OPINIÃO

Se foro privilegiado fosse extinto, a deputada indiciada Flordelis não daria expediente na Câmara

Quando é para cortar na própria carne, cadê coragem dos parlamentares?

Romoaldo de Souza
Romoaldo de Souza
Publicado em 08/10/2020 às 9:05
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MICHEL JESUS/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Acusada de tramar a morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, a parlamentar fluminense continua dando expediente normalmente na Câmara - FOTO: MICHEL JESUS/CÂMARA DOS DEPUTADOS
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Não é a primeira vez que isso ocorre e certamente não será a última, mas em todas as ocasiões em que a Justiça determinou que um deputado ou um senador passasse a usar tornozeleira eletrônica é como se, para mim, o Congresso Nacional mandasse construir um biombo para acobertar falcatruas de parlamentares.

O leitor vai se recordar que num passado recente, o deputado federal Celso Jacob (MDB-RJ) foi condenado a sete anos de prisão por falsificar de documento e cometer fraude em licitações. Quando preso, chegou a perder algumas regalias depois que foi flagrado escondendo queijo provolone e biscoitos na cueca. Celso Jacob dava expediente todo dia na Câmara dos Deputados e à noite dormia no presídio da Papuda.

Com o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) ocorreu que ele foi preso por corrupção e desvio de dinheiro, e andava para cima e para baixo no Senado Federal portando uma tornozeleira eletrônica. A noite e nos fins de semana Gurgacz domina na prisão.

Agora, é a vez da deputada Flordelis (PSD-RJ) ostentar a tornozeleira eletrônica. Acusada de tramar a morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, a parlamentar fluminense continua dando expediente normalmente na Câmara, mesmo tendo sido indiciada pelo crime.

Isso chama-se corporativismo. Bastava que o Congresso Nacional votasse uma medida acabando com o foro privilegiado, uma regalia que mais tem servido para fazer com que parlamentares se escondam no tapume que acoberta as traquinagens de deputados e senadores.

Mas aí, quando é para cortar na própria carne, cadê coragem?

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