Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Verba que Paulo Câmara anunciou na COP-26 pode fazer Pernambuco zerar lixão no Estado já no próximo ano

Segundo o TCE-PE, 113 (61,4%) dos 184 municípios pernambucanos utilizam aterros sanitários, mas 71 cidades (38,6%) continuam desrespeitando o meio ambiente

Fernando Castilho
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Publicado em 08/11/2021 às 11:00 | Atualizado em 08/11/2021 às 11:11
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Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Pernambuco – EcoParque, situada em Igarass - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Talvez o gesto mais importante dos atos que o governador Paulo Câmara tenha anunciado nesse domingo (7) na COP26, seja o de destinar R$ 15 milhões no tratamento de resíduos sólidos, com instalação de galpões para separação do material reciclável e remediação em 43 municípios que não possuem aterros sanitários.

A bem da verdade, o próprio Governo do Estado já tinha avisado, no ano passado, que a meta era zerar os lixões do Estado até 2022, se conseguisse que três consórcios que se inscreveram no Edital do Governo Federal para se instalar no Estado e cuidar da destinação dos resíduos sólidos para aterros sanitários.

Ao menos nesse segmento, Pernambuco vem atuando com eficiência com o diferencial da criação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) Socioambiental, que conferia aos municípios que tratassem bem os resíduos 5% adicional do ICMS a que teria direito. Esse dinheiro era retirado dos que tratavam mal dos resíduos.

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O Governador Paulo Câmara destina R$ 75 milhões para ações de proteção ao meio ambiente. - DIVULGAÇÃO

No início, só quem ganhou foi Caruaru, no Agreste. Mas depois foram surgindo várias soluções com triagem, compostagem; não muitas, a maior parte só aterro sanitário.

No ano passado, o TCE divulgou um levantamento que mostrava uma evolução no número de cidades que vêm depositando corretamente o lixo em locais adequados, ou seja, 113 (61,4%) dos 184 municípios pernambucanos estão utilizando aterros sanitários para despejo dos resíduos.

As outras 71 cidades (38,6%) continuam agindo em desrespeito ao meio ambiente, depositando os resíduos em lixões a céu aberto e colocando em risco a saúde da população. A decisão do governador de investir R$ 15 parece ser em cima de 43 dessas cidades que ainda não resolveram o problema.

Mas os números demonstram um avanço importante, visto que em 2014, quando ocorreu o primeiro diagnóstico, 155 municípios (84,2%) utilizavam lixões, ou outra forma irregular para descarte dos resíduos.

Em 2019, o número foi reduzido para 92 (50%), caindo mais uma vez este ano. Entretanto, das 5.500 toneladas/dia são dispostas em aterro sanitário. Em termos percentuais, 60% vão para aterro sanitário e 40% vão para lixão.

Atualmente, cinco dos 20 aterros sanitários de Pernambuco são de grande porte, sendo três na Região Metropolitana do Recife (RMR): Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) Pernambuco, em Igarassu; CTRs Ipojuca e Jaboatão dos Guararapes; e dois no Interior: Petrolina e Caruaru.

Mas o percentual de reciclado ainda é pequeno em relação à produção de resíduos, mas as empresas começam a perceber que o grande negócio não é apenas receber e enterrar.

SEMAS
QUADRO DE TRATMENTO DE DESIDUOS SÓLIDOS - SEMAS

A CTR Pernambuco – EcoParque faz a triagem de 600 toneladas/mês e conta com uma unidade de separação óptica alemã que faz a leitura molecular de plástico. Separa, por exemplo, o PVC, que é proibido na área de aproveitamento energético, de outros plásticos.

Segundo o Superintendente de Meio Ambiente da Semas-PE, Bertrand Alencar, o Estado pretende criar um sistema de pagamento por serviços urbanos para beneficiar o catador e um programa de certificação de reciclados em favor das cooperativas. Mas ele reconhece que a reciclagem ainda ficará na pendência de como avança a logística reversa, que depende do setor produtivo.

Em julho último, o município de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, vai receber a maior planta de triagem mecânica do Brasil, garantindo o tratamento de 500 mil toneladas de resíduos sólidos ao ano.

A Orizon Valorização de Resíduos começou a construção do projeto em abril no Ecoparque da companhia no município, com um investimento previsto de R$ 70 milhões, utilizando sistemas e maquinários de alta tecnologia alemã.

O método, já utilizado na Europa e nos Estados Unidos, foi adaptado no Brasil para não abrir mão da qualidade humana na separação de materiais, gerando mais de 150 novos postos de trabalho.

A planta estará em operação no início de 2022, em três turnos. Em 2020, o Ecoparque recebeu 1,5 milhão de toneladas, equivalente aos resíduos gerados por 3,7 milhões de habitantes da Região Metropolitana de Recife, além de Fernando de Noronha.

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JABOATÃO USINA DE PROCESSAMENTO DE RESÍDUOS SOLIDOS - DIVULGAÇÃO

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