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Sucesso do carro elétrico no Brasil abre debate sobre oferta de energia para abastecimento dessa nova frota

Distribuidoras para que reconfiguram suas redes para suportar as necessidades de energia à noite.

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Publicado em 28/10/2023 às 0:05
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O sucesso de vendas do mercado de veículos eletrificados leves no Brasil atingiu um total de 49.052 unidades vendidas nos primeiros oito meses de 2023 e abriu um debate no setor elétrico sobre a necessidade de suporte das distribuidoras de energia para abastecer esses veículos, especialmente no provimento de abastecimento rápido.

Explica-se hoje que existem mais de 40.000 postos de combustíveis de 180 Distribuidoras (a grande maioria empresas regionais). Elas fornecem gasolina, diesel e gás natural onde o cliente precisa se deslocar a um deles para abastecer seu carro com motor a combustão.
Energia na tomada

O desafio que se apresenta é que dono de um carro elétrico abastece seu carro em casa e pelo modelo de tomadas disponíveis o carregamento é lento sendo feito durante a madrugada de modo que pela manhã o veículo está com sua carga máxima.

Enquanto um elétrico é uma novidade mesmo que num prédio residencial todos os moradores deixem seus carros carregando. Mas à medida que o mercado vai dobrando isso passou a ser um problema e em países como os Estados Unidos consumidores de carros já voltam a optar pelo motor a combustível devido aos problemas que têm quando precisam reabastecer com cargas rápidas.
eletromobilidade

Em estados onde empresas decidiram adotar a eletromobilidade isso já é motivo de renegociações de contratos das empresas com as distribuidoras para que reconfiguram suas redes para suportar as necessidades de energia à noite. Noutros que passaram a adotar o ônibus isso também exige um negociação com a distribuidora, mesmo que a empresa compre a energia que precisa de fontes como eólica e solar.

Esse cenário já é motivos de debates entre as distribuidoras diante da nova realidade de gerenciar isso num país como o Brasil que este não deve chegar aos 80 mil carros elétricos e ano que vem 160 mil com a chegada das montadoras chinesas BYD que mira vender em três anos 250 mil veículos com presos a partir de R$ 200 mil.

Divulgação
Carros eletricos da BYD no Brasil - Divulgação

Carros elétricos

A questão das necessidades de abastecimento dos carros elétricos foi tema de conversas entre gestores de empresas de consultoria e funcionários do governo no Ibero-Americana de Energia (Croniben) que se encerrou nesta sexta-feira em Lisboa.

Embora o governo através da Aneel e do ONS ainda não tenha se pronunciado, a demanda desse novo tipo de veículo se encaixa como mais um elemento na oferta de energia firme nos horários de pico que obrigam as distribuidoras a comprarem energia onde estiver disponível para entregar ao cliente.

Reflexo do apagão

No Brasil existe um quadro de oferta excessiva de energia, especialmente de eólica, depois que o ONS reduziu de 13 GW a autorização de entrada da energia gerada por grandes produtores de energia limpa no Sistema Elétrico Brasileiro, depois do apagão de 15 de agosto.

E isso tem a ver com o próprio sucesso da ideia de produção de energia limpa e de fontes renováveis que fez a capacidade instalada chegar a 13 milhões GW de solar e mais 13 milhões de GW de eólica. Isso sem contar os produtores residenciais que podem vender seu excedente.

Todos ligados

A questão é que hoje a entrada de energia de todas as formas já se aproxima da 500 fornecedores. Número impensável quando o governo garante incentivos para as empresas que se dispusessem a construir uma eólica. O boom se ampliou com os projetos de energia solar.

Mas tudo isso tem um problema comum: quem faz a entrega é a distribuidora de energia local. E ela tem que ter essa energia na hora e local que o cliente deseja. E ela recebe essa energia despachada pelo ONS que monitora e despacha independentemente de quem a produziu.

 

Fernando Castilho
Tiago Barros – Diretor da RegE Consultoria - Fernando Castilho
Armazenamento

Onde num painel sobre Armazenamento de Energia no Coniben, o diretor da RegE Consultoria, Tiago Barros revelou que no Brasil ainda prevalece o conceito de economia para a compra da energia no atacado mesmo que ela venha de uma hidrelétrica que gaste milhões de metros cúbicos de água apenas para que não seja comprada uma energia de uma térmica.

Este ano, segundo ele, ao menos 9 GW de energia foram produzidos usando a água dos reservatórios num momento em que não se tem certeza de que haverá chuvas nos próximos meses. Atualmente a situação geral é de 70% dos reservatórios.

Portugal reverso

A questão da oferta de energia firme em Portugal levou o grupo Iberdrola a construir um novo projeto de usina reversível cujo foco é entrar com energia firme no horário de pico. O Brasil não tem nenhuma usina desse tipo, mas segundo o professor Afonso Henriques da Universidade Federal de Itajubá essa é uma necessidade que o país terá de enfrentar em algum momento.

Entretanto, o que para empresas brasileiras que optaram pela eletromobilidade de frotas já é um desafio, virou um novo mercado para empresas como a pernambucana Moura que desenvolveu um sistema de armazenamento de energia que já está sendo vendido como suporte para as empresas de distribuição.

Fernando Castilho
Adalberto Campello – Gerente de Negócio do Grupo Moura - Fernando Castilho

Grupo Moura

Segundo o gerente de negócios do Grupo Moura e Vice-Presidente Associação Brasileira de Sistemas de Armazenamento de Energia, Adalberto Campello, a questão do armazenamento de energia para distribuição no local de consumo é um negócio de 20 GWh até 2030 atendendo a uma realidade do mercado.

Além de regulação, Campelo diz que a entidade deseja assegurar nos próximos leilões da Aneel requisitos que permitam participação dos sistemas de armazenamento. Até porque esse é uma realidade que já está presente no mercado de distribuição de energia

Esses sistemas poderão ser usados como suporte para suprir os sistemas no chamados vale quando a energia solar e eólica deixa de ser produzida, por exemplo, garantindo oferta de energia firme.

Fernando Castilho
Afondo Henriques – Professor da Universidade Federal de Itajubá - Fernando Castilho

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