Resistência de Lula em falar de corte de gastos no seu governo e passar imagem de que cedeu ao mercado

O presidente Lula da Silva se incomoda com a ideia no noticiário de que foi vencido pelas forças do mercado e procura reagir a ideia de derrota.

Publicado em 07/07/2024 às 0:05 | Atualizado em 09/07/2024 às 6:36

O presidente Lula resiste à ideia de que após uma série de entrevistas que contribuíram para a disparada do dólar nos últimos dias ter sido vencido pelos argumentos do mercado e ter capitulado e se comprometer com a responsabilidade fiscal.

E se incomoda com o vazamento de sua conversa com Fernando Haddad onde teria, finalmente, aceito que deveria mudar o rumo do discurso depois de constatar que o dólar caminhava para um patamar perigoso, margeando a casa dos R$5,70, e a curva de juros futuros seguia em alta. Nesta sexta-feira ele voltou ao discurso, embora sem confrontar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que aliás saiu de férias.

Cuidar do dinheiro

Numa inauguração Lula foi Lula puro: "Não adianta falar de responsabilidade fiscal, porque, se tem uma coisa que eu aprendi com a dona Lindu [a mãe do presidente], foi responsabilidade fiscal, cuidar do meu pagamento, cuidar do meu salário, cuidar da minha família. E hoje a minha família é o Brasil."

O presidente sabe o estrago que suas falas podem ter causado ao caixa do governo (tema da JC Negócios deste sábado 6). Mas ele se incomoda com a ideia no noticiário de que foi vencido pelas forças do mercado.

Ele rebateu analistas que afirmaram, durante a escalada do dólar dos últimos dias, que ele “fala demais”, impactando a economia. “Que bom que eu falo demais, porque teve um tempo em que eu não falava. Quando resolvi criar um partido político, o nosso lema era dar vez e voz aos trabalhadores brasileiros que nunca tiveram ninguém. E estou aqui.” bradou Lula demonstrando irritação.

Jamais vencido

O presidente teme passar a imagem para seus eleitores que foi vencido. No limite admite não voltar a procurar um culpado por um crescimento mais robusto.

E conclui seu protesto: Se a gente fizer, como aquela pessoa que joga dinheiro fora por causa do cartão de crédito, a economia vai quebrar. E, no meu governo, não vai quebrar, porque nós temos a responsabilidade de cuidar desse país.

Ele tem razão. O Governo não quebra no sentido empresarial porque não se pode fechar o Palácio do Planalto, o ministério da Fazenda ou o Banco Central. O problema é o que acontece quando o governo não tem como pagar suas contas.

No caso dos estados, como acontece com Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a União que é fiadora dos empréstimos paga as parcelas. Mas no caso do Governo Central isso tem consequências mais graves.

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Sem risco

Entretanto é importante pontuar. O Brasil não corre mesmo nenhum risco de quebrar. A economia brasileira é robusta demais e tem mecanismo de proteção e não é disso que vem se falando nas duas últimas semanas.


O presidente sabe disso, mas sua personalidade não admite que passou da linha amarela. E sua reação no discurso em São Paulo é a prova disso.

Para Lula, permitir que se imprima a imagem de que foi vencido pelas forças do mercado corresponde a uma tentativa de assassinato político. E ele vai resistir até o último fio de cabelo.

Plano Haddad

O presidente deu uma volta na cobrança de responsabilidade fiscal aceitando o pacote de cinco que Fernando Haddad apresentou: fidelidade ao arcabouço, respeito à autonomia do Banco Central, autorização para contingenciamento de despesas, corte de gastos de R$25,9 bilhões e autorização para seguir na revisão de gastos.

Ele topou e Haddad foi cuidar de falar do ajuste no orçamento de modo a “limpar” quase R$26 bilhões. Não é muita coisa num orçamento de R$5,5 trilhões.

