João Victor não foi multado por excesso de velocidade e avanço de sinal. Acredita?

Publicado em 06/12/2017 às 8:15
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João Victor no momento da colisão. Fotos: Felipe Ribeiro/JC Imagem   Embora o excesso de velocidade e o avanço de semáforo tenham sido, junto com o exame de alcoolemia, as principais provas para materializar a culpa de João Victor Ribeiro pelas mortes e ferimentos na colisão da Tamarineira, ele não responderá administrativamente por essas infrações de trânsito. Muita gente não sabe, mas no dia da tragédia a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) autuou o motorista apenas por dirigir alcoolizado, infração que prevê multa de R$ 2.937,70, mais sete pontos na habilitação, e a suspensão, em três ou quatro anos, da permissão para dirigir. A inconsequência do avanço de semáforo em alta velocidade desenvolvida no Ford Fusion que dirigia na noite da tragédia não viraram nem irão virar multas. O JC abordou o assunto em reportagem no domingo (3/12) e mostrou que, pela legislação de trânsito, a CTTU está certa ao não autuar o condutor. Legalmente, não poderia. São infrações que precisam ser vistas, pelos olhos do agente de trânsito ou da tecnologia aferida para isso. É o que diz a Resolução 471, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Na prática, o agente tem 48 horas para registrar o auto de infração. Depois, não vale mais. LEIA MAIS Crimes que ainda doem e indignam menos A impunidade nos crimes de trânsito dói muito – relatos daqueles que só perderam Um psicopata ao volante. Com vocês, o motorista João Victor Ribeiro ‘Eu peço perdão’, diz pai de motorista que provocou tragédia no trânsito Justiça nega transferência de motorista para clínica de tratamento A matança no trânsito brasileiro continua Na reportagem, o corregedor do Detran-PE já fazia o alerta: “Isso é um grande equívoco. A perícia vai comprovar que o motorista da Tamarineira estava em alta velocidade e que avançou o semáforo, até porque câmeras já mostraram isso, e os órgãos de trânsito não podem autuá-lo. É o momento de refletirmos sobre a necessidade de alterar a legislação porque, do jeito que está, estamos produzindo mais e mais Joões Victor e permitindo que circulem nas ruas”, disse.     MULTAS A dificuldade de punir administrativamente os maus motoristas por pouco não atrapalha o inquérito da Polícia Civil. Apesar de ter um histórico de imprudência ao volante, o delegado Paulo Jean não conseguiu comprovar que as multas relacionadas aos veículos dirigidos por João Victor foram resultantes de infrações cometidas por ele porque estão no nome da antiga proprietária. “No nosso caso não influenciou porque tivemos outras provas materiais e testemunhais de que ele era um motorista imprudente ao volante, com um histórico de avanço de sinais e excesso de velocidade. As multas e os pontos não estão na CNH dele, mas sabemos que foi ele quem cometeu. A ex-proprietária do veículo foi ouvida e confirmou nunca ter feito a transferência”, disse o delegado. O Ford Fusion dirigido por João Victor tem 13 multas somente este ano, sendo seis por excesso de velocidade, três por avanço de semáforo e uma por recusa ao teste de alcoolemia. Em 2014, mais uma autuação por ingestão de álcool. Nos registros do veículo, outras 40 notificações que totalizam 22 páginas.    

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