido pelo Brasil.

Foto: Emater, de Minas Gerais
Os bovinos, ovinos, suínos e caprinos são susceptíveis à febre aftosa - Foto: Emater, de Minas Gerais

O rebanho bovino brasileiro alcançou 214,7 milhões de animais em 2019. De acordo com informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), o Brasil tinha o segundo maior rebanho bovino do mundo no ano passado, sendo o principal exportador e o segundo maior produtor.

O problema é que o metano é subproduto dessa digestão de vacas e bois, mas é um dos gases de efeito estufa mais potentes encontrados na Terra. Assim, reduzir essas emissões de metano é um importante objetivo de ambientalistas que tentam atenuar os impactos das mudanças climáticas. Mas não é fácil.

Alguns micróbios presentes no interior das vacas contribuem mais ativamente com a produção de metano que outros. A ciência acredita que muitos micróbios produtores de metano são herdados e, assim, os cientistas acreditam que a seleção genética de vacas sem esses.

Segundo uma pesquisa conduzida pelo professor John Wallace, da Universidade de Aberdeen do Reino Unido, o rúmen é o primeiro de quatro compartimentos encontrados no estômago de um ruminante, onde o capim é digerido parcialmente por fermentação antes de passar para as cavidades restantes, sendo que 95% do excesso de metano é expelido por meio de arrotos.

Isso explica por que os países estão tão interessados em que o Brasil reduza as emissões de metano. E porque os Estados Unidos pressionaram fortemente o Brasil via Departamento de Estado até que o embaixador brasileiro em Washington, Nestor Foster, convenceu o Itamaraty a aderir à iniciativa.

Foi uma virada de mesa de Bolsonaro porque em setembro, uma reunião com representantes dos ministérios da Agropecuária, Meio Ambiente, Relações Exteriores, Energia e Ciência, Tecnologia e Inovações foi feita para avaliar se o Brasil deveria juntar-se ou não à aliança.

Segundo Daniela Chiaretti, do Valor, enviada especial a Glasgow, o compromisso de cortar as emissões em 30% é global e não há divisão de percentuais entre os signatários. Ou seja, não se diz quanto o Brasil teria que cortar. A atividade humana responde por 60% das emissões do gás metano, que responde por 30% do aquecimento global.

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Governo usará COP26 para melhorar imagem da agropecuária brasileira - NE10

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