Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
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A morte de Genivaldo de Jesus Santos matou o Vigilante Rodoviário

Nos anos 50 e 60 milhares de jovens entraram para a PRF por desejarem ser o policial exemplo de dedicação com o serviço público, conduta ilibada e cortesia com os motoristas que abordava

Fernando Castilho
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Fernando Castilho
Publicado em 27/05/2022 às 23:05 | Atualizado em 27/05/2022 às 23:17
REPRODUÇÃO VÍDEO
Genivaldo de Jesus morreu depois de ter sido jogado numa viatura e inalado um gás usado pelos policiais da PRF - FOTO: REPRODUÇÃO VÍDEO
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Os mais jovens só podem o conhecer procurando no YouTube pelos episódios do Vigilante Rodoviário. Foi uma das primeiras produções feitas no Brasil pelo IBF (Instituto Brasileiro de Filmes) e fez sucesso pela empatia que transmitia e pelo exemplo que o personagem vivido pelo ator Carlos Miranda nós ensinava.

Carlos era a inspiração de milhares de crianças que sonhavam vestir a farda da Polícia Rodoviária Federal e pilotar a moto Haley Davidson com a qual o vigilante rodoviário perseguia bandidos ao lado de Lobo um cão pastor alemão treinado farejava drogas e mercadoria falsificada.

A série virou um padrão de dedicação e moralidade que enchia de orgulho os policiais rodoviários e dava uma enorme segurança de quem estava numa rodovia federal que no imaginário sonhavam encontrar o policial Carlos e seu cachorro.

Milhares de jovens nos anos 50 e 60 entraram para a PRF por desejarem ser o policial exemplo de dedicação com o serviço público, conduta ilibada e cortesia com os motoristas que abordava.

Por isso quando começou a ser veiculado o vídeo da ação indefensável de um conjunto de cinco policiais da PRF imobilizando um motociclista algemado dentro de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal, o Brasil e, certamente, o mundo se chocou com a crueza da cena e da covardia.

Pelo fato de envolver policiais treinados para aplicar as leis de transito e que, por uma razão ainda não esclarecida, perpetraram aquele crise de homicídio sem se preocupar com o fato de dezenas de outras pessoas estarem gravando e transmitido para emissoras de rádio e canais nas plataformas digitais quase ao vivo.

A Polícia Rodoviária Federal que os brasileiros respeitam e sentem-se protegidos quando precisam de ajuda não é aquela que põe um cidadão dentro do compartimento de presos de uma viatura e detona uma bomba de gás lacrimogênio e fecha a tampa para potencializar o efeito.

A PRF tem mais admiração entre os cidadão e motoristas que até mesmo a Polícia Federal. O sentimento de pertencimento do cidadão que precisa da instituição é diferente do que é abordado pela Polícia Federal. Um é de admiração. O outro é de respeito.

O que mais choca nesse caso que manchou uma imagem de uma instituição tão respeitada pela sociedade é que após o crime os cinco policiais registraram o boletim de ocorrência como decorrência de auto de resistência. Como se uma pessoa desarmada pudesse resistira a cinco policiais armados.

Numa situação inversa, ou mesmo em alguns estados, os agressores estariam presos em flagrante por crime de homicídio culposo. Por serem agente públicos estão apenas temporariamente afastados do serviço nas ruas.

E exatamente por ser tão chocante, a questão que se coloca é por quê?

Por que cinco policiais com centenas de horas de treinamento agiram daquela forma?

Por que estavam indiferentes aos protestos das demais pessoas que se desesperam com a detonação de um artefato usado para dispersão de multidões em locais abertos dentro de uma viatura policial transformada em câmara de gás?

Talvez porque venha tendo exemplo da autoridade máxima do país em passeios públicos desrespeitando leis de transito sem se preocupar em dar bons exemplos.

É importante não esquecer o diretor geral da PRF, Eduardo Aggio que ingressou na instituição em 2005, está sempre presente ao lado do presidente em manifestações e já chamou os colegas de agitadores quando eles reivindicaram reajuste de salários.

E que no começo do ano a Polícia Rodoviária Federal (PRF) reagiram de forma ameaçadora e intimidativa contra manifestantes que queriam protestar contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) numa visita a Rondônia.

É importante observar a mudança de comportamento da PRF a parte da mudança de comando afinando com o presidente.

No começo da semana, por exemplo, policiais da PRF estiveram ao lado de policiais do Rio de Janeiro na ação desastrada que provocou a morte de 25 pessoas na Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro evento, aliás, foi parabenizado pelo presidente Jair Bolsonaro aos policiais da PM que segundo ele “neutralizaram pelo menos 20 marginais ligados ao narcotráfico em confronto" como ele disse na rede social Twitter.

Existe sim, uma perturbadora mudança de comportamento nas atitudes da PRF se espalhando pelo Brasil.

Por isso é preocupante que policiais da corporação tenham ficado indiferentes aos protestos enquanto assassinavam Genivaldo de Jesus Santos, na última quarta-feira (25) após ser abordado por policiais rodoviários federais quando pilotava uma motocicleta e em seguida imobilizado e levado para dentro da viatura de forma truculenta.

No que estamos transformando a Polícia Rodoviária Federal?

Nos anos 50 e 60, quando o vigilante rodoviário chegava passava a sensação de respeito e confiança de que a lei seria respeitada.

Agora, numa rodovia federal, em Umbaúba, litoral sul de Sergipe, eles foram capazes de matar uma pessoa algemada numa viatura transformada em câmara de gás.

Por isso, a morte de Genivaldo de Jesus Santos é também a “morte” do vigilante rodoviário e todo o conceito de cidadania que o policial exemplar emprestava.

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