A eterna disputa por poder político entre os rodoviários da RMR

Publicado em 30/06/2017 às 13:31
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Mini-paralisação surpreendeu passageiros das linhas que se dirigem ao Centro do Recife. Fotos: Guga Matos/JC Imagem   Mesmo pequena, a paralisação realizada na manhã desta sexta-feira (30/6) pelos motoristas e cobradores de ônibus na Região Metropolitana do Recife mostra que os rodoviários continuam sem unidade política. O movimento não foi uma decisão do Sindicato dos Rodoviários, mas um ato isolado do grupo do ex-motorista Aldo Lima, que atua junto ao CSP/Conlutas e é inimigo declarado da atual gestão do sindicato. As brigas por poder continuam fazendo parte da entidade desde que a nova gestão assumiu, em 2014, depois de mais de 30 anos de soberania do presidente Patrício Magalhães (falecido este ano, inclusive). O movimento de fechar as principais pontes do Centro do Recife que fazem parte da rota dos coletivos aconteceu horas depois de a categoria decidir, em assembleia trabalhista e legal, pela não adesão ao movimento nacional. Na primeira paralisação, em abril, a participação dos motoristas foi total e o transporte público virou a principal força da greve geral na RMR.
Esse movimento foi articulado por Aldo Lima e o CSP/Conlutas. Ele estava desaparecido, mas agora voltou e fez esse movimento inconsequente, que pode vir a prejudicar toda a categoria. Não sabemos como a Justiça vai reagir, agora, diante da paralisação que esta programada para começar na próxima segunda" Benilson Custódio, presidente do Sindicato dos Rodoviários  
  LEIA MAIS Transporte público: a grande força da manifestação nacional Estamos no meio de uma briga política por poder entre os rodoviários. Ou seja, estamos perdidos! A fome com a vontade de comer. Mais uma greve de ônibus frustrada na RMR?   Exatamente por isso essa briga política dos rodoviários interessa a todos porque mexe e expõe a população. As pessoas foram informadas de que a greve ‘legítima’ dos rodoviários aconteceria a partir da segunda-feira (3/7) e que haveria ônibus nas ruas nesta sexta-feira. Saíram de casa normalmente nas primeiras horas da manhã. Mas começaram a ser deixadas na rua quando os coletivos foram parando. Não eram muitos, é fato, mas ao utilizar quatro ônibus para interditar uma ponte como a Duarte Coelho (ligação da Avenida Guararapes com a Avenida Conde da Boa Vista), qualquer um conseguem atrapalhar a operação de praticamente todas as linhas que se dirigem ao Centro do Recife. Ou seja, falamos de 70% das linhas do sistema de transporte público da RMR. Com pouco esforço, é possível provocar um enorme prejuízo.
O sindicato teve todo o cuidado de seguir os trâmites legais para deflagrar a greve e eles vêm e bagunçam tudo. Mas faço questão de esclarecer à população que essa paralisação surpresa é de um grupo político usado pelo CSP/Conlutas, que tentou fazer o sindicato de marionete e eu não concordei”, Benilson Custódio  
LEIA MAIS Parte da RMR fica sem BRTs nesta sexta-feira Reféns, novamente, da picuinha sindical dos rodoviários? Eleição do sindicato dos motoristas de ônibus é suspensa e novos protestos cancelados   O presidente legítimo do Sindicato dos Rodoviários, Benilson Custódio, estava indignado com a paralisação, preocupado com a imagem da categoria diante da sociedade e o comprometimento do estado de greve que foi deflagrado. “Esse movimento foi articulado por Aldo Lima e o CSP/Conlutas. Ele estava desaparecido, mas agora voltou e fez esse movimento inconsequente, que pode vir a prejudicar toda a categoria. Não sabemos como a Justiça vai reagir, agora, diante da paralisação que esta programada para começar na próxima segunda. O sindicato teve todo o cuidado de seguir os trâmites legais para deflagrar a greve e eles vêm e bagunçam tudo. Mas faço questão de esclarecer à população que essa paralisação surpresa é de um grupo político usado pelo CSP/Conlutas, que tentou fazer o sindicato de marionete e eu não concordei”, criticou. Segundo Benilson, a categoria vai participar da passeata marcada para as 15h, com saída do Derby, mas sem comprometimento da operação de transporte.   Fechando a Ponte Duarte Coelho, ligação das Avenidas Guararapes e Conde da Boa Vista, o impacto na operação das linhas quem se dirigem ao Centro é certo   Para quem não sabe ou não lembra, Benilson Custódio foi parceiro de Aldo Lima na época em que enfrentaram a soberania vitalícia de Patrício Magalhães à frente do Sindicato dos Rodoviários. Mas como Aldo Lima não era mais motorista – tinha sido demitido da empresa em que trabalhou –, a candidatura foi impugnada e Benilson Custódio foi lançado como presidente, sendo eleito com a ajuda do parceiro e do Conlutas. Mas a ideia era que Aldo Lima e o Conlutas comandassem o sindicato, o que não foi aceito por Benilson. Desde então, a briga começou. O Blog De Olho no Trânsito tentou localizar Aldo Lima, sem sucesso. De fato, para o movimento sindical que organiza a greve geral em protesto contra as reformas Trabalhista e da Previdência do governo Michel Temer, ter os rodoviários como parceiros é excelente porque, sem ônibus na rua, as cidades param. Só assim e isso ficou comprovado, pelo menos na RMR, na greve geral anterior. O movimento legítimo da categoria, explica Benilson Custódio, acontecerá a partir da 0h da segunda-feira. Os rodoviários decidiram pela greve após quatro rodadas de negociações salariais frustradas. A categoria pede reajuste de 7% no salário, 20% no vale-refeição e 10% no plano de saúde. Mas os empresários de ônibus ofereceram 4%, 11,12% e 0% de aumento, respectivamente. NOTIFICAÇÃO O Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT) já notificou os Sindicatos dos Rodoviários e das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE) para que garantam 50% da oferta de transporte nas ruas na próxima segunda-feira (3/7), quando está prevista a greve oficial dos motoristas e cobradores de ônibus. A notificação foi feita nesta sexta-feira (30/6). O documento solicita a garantia do funcionamento mínimo dos serviços de transporte, conforme previsto nos artigos 9º a 112 da Lei 7.783/89. O GRCT quer 50% da frota nos horários de maior movimento, das 5 às 9h e das 16h às 20h. No chamado fora pico, o órgão quer a garantia de 30% da oferta de serviço para minimizar o prejuízo à população.  

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