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Caso do desembargador Eduardo Siqueira mostra que o país ainda não tem a mesma lei para todos

Marco Aurélio, ministro do STF, estranhou a nota da Ordem dos Advogados do ABC Paulista de apoio ao desembargador que se negou a usar máscara

Romoaldo de Souza
Romoaldo de Souza
Publicado em 22/07/2020 às 8:55
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Siqueira também é alvo de um inquérito aberto para apurar se ele cometeu abuso de autoridade no caso - FOTO: REPRODUÇÃO
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Ainda falando sobre o episódio do desembargador Eduardo Siqueira que se negou a colocar a máscara no rosto, quando abordado pelo guarda municipal, Cícero Hilário, ontem, eu conversei por telefone com o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Marco Aurélio estranhou uma nota da Ordem dos Advogados do ABC Paulista de apoio ao desembargador. Nas redes sociais, o advogado Alberto Carlos Dias sustenta que “a conduta do magistrado foi retratada indevidamente pela mídia e que o desembargador é quem foi tratado de maneira abrupta".

"Trata-se de uma pessoa idosa que fora abordada de maneira abrupta (inclusive com abertura de portas), o que instintivamente provoca dois comportamentos imediatos: reação ou fuga",

Logo depois a nota foi retirada do ar, o advogado foi destituído do cargo de presidente da Comissão de Direito dos Refugiados e Migrante, mas o estrago já estava feito. Na prática o advogado paulista concorda com as humilhações do desembargador Eduardo Siqueira que chamou o guarda de analfabeto.

Para o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, a autoridade na rua é o guarda, o policial, e não o desembargador, não o juiz.

Em seu livro, Carnavais, Malandros e Heróis, o professor e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Roberto DaMatta, trata do fenômeno “você sabe com quem está falando?” Segundo DaMatta, esse comportamento “expressa autoritarismo e hierarquia e representa a autoridade e o poder”.

Por um país onde as leis sejam para todos e os rótulos autoritários punidos com rigor!

Pense nisso!

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