Oito ou oitenta

Publicado em 14/06/2013 às 13:51
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Em meio ao profissionalismo exagerado das seleções, especialmente em eventos da Fifa, o torcedor se depara com o eterno amadorismo dos clubes. Mesmos os centenários, os que possuem orçamento milionário. Mas que continuam esbarrando em obstáculos pequenos, pela falta de estrutura ou fruto de um comando frouxo. Sport, Náutico e Santa Cruz são exemplos claros. Mesmo com grande potencial, pela força de suas torcidas. Mas toda tradição não é capaz de superar problemas cotidianos. Como contratações arrastadas, anúncios de reforços sem acerto contratual, falta de campo para treino e ausência de um mínimo planejamento. Talvez por isso, os dirigentes estejam se tornando doutores em desculpas esfarrapadas. Na Ilha do Retiro, a novela Durval expõe a fragilidade do departamento de futebol. Uma negociação que se arrasta há dois meses. E que segue esperando definição do jogador, que vive mudando o discurso. Se tivesse assinado um pré-contrato, certamente o xerifão já estaria de volta à casa. Nos Aflitos, a vergonha é maior. Sem técnico há quase 15 dias, tem que abaixar a cabeça para profissional em início de carreira e que já cansou de dizer "não" ao clube. Sem falar no episódio Lucho Figueroa. Depois de negociar com o argentino por um mês, de pagar passagens aéreas e confirmar a contratação, não chega a acordo por questão salarial e de documentação. Depois diz que o atleta alegou problema pessoal. No Santa, o planejamento errado ou a falta de um forçou o clube a liberar os jogadores por uma semana. O período seria fundamental para o novo treinador trabalhar a parte técnica. Soberania nacional Depois de mudar leis, conseguir isenções fiscais e impor as mais diversas condições, a Fifa sentiu um pouco da soberania nacional. Ontem, vários carros credenciados pela entidade máxima do futebol foram multados por agentes da CTTU. Estavam estacionados de forma irregular em frente ao hotel da Espanha. Acostumados a meter a caneta, fizeram o trabalho de forma correta. Mais chuva Espanhóis, uruguaios e o torcedor pernambucano em geral podem ir se preparando. A meteorologia prevê mais chuva, amanhã, e na noite de domingo, no horário do jogo na Arena Pernambuco. Imagina na Copa Claro que é evento-teste. Mas uma entidade que fatura bilhões e não paga nem aluguel, nem a maior parte dos funcionários, deveria estar melhor preparada. Faltou campo para o Uruguai treinar no Recife e credenciais para jornalistas em Brasília. Imagem encharcada Nem praia, tampouco sol. Nem mesmo os passistas de frevo ou as "matutas" exaltando as festas juninas. Os principais jornais da Espanha e do Uruguai (imagem acima) dedicaram suas edições sobre suas respectivas seleções à chuva que atrapalhou o primeiro dia na capital pernambucana. O espanhol El Pais, pelo menos, registrou frase de Soldado, agradecendo a boa recepção. Com a palavra, o leitor Tocando na ferida dos clubes "Casos Lucho e Durval são a cara do futebol daqui: Náutico anunciando sem assinar e Sport achando que dinheiro resolve tudo." Joaquim Costa, tocando na ferida.

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