O custo da passagem do ônibus

Publicado em 13/10/2014 às 12:13
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BRTs parados nas garagens, à espera dos corredores. BRTs parados nas garagens, à espera dos corredores. Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem   Por Fernando Castilho Da Coluna JC Negócios castilho@jc.com.br   Promessa de campanha, a implantação do bilhete único pelo governador eleito Paulo Câmara lhe exigirá uma decisão política que seu antecessor retardou por três anos: o reajuste das tarifas de ônibus da RMR. E com um agravante: desta vez, os operadores têm uma concessão que garante o equilíbrio financeiro do serviço prestado afirmando que se a receita não cobrir o custo, o Estado pagará a diferença. Com a tarifa a R$ 2,15, admite o presidente da Urbana PE, Fernando Bandeira, o futuro governo terá dificuldades para implantar o bilhete único. Devido aos custos do desembolso para equilibrar toda a operação. E, embora o presidente da Urbana não fale sobre o assunto, é fácil deduzir que os dois consórcios que já operam os BRTs, sem estarem operando integralmente os corredores, estão enviando suas faturas ao governo cobrando a diferença. O futuro governo, portanto, será chamado a remunerar a diferença. E o mesmo princípio valerá para os demais seis contratos de concessão que devem ser assinados com o setor para cobrir toda a operação de ônibus da RMR, por onde trafegam dois milhões de pessoas. Um custo que, com a tarifa de R$ 2,15, chega a R$ 300 milhões/ano, segundo a Urbana. A solução é óbvia. A opção política de Eduardo Campos em deixar o setor 36 meses sem reajuste na RMR obriga a uma decisão financeira de reajuste que Paulo Câmara terá que tomar a partir de janeiro. E já com um “pendura” dos dois BRTs se o governador João Lyra não quitar as faturas emitidas pelos consórcios que operam os corredores Norte/Sul e Leste/Oeste. Enquanto a conta não chega na mesa de Paulo Câmara, a Urbana-PE faz uma lista de sugestões que, além do reajuste da tarifa, alinhe os custos em especial quanto ao tema gratuidade.  A primeira constatação é que, hoje, tem muita gente andando de graça. Na planilha oficial o índice é 1,59% do total de pagantes. Com a entrada da biometria, o contingente chegou a 9,1%. O número assustou até os então candidatos ao governo de Pernambuco. No sistema gerido pela Urbana-PE estão cadastradas 37.884 pessoas que não pagam passagem e mais 53.188 que tem direito, também, a  acompanhante. Desse total, 42% são incapacitados físicos e 45% mentais. A operação mostra que há um uso intenso dos cartões dos dois grupos. E o número de novos pedidos se mantém em 1.100 por mês. Para a Urbana-PE, o governo do Estado deve regular essa concessão com maior precisão, pois hoje os critérios são subjetivos e feito pelas prefeituras da RMR. O custo da gratuidade não é só dos deficientes. No sistema, o estudante só paga metade o que representa 14,48% em termos de redução de receita bruta. Até o final do ano, todo o sistema terá biometria. E ela já revela que, quem paga usa menos. Os estudantes secundarista usam, em média, menos passagens pois só o dono do cartão passa na catraca biométrica.  O desafio da gratuidade existe também com os idosos. É um direito constitucional. O problema é que acomodá-los está ficando difícil pelo aumento de usuários. A Urbana sugere um sistema mais ajustado. Como reservar os bancos da frente só para deficientes físicos com os idosos usando a porta do meio.

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