Romoaldo de Souza

Governador de Minas Gerais tentou "lacrar" e acabou falando sozinho contra o Nordeste

Leia a coluna Política em Brasília

Romoaldo de Souza
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Romoaldo de Souza
Publicado em 07/08/2023 às 20:10
Foto: Ricardo Barbosa/ALMG
Romeu Zema declarou guerra ao Norte e Nordeste brasileiros - FOTO: Foto: Ricardo Barbosa/ALMG

Conjugar verbos irregulares, como ouvir, por exemplo, não é para qualquer, não. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que o diga. Certa vez, ele estava entrando no ar na TV CNN, quando foi perguntado pela apresentadora, Monalisa Perrone.

“Governador, o senhor está me ouvindo bem”! “‘Ouvo’ muito bem". Virou meme rapidamente.

No fim de semana, o governador mineiro voltou a virar assunto de chacota, depois de ter proposto a criação de uma frente formada por governadores do Sul e do Sudeste para se defender, no Congresso Nacional, de eventuais perdas econômicas com a reforma tributária.

“Traidor da pátria”, disse o ministro da Justiça, Flávio Dino, em sua conta no Twitter. “Absurdo que a extrema-direita fomente divisões regionais. Precisamos do Brasil unido e forte. Está na Constituição que é proibido ‘criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si’. Traidor da Constituição é traidor da Pátria, disse Ulysses Guimarães”, afirmou o maranhense Dino.” O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) disse que o Brasil é “um só país”.”Não cultivamos em Minas a cultura da exclusão. JK, o mais ilustre dos mineiros, ao interiorizar e integrar o Brasil, promoveu a lógica da união nacional. Fiquemos com seu exemplo. Ao valoroso povo do Norte e Nordeste, dedico meu apreço e respeito. Somos um só país”, afirmou. Em nota, o Consórcio Nordeste negou qualquer “lampejo separatista” e disse que o governador mineiro faz “preocupante leitura do Brasil”. “Negando qualquer tipo de lampejo separatista, o Consórcio Nordeste imediatamente anuncia em seu slogan que é uma expressão de ‘O Brasil que cresce unido’. Enquanto Norte e Nordeste apostam no fortalecimento do projeto de um Brasil democrático, inclusivo e, portanto, de união e reconstrução, a referida entrevista parece aprofundar a lógica subalterno, dividido e desigual” afirma a nota dos nove governadores nordestinos.

NÃO É BEM ASSIM, MINHA GENTE!
Quando se deu conta do tamanho da encrenca que arranjou, no afã de sair na frente como liderança de direita para ocupar o vácuo deixado com a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Romeu Zema saiu-se com essa: “não é ser contra ninguém”. E completou: “A união do Sul e Sudeste jamais será pra diminuir outras regiões. Não é ser contra ninguém, e sim a favor de somar esforços. Diálogo e gestão são fundamentais pro país ter mais oportunidades. A distorção dos fatos provoca divisão, mas a força do Brasil tá no trabalho em união”, escreveu o governador.

BOLSONARO E O PIX DO BEM
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) rebateu informações da imprensa de suspeita movimentação financeira. Ele disse que além de duas aposentadorias [Exército e Câmara dos Deputados] ainda tem o salário que o PL lhe paga. Nos últimos meses Bolsonaro transferiu R$ 56.073,10 “pagos à 1ª dama [Michelle Bolsonaro]. Para despesas diversas dela, das duas filhas e da casa”. O ex-presidente transferiu outros R$ 14.268,04 para um sobrinho “que trabalha em lotérica em Eldorado (SP). A maioria dos depósitos são múltiplos do valor da aposta de 7 números da Mega Sena. Por duas vezes fiz a quadra nos últimos meses, daí, na contabilidade, os valores não múltiplos”. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou arrecadação no valor de R$ 17,1 milhões via PIX para que os ex-presidente arcasse com multas eleitorais.

A “MINUTA DO GOLPE” NA CPMI
Quando começar o depoimento do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, nesta terça-feira (8), a relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), vai querer saber quem foi o “pai da criança” que elaborou a chamada “minuta do golpe”, documento encontrado na casa de Torres, debaixo de um porta-retrato dele com a esposa. Era uma proposta para que fosse instaurado o Estado de Defesa, na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ali, seria contestado o resultado das eleições presidenciais do ano passado que culminou com a vitória do candidato do PT, Lula da Silva, contra Jair Bolsonaro (PL).

EX-MINISTRO DA JUSTIÇA NÃO QUER DEVOLVER SALÁRIOS
No mês passado, a Polícia Federal notificou o delegado Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública (DF) e ex-ministro da Justiça, na gestão Bolsonaro para que fosse feita a devolução de R$ 87.560, supostamente recebidos indevidamente. Tomando por base uma nota técnica do Ministério do Planejamento (2013), a PF considera necessária a “suspensão dos vencimentos em caso de prisão preventiva”. Mas a defesa do delegado cita entendimento do Supremo Tribunal Federal que não permite "a suspensão ou cobrança da remuneração recebida pelo servidor público" quando tenha “se submetido à prisão preventiva”.

DESTRAVANDO O BEIJA-MÃO
“O homem é um ‘The Flash’” disse à coluna Política em Brasília, um parlamentar do União Brasil. Ele contou que bastou Celso Sabino ser nomeado ministro do Turismo “e as coisas começaram a andar”. E quando alguém mencionar essa frase é certeza de que emendas que estavam represadas na gestão anterior de Daniela Carneiro (União Brasil) começam a ser destravadas.

“MÁFIA VERDE” NA CPI DAS ONGS
Autor de “Máfia Verde - O ambientalismo a serviço do governo mundial”, “Máfia Verde 2” e “Quem manipula os indígenas contra o desenvolvimento do Brasil: um olhar nos porões do Conselho Mundial de Igrejas”, o jornalista mexicano Lorenzo Carrasco presta depoimento na CPI que investiga malversação de recursos na Amazônia.

“Já tive a oportunidade de ler seus livros e, mesmo conhecendo bem a realidade como um caboclo de beira de rio, ainda assim não deixo de me assustar e me revoltar com o que leio", afirmou o senador Plínio Valério (PSDB-AM), presidente da CPI.

 

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