OPINIÃO

Bolsonaro veta perdão de igrejas, mas corre para as redes sociais estimulando o contrário

Leia a opinião de Romoaldo de Souza

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Publicado em 15/09/2020 às 10:13
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ALAN SANTOS/PR
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil - FOTO: ALAN SANTOS/PR
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) inaugurou o estilo “veto da fé”, ao vetar um projeto que concedia perdão de dívidas de igrejas, estimado em R$ 1 bilhão. Ocorre que logo em seguida, ele corre para as redes sociais para estimular a derrubada do mesmo veto pelo Congresso Nacional. “Confesso. Caso fosse deputado ou senador, por ocasião da análise do veto que deve ocorrer até outubro, votaria pela derrubada do mesmo. No mais, via PEC a ser apresentada , nessa semana, manifestaremos uma possível solução para estabelecer o alcance adequado para a imunidade das igrejas nas questões tributárias.”

Só para usar uma linguagem surrada, comumente empregada por religiosos, o presidente “acendeu uma vela a deus e outra ao diabo”. Ora, para ficar de bem com a equipe econômica e não ser acusado por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal [Lei Complementar nº 101/2000, que regulamenta a utilização de recursos públicos], Bolsonaro acatou a recomendação do Ministério da Economia. Foi aí o presidente não querendo decepcionar a “bancada da bíblia” (parlamentares com atuação religiosa) e deixar seus apoiadores desamparados, mencionou a presepada de que se fosse parlamentar votaria para derrubar o veto que ele mesmo tinha dado.

Essa dívida das igrejas surgiu de uma tramoia montada por líderes religiosos à custa do cidadão de bem que trabalha de manhã, de tarde e à noite - quando encontra trabalho - para pagar a penosa carga tributária. A Receita Federal descobriu que mesmo gozando da imunidade tributária, igrejas faziam distribuição de resultados financeiros aos seus líderes religiosos. Um deputado paulista David Soares (DEM), filho do chefe da Igreja Internacional da Graça de Deus, R. R. Soares, apresentou o projeto, o Congresso acatou, e o restante o ouvinte já sabe.

A sessão para analisar o veto do presidente deve correr em outubro. Até lá, os pastores evangélicos beneficiados com as artimanhas do perdão da dívida, terão de aumentar o percentual do dízimo. Vai que os congressistas deixam de lado o corporativismo da bancada evangélica e pensam mais no país e menos nos benefícios que as ricas corporações religiosas se apoderaram do contribuinte.

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