COLUNA MOBILIDADE

Os atropelos da CBTU

Companhia anunciou o aumento das tarifas do Metrô do Recife e de Belo Horizonte e depois decidiu adiá-los devido à pandemia. Mas na sequência voltou atrás e manteve o reajuste. Passageiro foi pego de surpresa

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 22/03/2021 às 17:24
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TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
A atitude da CBTU reflete pressão do governo federal para avançar na transferência da operação dos sistemas metroferroviários para a gestão privada - FOTO: TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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Mais do que o aumento da passagem, algo que chega a ser cruel em meio a uma pandemia de covid-19 que a humanidade não consegue vencer, com pessoas perdendo o emprego e fontes de renda, os atropelos administrativos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) nos últimos dias passaram uma mensagem muito negativa para o passageiro do sistema: que eles não têm importância. Por mais que as notas oficiais enviadas pela companhia - não, ninguém deu entrevista sobre o realinhamento - citem que houve sensibilidade diante da crise sanitária, mas que o realinhamento era necessário, o usuário do metrô tem razões de sobra para se revoltar e desacreditar cada vez mais no sistema.

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Uma pena. Nunca precisamos tanto de valorizar o transporte público coletivo no País, seja ele sobre trilhos ou sobre pneus. Nunca precisamos tanto desestimular a mobilidade individual motorizada, que tanto fôlego ganhou com a crise sanitária. Aí vem a CBTU e aprova uma aumento, depois adia esse reajuste para, logo em seguida, sem tempo hábil de se comunicar com seus passageiros (clientes), validá-lo novamente. Uma pena.

TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
Para quem não sabe, a tarifa do Metrô do Recife está 6,13% mais cara desde o sábado (20/3). Passou de R para R ,25 - o sétimo reajuste no período de um ano e oito meses - TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM

Para quem não sabe, a tarifa do Metrô do Recife está 6,13% mais cara desde o sábado (20/3). Passou de R $4 para R $4,25 - o sétimo reajuste no período de um ano e oito meses. O aumento tinha sido anunciado no início de março e, posteriormente, adiado pela própria companhia a pedido do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. O reajuste das tarifas do Recife e também de Belo Horizonte - os maiores sistemas metroferroviários sob gestão da CBTU e os que têm maior potencial de serem operados pela iniciativa privada - seria reavaliado somente depois do dia 17 de abril. Mas um dia depois, a poucas horas da entrada em vigor estabelecida inicialmente, a CBTU voltou atrás e validou o aumento.

PASSOS LARGOS PARA A PRIVATIZAÇÃO

Atitude da CBTU reflete pressão do governo federal para avançar na transferência da operação dos sistemas metroferroviários para a gestão privada.

THIAGO LUCAS/ ARTES JC
Aumentos do metrô do Recife - THIAGO LUCAS/ ARTES JC

Como argumento para as idas e vindas, o fato de que o reajuste teria que ocorrer por dois aspectos: a capacidade orçamentária da companhia e a legislação que definiu o aumento de 2019, estabelecendo o prazo de dois anos para um novo realinhamento tarifário. Na prática, apesar de a CBTU ter se apressado em divulgar o adiamento e atender à solicitação do ministro, o conselho da empresa não autorizou a postergação. “Durante a apreciação do pedido, em reunião ocorrida nesta 6ª feira, 19/03/2021, e muito embora os órgãos de gestão da Empresa estivessem sensíveis à situação, não foi possível acatar o pedido de adiamento, considerando-se a programação orçamentária e financeira da companhia e o arcabouço legal existente”, explica a nota.

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Como argumento para as idas e vindas, o fato de que o reajuste teria que ocorrer por dois aspectos: a capacidade orçamentária da companhia e a legislação que definiu o aumento de 2019, estabelecendo o prazo de dois anos para um novo realinhamento tarifário - TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM

Em meio aos atropelos administrativos e de gestão, ficou o passageiro, pego de surpresa no sábado 20 e, em sua grande maioria, nesta segunda-feira (22), com o reajuste. Mesmo com a segunda quarentena vigorando na Região Metropolitana do Recife - área atendida pelo metrô -, a quantidade de pessoas nos trens e plataformas nos horários de pico do sistema comprova que o usuário do sistema segue trabalhando. E ainda está digerindo os últimos reajustes, que elevaram a passagem de R $1,60 para R $4.“É revoltante demais. Estar em plena pandemia, com os trens lotados nas primeiras horas da manhã e à noite, e ainda ter essa surpresa. É desumano. O intervalo é de 10 minutos. Por isso tanta aglomeração. Adiar o aumento era o mínimo que poderiam fazer”, critica a diarista Maria Aparecida, que usa o Metrô do Recife de segunda à sexta.

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Em meio aos atropelos administrativos e de gestão, ficou o passageiro, pego de surpresa no sábado 20 e, em sua grande maioria, nesta segunda-feira (22), com o reajuste - TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM

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