Prefeitura promete Faixa Azul para a Agamenon, mas ônibus segue sem prioridade na avenida

Publicado em 21/10/2017 às 18:33
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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  Na simulação feita por Ronaldo Câmara, do JC, a Faixa Azul que a Prefeitura do Recife promete implantar até o primeiro semestre de 2018. Fotos: Filipe Jordão/JC Imagem   Já nos acostumamos, mas é questionável que, em tempos de discussão sobre o estrago que o uso excessivo do automóvel pode provocar na mobilidade urbana, a principal avenida do Recife, a Agamenon Magalhães, chamada de pulmão viário da cidade, com reflexos em toda Região Metropolitana, seja uma via sem qualquer prioridade ao transporte público. Seja só para carros. Tenha 12 faixas divididas em duas pistas centrais e duas locais, onde o automóvel é o rei. Reina majestoso. É claro que os 280 mil passageiros diários dos ônibus que circulam na avenida também são beneficiados pela atenção dada aos carros, mas o transporte coletivo não recebe o tratamento que deveria. O segundo eixo do BRT Norte-Sul, prometido pelo Estado, não saiu do papel e, até hoje, nem mesmo uma faixa exclusiva foi implantada. A promessa da Prefeitura do Recife, entretanto, é criar uma Faixa Azul na Agamenon até o primeiro semestre de 2018.
É certo que iremos fazê-la. É uma prioridade do prefeito Geraldo Júlio implantar Faixas Azuis na cidade. Estamos debruçados sobre estudos das intervenções necessárias porque, sem elas, não potencializamos os ganhos da faixa exclusiva. Não é apenas chegar e pintar de azul", João Braga, secretário de Mobilidade do Recife
João Braga, secretário de Mobilidade do Recife, garante que ela será implantada e que ajustes viários necessários em pelo menos quatro cruzamentos da via deverão começar a ser implantados ainda este ano. A promessa é de uma Faixa Azul em toda a extensão da via, entre o Hospital Português e o limite com o município de Olinda, na faixa da direita das pistas centrais da via. “É certo que iremos fazê-la. É uma prioridade do prefeito Geraldo Júlio implantar Faixas Azuis na cidade. Estamos debruçados sobre estudos das intervenções necessárias porque, sem elas, não potencializamos os ganhos da faixa exclusiva. Não é apenas chegar e pintar de azul, precisamos fazer ajustes porque, se não for bem feito, o próprio ônibus pode ser prejudicado pelo congestionamento que a faixa exclusiva poderá provocar mais à frente. Ali, não podemos errar”, explica o secretário.
Ainda não há muitos detalhes para serem divulgados, segundo a prefeitura, porque os estudos estão sendo finalizados. As intervenções aconteceriam nas interseções da Agamenon no Paissandu/Ilha do Leite, Derby, Rua Joaquim Nabuco/Rua Dom Bosco, Rua João de Barros e acessos à Avenida Norte. A intervenção tem o apoio da iniciativa privada. A Urbana-PE (o sindicato dos empresários de ônibus) e as Construtoras Rio Ave e Moura Dubeux têm dado apoio à prefeitura com os estudos e simulações de trânsito, segundo João Braga. Enquanto a Faixa Azul da Agamenon não vinga, o trânsito segue pesado e congestionado na Agamenon Magalhães, especialmente para os ônibus. Durante a produção da matéria, alguns motoristas chegaram a chamar a equipe do JC, antes mesmo de serem abordados, para implorar por uma faixa exclusiva na via. Nem sabiam o que era a matéria, mas já apelavam por um mínimo de prioridade na larga e imponente Agamenon Magalhães. “Sofremos muito, todos os dias, nos horários de pico da manhã e da noite. Quando há congestionamentos, é comum perdermos de 20 a 25 minutos para percorrer um trecho muito pequeno: do Hospital Português à entrada da Avenida Conde da Boa Vista”, reclama o motorista de ônibus Ivandro de Souza Batista.     Quem entende de transporte ou planeja e operaciona o sistema de transporte público também concorda que a Avenida Agamenon Magalhães precisa, urgentemente, ter prioridade para o transporte público. “A Agamenon Magalhães tem a mesma utilidade para o SEI que o contorno urbano da BR-101. A última pesquisa de origem e destino do transporte da RMR mostrou que apenas 25% das viagens tinham o Centro Expandido como destino. Ou seja, o restante, 75%, queriam chegar a outras áreas e essa ligação com outros corredores de transporte, por exemplo, poderia ser feita na Agamenon. O chamado transbordo termina sendo feito no Centro porque não há opção”, argumenta Germano Travassos, consultor em transporte.