Revisão de gastos

A bem da verdade, se o presidente autorizar é possível cortar muito mais porque todo mundo sabe que os gerentes de todos os ministérios colocam no orçamento o que podem, mesmo que não tenha como realizar a despesa. E das cinco medidas aceitas por Lula talvez a autorização para seguir na revisão de gastos seja a mais importante.

Mas o Lula vai continuar sendo Lula e continuar a dizer que “Não adianta tentar atrapalhar a minha vida, prejudicar o [Fernando] Haddad, o Camilo [Santana]. Sabe por quê? Porque eu tenho consciência de que eu não sou eu. Eu sou vocês. Nós vamos consertar o país”, declarou o presidente.

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Brasil volta a cobrar a bandeira amarela nas contas de energia - Divulgação
 

Bandeira Amarela

O ONS explicou no boletim do Programa Mensal de Operação da semana 6/12 de julho por volta ou bandeira amarela. Ele indica que a Energia Natural Afluente (ENA) está abaixo das médias históricas para o período tipicamente seco em curso. Apenas no Sul (114%) a Média de Longo Termo está positiva. Nos demais subsistemas, as perspectivas estão abaixo da MLT: 55% para o Sudeste/Centro-Oeste, 50% para o Norte e 41% para o Nordeste. Já na Energia Armazenada (EAR) de todos os reservatórios é de 60%.

REC’n’Play 2024

Confirmado para os dias 6 a 9 de novembro, a realização do REC’n’Play - o maior festival de tecnologia e inovação do Brasil festival que chega a sua 6ª edição com centenas de atividades gratuitas: palestras, workshops, oficinas, debates, arenas temáticas, shows e muita troca de conhecimentos, cultura e experiências. As inscrições gratuitas estão abertas a partir de hoje, dia 4 de julho, no link: https://recnplay.pe.

Armazenamento

O Senai Pernambuco participa da construção do laboratório de armazenamento em baterias, conectado a uma usina solar, na Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, em São Paulo, operada pela CTG Brasil. O projeto junta as empresas Wisebyte e Thymos Energia também fazem parte da iniciativa.

Enfermagem

O Pernambuco Centro de Convenções receberá o 26º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem (CBCENF), maior evento do segmento na América Latina, marcado para setembro deste ano, de 16 a 19, com perspectivas de 10 mil pessoas de todo o País.

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Cresceu o uso do cartão d ecredito como forma de emrestimo pessoal. - Divulgação

Cartão de empréstimo

O Mapa Serasa Crédito de maio mostra que o cartão de crédito assumiu a liderança entre as modalidades mais desejadas pelos consumidores que buscam um dinheiro além da renda habitual numa pesquisa da empresa. O cartão chegou à marca de 55% das preferências. O empréstimo pessoal caiu para 47%, registrando uma queda de 10 pontos percentuais em 90 dias. O crédito consignado se manteve na terceira posição dos tipos de crédito procurados, mas com uma procura menor.

Dinheiro de fora

O Brasil se tornou o segundo país no mundo que mais recebe investimentos estrangeiros diretos, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 2023, entraram US$64 bilhões no país.

Mais consumo

O Consumo nos Lares Brasileiros cresceu 6,52% em maio na comparação com abril, de acordo com o monitoramento mensal da Associação Brasileira de Supermercados – ABRAS. Na comparação interanual – maio de 24x maio de 23 – o indicador registrou alta de 2,16% puxado pelo aumento sazonal no consumo para o Dia das Mães.

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No Brasil cresce o mercado de intercambistas especialmente jovens que desejam aprender um outro idioma. - Divulgação

Intercâmbio

Dados do STB, consultoria especializada em educação internacional, mostram crescimento de 25% no fechamento de 2023 sobre 2022 e alta de 30% em relação a 2019, pré Covid-19. As principais tendências estão no público 50+, formado por executivos e profissionais liberais que procuram fazer networking internacional e aproveitar o tempo livre com novas atividades de lazer; outros idiomas além do inglês: espanhol, francês e alemão; preparação universitária no período de férias e graduação e pós (higher education) por pessoas matriculadas em universidades brasileiras.

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