COLUNA PLANETA BOLA

Em mais um dia de selvageria rodeando o futebol, clássico com baixo nível técnico entre Sport e Santa Cruz fica em segundo plano

Agressões, arrastão, assaltos. Violência descontrolada. E um tapa na cara das autoridades que não conseguem acabar com esta chaga

Carlyle Paes Barreto
Carlyle Paes Barreto
Publicado em 08/03/2020 às 11:14
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
A violência das torcidas organizadas marcou o dia de clássico entre Sport x Santa Cruz realizado na Ilha do Retiro em Recife, Pernambuco. - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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A recuperação do Sport com Daniel Paulista equilibrando o time defensivamente, a fragilidade ofensiva do Santa Cruz e o Clássico com baixo nível técnico ficam em segundo plano, com mais um dia de selvageria rodeando o futebol. Assustando não apenas que foi à Ilha do Retiro, mas causando pânico a toda população que fica refém das gangues organizadas.

Agressões, arrastão, assaltos. Violência descontrolada. E um tapa na cara das autoridades que não conseguem acabar com esta chaga. Mesmo com tantas ações na Justiça.

Acuados e sem esperança de mudança nesse quadro, o torcedor vai se afastando dos estádios. Para muitos, caminho sem volta.

Até porque não estão perdendo algum espetáculo. Como no pobre duelo de ontem. Jogo truncado. Cheio de erros. Em passes, lançamentos, finalizações. Decidido num lampejo dos rubro-negros Marquinhos e Elton. Um lance isolado. Embora o Sport tenha sido melhor em campo. Ou menos ruim, mais precisamente.

Violência marca primeiro clássico entre Sport e Santa Cruz após fim das organizadas

O que tinha tudo para ser uma festa virou uma guerra campal antes do primeiro Clássico das Multidões do ano, na Ilha do Retiro, pela 6ª rodada da Copa do Nordeste, neste sábado (7). A decisão judicial pela extinção compulsória da Torcida Jovem do Sport e da Torcida Organizada Inferno Coral, de 17 de fevereiro, ainda não teve efeito prático. Sem escolta específica, bandos de um lado e do outro se enfrentaram em vias e terminais do Grande Recife; confrontaram a policiais; ameaçaram cidadãos; e, no final, a maioria assistiu ao 1x0 dos rubro-negros contra os tricolores, se provocando ainda mais nas arquibancadas.

Trabalharam na operação do jogo, segundo nota da Secretaria de Defesa Social, 497 policiais militares, na área interna, externa e principais vias de acesso à Ilha do Retiro. Ainda segundo o texto, foram “385 policiais no acesso ao local da partida, inclusive com guarnições motorizadas nas áreas de estações de metrô e terminais integrados de passageiros, a fim de inibir a ação de vândalos. Dentro do estádio, atuaram 112 policiais do Batalhão de Choque. O Centro Integrado de Controle e Comando Regional (CICCR) monitorou toda a operação, com câmeras de videomonitoramento e contato direto com os policiais nas ruas e no campo”. Não há informações de detidos.

Os primeiros episódios de violência a que a reportagem do JC teve conhecimento foram ainda do final de manhã. Dois grupos se enfrentaram na Estação Camaragibe do Metrorec, em Camaragibe, na Região Metropolitana. O local fica a cerca de 12 quilômetros do estádio. O JC e o Blog do Torcedor entraram em contato com estabelecimentos da localidade, que confirmaram o acontecimento. A atendente de uma farmácia, que preferiu não se identificar, disse ter escutado quatro tiros.

A Polícia Militar, em nota, disse que, “por volta das 11h30, policiais militares do 20° BPM foram acionados para averiguar um conflito entre torcedores do Santa Cruz e Sport dentro da integração de Camaragibe, onde os mesmos estavam soltando fogos contra os adversários. O efetivo policial conseguiu dispersar os responsáveis e controlar a situação no local, onde permanece realizando rondas. Não houve detidos.”

Nas proximidades do Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, no Grande Recife, um grupo de torcedores do Sport a caminho da Ilha, de amarelo, aparece sendo abordado por duas viaturas de polícia. Em outro local, um dos torcedores caminhavam com barras de madeira na mão.

Depois, mais vídeos de usuários do WhatsApp se espalharam com gritos de provocações de outros grupos na Avenida Conde da Boa Vista, região Central do Recife, mais perto da Ilha. Em todo o trajeto, a Polícia Militar não realizou o cerco que fazia controlando integrantes violentos de torcidas visitantes a caminho de clássicos. Isso ocorria antes da decisão de extinção das organizadas. Além de Jovem e Inferno, a alvirrubra Torcida Jovem Fanáutico também está incluída na lista de facções proibidas.

O terror aumentou nas proximidade da Ilha do Retiro, nas imediações da Avenida Agamenon Magalhães, na altura do Real Hospital Português, quando torcedores de um lado e do outro se encontraram. No local, a polícia reagiu para conter a violência. Em um dos momentos, usou helicóptero para dispersar o tumulto.

A Secretaria de Defesa Social disse que “o Grupamento Tático Aéreo (GTA) utilizou artefatos não-letais de efeito moral (gás lacrimogêneo) para ajudar a conter torcedores que promoviam tumulto, contando também com a intervenção, em terra, de policiais militares do 12º Batalhão”.

Após o jogo, a torcida do Santa ficou retida por 30 minutos. Depois, a maioria seguiu a caminho do Centro, pela Conde da Boa Vista. Era acompanhada por policiais do Batalhão do Choque e de outras guarnições. 

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