Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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"Foi a maior inflação para o mês..." é o mantra do IBGE durante Governo Bolsonaro

Segundo o IBGE, a inflação mantém alta e chega a 1,06% em abril, maior para o mês desde 1996. Nos últimos 12 meses, alta já é de 12,13%

Fernando Castilho
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Publicado em 11/05/2022 às 16:30 | Atualizado em 11/05/2022 às 17:44
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Preços da cenoura foi responsável por parte da inflação e nas prateleiras dos supermercados foram afetados devido as fortes chuvas. - FOTO: DAY SANTOS/JC IMAGEM
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Nos últimos meses a frase “foi a maior variação para um mês” tornou-se um padrão nos comunicados do IBGE tanto para sobre preços, da inflação (IPCA), qanto na maioria dos índices que o instituto produz - revelando uma perturbadora tendência de aumento dos preços praticados no Brasil.

O IPCA de janeiro foi a maior variação para um mês de janeiro desde 2016 (1,27%). O IPCA-15 de fevereiro (0,99%) foi o maior para um mês de fevereiro desde 2016. Assim como o IPCA de abril, divulgado nesta quarta-feira, também foi a maior variação para um mês de abril desde 1996 (1,26%).

Tudo isso tem a ver com o fenômeno cada vez mais consistente da inflação no Brasil que em 12 meses chegou a 12,13%. Mas o que o consumidor não percebe é que de uma maneira geral essa inflação está medida em todos os demais índices do IBGE.

Existe um índice que poucas pessoas conhecem e que é muito importante. Chama-se Índice de Preços ao Produtor (IPP) cresce 3,13% em março. Esse índice é chamado de "a inflação das empresas". Porque ele mede a inflação para dentro das empresas. Ou seja aquilo que elas compam para produzir outros produtos.

Em março, segundo o IBGE, o IPP acumulado em 12 meses entre as Grandes Categorias Econômicas teve variação de preços de bens de capital de 16,70% em março/2022.

Foi nesse índice que se soube que a inflação do refino de petróleo e biocombustíveis subiriam em relação a fevereiro, 10,84%. É esse índice que diz que para as empresas no acumulado em 12 meses, a variação foi de 41,97% somente em relação à gasolina, óleo diesel e gás de cozinha e natural, por exemplo.

O IBGE produz três grandes índices (IPCA, INPC e IPP) embora a maioria das pessoas só conheça o IPCA, porque ele é chamado de o índice oficial da inflação no Brasil, curiosamente todos eles estão a cada mês com a frase “foi a maior variação para um mês”.

E até mesmo índices setoriais como o INCC - que mede os custos da Indústria da Construção Civil - também estão vindo com essa frase comparativa assustadora.

No caso do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) a alta foi de 1,21% em abril, subindo 0,22 ponto percentual em relação à taxa do mês anterior (0,99%). Foi a maior taxa desde agosto de 2021.

Tudo isso indica que a inflação se espalhou por todos os segmentos e categorias de produtos. Sem que, neste momento, haja indicação de baixa, salvo os casos de produtos sazonais que podem impactar num mês e noutro ser negativo.

Infelizmente, no caso do IPCA de abril, que com 1,06% foi a maior variação para um mês de abril desde 1996, não há sinais de redução - porque o aumento dos combustíveis não é sazonal e vem crescendo há mais de 12 meses.

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