Pesquisa aponta que contato com pets pode reduzir risco de alergia e obesidade

Publicado em 29/06/2018 às 8:54
Infância pode ser mais saudável para crianças que convivem com bichos de estimação. Foto: Pixabay
FOTO: Infância pode ser mais saudável para crianças que convivem com bichos de estimação. Foto: Pixabay
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Além das alegrias que os pets nos dão, eles também podem nossa saúde. Pelo menos é o que mostra um estudo da Universidade de Alberta (Canadá). O contato com bichos de estimação auxilia na proteção de crianças e diminui os riscos de desenvolvimento de alergias e obesidade nelas.

A pesquisa feita pela universidade foi feita com bebês de famílias que tinham animais de estimação em casa, sendo 70% deles cães. "Essas crianças apresentaram níveis mais altos de dois tipos de micróbios associados a menores riscos de doenças alérgicas e obesidade", explicou o médico Moises  Chencinski, pediatra de São Paulo.

As mais recentes descobertas foram baseadas amostras fecais coletadas de bebês registrados no estudo Canadian Healthy Infant Longitudinal Development. Elas foram coletadas em duas décadas de pesquisas e mostram que crianças que crescem com cães têm menores taxas de asma.

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“A teoria é que a exposição à sujeira e às bactérias no início da vida – presentes, por exemplo, no pelo de um cão e em suas patas – pode criar imunidade precoce, embora os pesquisadores não tenham certeza se o efeito ocorre em função da presença das bactérias nos amigos peludos ou da transferência humana tocando os animais de estimação”, destaca Chencinski.

Os pesquisadores conseguiram dar mais um passo para entender essa conexão e identificar que a exposição aos animais no útero ou até três meses após o nascimento aumenta a abundância de duas bactérias. Ruminococcus e Oscillospira têm sido associadas à redução de alergias e obesidade na infância, respectivamente.

Aumento da imunidade

Segundo os autores do estudo, a presença dessas bactérias aumentou duas vezes quando havia um animal de estimação em casa. A exposição aos animais afeta indiretamente o microbioma intestinal - de cão para mãe e para o feto - durante a gravidez, bem como durante os primeiros três meses de vida do bebê. Mesmo se o cão tivesse sido dado para adoção pouco antes de a mulher dar à luz, a saudável troca de microbioma ainda poderia ocorrer.

“O estudo também mostrou que a troca de aumento da imunidade ocorreu mesmo em três cenários de nascimento conhecidos por reduzir a imunidade, como cesariana versus parto vaginal, antibióticos durante o parto e falta de amamentação”, comenta o pediatra.

A pesquisa sugeriu ainda que a presença de animais de estimação em casa reduziu a probabilidade de transmissão da doença perinatal pelo estreptococo do Grupo B, durante o parto. Ela causa pneumonia em recém-nascidos e é impedida por meio de antibióticos durante o nascimento.

“É muito cedo para prever como esta descoberta vai afetar o futuro, mas não é exagero supor que a indústria farmacêutica tente criar um suplemento desses microbiomas, assim como foi feito com probióticos”, avalia o médico.

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