COLUNA MOBILIDADE

Parque Aeroclube, na Zona Sul do Recife, será árido e quente. Nem de longe lembrará a Jaqueira, dizem moradores

A pouca arborização e espaço destinado ao verde é alvo de críticas, assim como a área destinada aos empreendimentos imobiliários

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 01/10/2021 às 16:14
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PCR/DIVULGAÇÃO
A área destinada aos empreendimentos imobiliários - 12%, em média, do terreno - também foi criticada, apesar de ser a fonte financeira apontada pela gestão municipal para viabilizar o projeto - FOTO: PCR/DIVULGAÇÃO
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Atualizada às 19h04

O Parque Aeroclube, que integrará o Complexo Aeroclube, um conjunto de equipamentos urbanos, de lazer e sociais que será construído no terreno do antigo Aeroclube de Pernambuco, no Pina, na Zona Sul do Recife, será o mais árido e quente da capital. Essa foi a leitura feita pelos moradores da região que serão diretamente afetados pelo projeto, após acompanharem a primeira de quatro audiências públicas para discutir a intervenção que foram promovidas pela Câmara de Vereadores do Recife, na tarde desta quinta-feira (30/9). A área destinada aos empreendimentos imobiliários - 12%, em média, do terreno - também foi criticada, apesar de ser a fonte financeira apontada pela gestão municipal para viabilizar o projeto. Prefeitura do Recife contesta as críticas de que o equipamento será árido.

No entendimento dos moradores, nem de perto o Parque Aeroclube lembrará o Parque da Jaqueira, equipamento de lazer tradicional da Zona Norte do Recife e conhecido pela sua arborização. Lembrará mais o Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, marcado pela pouca arborização, do que a Jaqueira. “A área verde é muito pequena e, ainda por cima, será urbanizada. Precisamos de árvores adultas e grandes que façam sombra. Se não, será mais um equipamento que ninguém conseguirá usar das 10h às 16h. Também esperávamos propostas de devolução do mangue. Mas não vimos nada disso. Ao contrário. Sendo assim, será mais quente e árido do que o Parque Dona Lindu. Perderemos, mais uma vez, a chance de termos um parque verde na Zona Sul, uma região tão edificada. Nós não queremos apenas concreto”, alerta Alyson Fonseca, secretário geral do Coletivo Novo Pina.

PCR/DIVULGAÇÃO
PROMESSA Com custo de R$ 100 milhões, Complexo será construído numa área de 11,8 hectares, sendo 4 destinados ao Parque Aeroclube (área verde) - PCR/DIVULGAÇÃO
PROJETO DA PCR/DIVULGAÇÃO
DIMENSÃO Com 11,8 hectares, o Complexo do Aeroclube terá três vezes o tamanho do Parque Dona Lindu e será 52% maior que o da Jaqueira - PROJETO DA PCR/DIVULGAÇÃO
BERG ALVES/JC IMAGEM
CONSTRUÇÃO Conjunto Habitacional Encanta Moça I e II fica na área do antigo Aeroclube, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife - BERG ALVES/JC IMAGEM
PREFEITURA DO RECIFE/DIVULGAÇÃO
A audiência é a primeira sobre o tema e foi provocada pela Comissão de Acompanhamento das Obras do Parque do Aeroclube - PREFEITURA DO RECIFE/DIVULGAÇÃO

A área verde do Parque Aeroclube é, de fato, pequena. Pelo menos a partir do que foi apresentado pelos técnicos da prefeitura durante a audiência. A apresentação - é importante destacar - infelizmente não conseguiu o detalhamento que se esperava porque o projeto ainda está muito conceitual e sustentado em imagens prospectadas. Isso, apesar de ter começado a ser concebido ainda na gestão do ex-prefeito Geraldo Julio (PSB) e, com exceção da construção do Compaz Zona Sul, ter mantido as mesmas propostas.

CONHEÇA O QUE SE SABE ATÉ AGORA: 

A princípio, o Complexo Aeroclube será construído numa área de 11,8 hectares, representando - para ajudar a situar o cidadão - três vezes o tamanho do Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, e será 52% maior que a Jaqueira. Do total da área, 4 hectares serão destinados ao Parque Aeroclube (área verde) e 38 mil metros quadrados serão divididos em 12 lotes destinados a empreendimentos imobiliários. O custo inicial do Complexo Aeroclube é de aproximadamente R$ 100 milhões e, segundo os técnicos da PCR, a ideia é que os empreendimentos imobiliários financiem o projeto, através de Parcerias Público-Privadas (PPP).