Se for o caso, que tenhamos as duas coisas: uma Faixa Azul e um corredor de BRT. Mas não podemos abrir mão do BRT", Germano Travassos, consultor de transporte
    Travassos, entretanto, reconhece a importância da implantação da Faixa Azul, mas alerta para que ela não seja uma substituição ao corredor de BRT planejado para a Agamenon, ainda antes da Copa do Mundo de 2104, com recursos federais – o chamado Eixo Agamenon do BRT Norte-Sul, que faria conexão com o Terminal Integrado de Joana Bezerra. “Se for o caso, que tenhamos as duas coisas. Mas não podemos abrir mão do BRT. Até porque, sabemos que muitos dos passageiros que hoje usam o Norte-Sul pelo eixo da Avenida Cruz Cabugá, o fazem porque têm no Centro a melhor opção para acessar outros corredores de transporte. Quando o ramal seguir pela Agamenon Magalhães, essa transferência poderá ser feita na Agamenon”, afirma. LEIA MAIS Nem BRT, nem Faixa Azul. A Avenida Agamenon Magalhães é, de fato, uma via onde só o carro reina Adeus às calçadas inclinadas da Avenida Agamenon Magalhães Alfredo Bandeira, diretor de Planejamento do Grande Recife Consórcio de Transporte, tem opinião identica a de Travassos. “Ou teremos os dois ou fiquemos com o BRT. A Agamenon Magalhães é fundamental para o sistema de transporte de toda a RMR. É a primeira perimetral do Recife, ligando o Sul e o Norte do Grande Recife. Também é por ela que se dá a ligação entre os corredores Leste e Oeste. Agora, de fato, temos que fazer uma intervenção bem estudada para não errar”, reforça. Afinal, razões não faltam para dar prioridade ao ônibus na Agamenon. São 60 linhas que, devido aos congestionamentos, deixaram de realizar, por exemplo, 2.660 viagens somente no mês de agosto, das 84 mil programadas. Confira o live que João Braga fez com a equipe do Meu Recife, quem vem desenvolvendo uma ampla campanha por Faixas Azuis na cidade:  
  Abaixo, uma arte produzida ainda em 2012 sobre o Eixo Agamenon do BRT Norte-Sul, que nunca saiu do papel. Na época, o projeto ainda previa a construção de quatro viadutos transversais sobre a Agamenon Magalhães.     A resposta do governo de Pernambuco sobre a situação do projeto de implantação do Eixo Agamenon do BRT Norte-Sul, que chegou a ter o canteiro montado ainda em 2012 e era prometido para a Copa do Mundo de 2014: "A Secretaria das Cidades informa que está refinando o projeto de BRT na Avenida Agamenon Magalhães, considerando todas as intervenções necessárias nos bairros cortados pela via de maior importância entre a ligação dos bairros da Zona Norte e Zona Sul. O projeto em questão está sendo finalizado e contempla melhorias nas calçadas, considerando acessibilidade, novas estações no mesmo padrão das estações de BRT já implantadas, garantindo conforto e segurança aos usuários. O detalhamento dos projetos, inclusive, prevê a implantação de passarelas e a possível duplicação do viaduto da Avenida João de Barros que, dependendo das simulações e das alterações inseridas no entorno da Agamenon, pode ser adiada, desde que se consiga os resultados apenas com as melhorias já citadas. Quanto à retomada das obras, está nos planos da Secid relicitar os serviços do corredor até final do primeiro semestre de 2018". Prefeitura adaptou algumas das calçadas da avenida, principalmente as que têm paradas de ônibus. População aprovou e pede mais   As intervenções na Agamenon Magalhães, segundo a PCR "A Avenida Agamenon Magalhães recebeu melhorias na sua iluminação, que foi totalmente substituída por luminárias em LED, trazendo mais conforto e segurança para quem precisa circular pelo local. A ação teve início em setembro de 2016 e conclusão em março deste ano e foi executada pela Emlurb. O trabalho contou com a implantação de 548 novas luminárias, a um investimento de R$ 3,5 milhões. Há mais de 40 anos a via não passava por uma intervenção desse porte. Além de mais econômicas, as luminárias têm um tempo de vida útil maior que as atuais de vapor de sódio. Ainda em março deste ano, a Prefeitura do Recife concluiu as obras de requalificação do passeio público, situado no canteiro central da via. As intervenções também foram executadas pela Emlurb e tiveram investimento de R$ 415 mil. Os serviços abrangeram um trecho com aproximadamente cinco quilômetros de extensão, margeando o canal da Agamenon, a partir do Hospital Português, no bairro da Paissandu, até as proximidades do Shopping Tacaruna, no bairro de Santo Amaro. Foi restaurado todo o passeio em concreto, em ambos os lados da via. Além da requalificação das calçadas, também foram realizados consertos nas tampas de galerias da rede de drenagem pluvial e regularização dos meios-fios instalados ao longo do percurso. Em abril, a Emlurb fez o plantio de um novo gramado no canteiro central da avenida. Além de trazer benefícios estéticos como embelezamento do espaço, a grama também traz conforto térmico, ajuda no controle da poluição do ar e reduz as erosões do solo nas margens do canal. Esse serviço contou com um investimento de R$ 144 mil".   As 60 linhas de ônibus que trafegam na avenida transportam 280 mil passageiros por dia. Mas os congestionamentos fizeram os ônibus perderem 2.660 viagens das 84 mil programadas em agosto

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