MAIS QUEIXAS

Para o Coletivo Novo Pina, a área destinada aos empreendimentos imobiliários deveria ser usada para ampliar a moradia social e o parque. “O projeto apresentado na audiência mostra que tudo o que foi apresentado serviu apenas para esconder o obscuro interesse em ceder 12 lotes, totalizando uma área de 38 mil metros quadrados para o mercado imobiliário. Que cidade para endeusar as empreiteiras”, criticou mais uma vez. Os representantes comunitários reconheceram a importância dos equipamentos urbanos que serão erguidos no Complexo Aeroclube, como o Compaz, a UPA 24h e a creche integral, mas alegam que a comunidade têm carências mais urgentes, o que reflete a ausência de diálogo com os moradores.

DIVULGAÇÃO/PCR
Com 11,9 hectares de área total, o Parque Aeroclube será 52% maior que o Parque da Jaqueira - DIVULGAÇÃO/PCR
DIVULGAÇÃO/PCR
O parque terá ainda uma área voltada para a memória do antigo Aeroclube de Pernambuco, com a preservação de 75% da antiga pista de pouso e decolagem e construção de um memorial sobre o histórico aeródromo de formação de pilotos que funcionou no terreno - DIVULGAÇÃO/PCR
DIVULGAÇÃO/PCR
Estão sendo construídos os Habitacionais Encanta Moça I e II, destinados aos moradores das palafitas do Bode, também no Pina, no antigo Aeroclube de Pernambuco - DIVULGAÇÃO/PCR
projeto pcr aeroclube recife -
projeto parque aeroclube prefeitura do recife (2) -
projeto parque aeroclube prefeitura do recife (1) -

“Precisamos de uma escola de ensino médio e de uma unidade de saúde da família, por exemplo. Não que o Compaz, a UPA e a creche sejam ruins, de forma alguma, mas há outras necessidades. Para se ter ideia das nossas necessidades, temos atualmente famílias vivendo em duas mil palafitas no Pina e menos de 600 serão beneficiadas com as novas moradias sociais do projeto porque 162 famílias remanescentes ainda da obra da Via Mangue serão incluídas. A gestão pública mais uma vez passa por cima do interesse público e apresenta um projeto sem diálogo e participação efetiva da comunidade. Mas o Coletivo Novo Pina, em parceria com outras entidades, irá agir para alterar esse projeto”, garantiu Alyson Fonseca.

O Coletivo Novo Pina pretende, em parceria com outras dezenas de entidades comunitárias, propor alterações no projeto. E vai acionar a Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para conseguir convencer a gestão municipal. A Coluna Mobilidade aguarda retorno da PCR sobre os argumentos da comunidade.

CONFIRA A AUDIÊNCIA PÚBLICA: 

Resposta da Prefeitura do Recife

Sobre o projeto do terreno do antigo aeroclube, a Prefeitura do Recife, por meio do Gabinete de Projetos Especiais, esclarece que:

Diferente do que foi colocado pela reportagem, o Parque do Aeroclube não será árido. A urbanização do terreno será realizada conforme as diretrizes urbanísticas delimitadas no Plano Diretor do Recife. A área total do terreno, considerando o espaço destinado aos Habitacionais Encanta Moça I e II, é de 19 hectares e 54% deste território é de área verde.

As intervenções públicas que serão realizadas ao longo da margem do Rio Pina, que é uma área de manguezal, obedecerá ao regramento também estabelecido pelo Plano Diretor. Esta área é classificada como uma Zona de Ambiente Natural (ZAN), devendo respeitar a preservação de 50% da vegetação nativa.

Já a área destinada aos empreendimentos privados é de 3,8 hectares, está localizada dentro de uma Zona de Ambiente Construído (ZAC) e deve respeitar a porcentagem de preservação de área verde em 25%, totalizando nesses lotes quase 1 (um) hectare de solo natural.

Importante salientar que o projeto versa buscar a melhor resolução possível para a requalificação de um espaço até então ocioso. A Prefeitura do Recife ratifica sua disponibilidade de diálogo junto à população.

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