Opinião

Lugar de mulher é nos games e onde ela quiser

A luta é nossa e o grito tem que ecoar alto: Lugar de mulher é nos games e onde ela quiser!

Julio Costa Neto
Julio Costa Neto
Publicado em 08/03/2021 às 11:11
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Divulgação/Creative Computing
Primeiro campeonato de game já registrado nos EUA teve Rebecca Heineman (centro) como a grande vencedora - FOTO: Divulgação/Creative Computing
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Não é exagero afirmar que as mulheres vão dominar o planeta. A cada dia, elas se superam na busca, ou melhor, na luta pela representatividade. E no mundo dos games não é diferente. A “Pesquisa Gamer Brasil 2020” mostra a mulherada com aproximadamente 54% dos jogadores totais contra 45% dos homens. Do percentual feminino, 61,9% são jogadoras casuais e 23,3% a nível de competição.

Se esses dados surpreenderam alguns que esperavam os homens no topo da pesquisa, é preciso lembrar que o primeiro campeonato de game já registrado nos EUA teve Rebecca Heineman como a grande vencedora. A americana desbancou os concorrentes no clássico do arcade Space Invaders em 1980.

Hoje em dia, milhares de “Rebeccas” estão por aí. Elas estão nos sofás das casas ou em locais reservados. Jogando nos consoles e também nos celulares. Muitas vezes escondidas, usando um condinome masculino e, por conta do preconceito, não abrem o microfone numa partida multiplayer online. A artista brasileira Anitta sem perceber isso (ou percebendo), tem se aventurado em algumas lives e colocado a cara positivamente. A cantora até aproveitou o sucesso mundial dos palcos e cravou, no FIFA21, o hit “Me Gusta”, uma parceria com os artistas internacionais Cardi B e Myke Towers. Ela também ganhou um uniforme especial e exclusivo. Pouco tempo depois, Anitta surpreendeu a todos virando uma jogadora no “Modo Volta” no simulador de futebol da produtora EA Sports. Um start fora de série.

Assim, segue a luta das meninas. E cá pra nós, dominar o mundo para elas nunca foi fácil. Se falarmos em trabalho duro temos mais uma prova. Em 1978, Carol Shaw foi a primeira mulher a atuar como desenvolvedora de jogos. Ela era a única da equipe e não ligou para os olhares tortos e preconceito. De cabeça erguida, Carol participou de vários jogos, inclusive de um bem legal que marcou a história, o River Raid da Activision. Vocês lembram do clássico aviãozinho e os tanques de combustíveis?

Em 1982, foi a vez da Ms. PacMan se tornar a primeira protagonista feminina dos jogos eletrônicos, com direito a batom e lacinho vermelho. Uma fofura! Os anos se passaram e a solidificação da presença da mulher no seguimento foi ficando cada vez mais forte e evidente. Uma convicção clara de que esses fatos serviram de inspiração para o crescimento feminino nos jogos eletrônicos. A representatividade é uma conquista e o empoderamento feminino ajudou a criar grandes heroínas. Samus Aran (Metroid), Lara Croft (Tomb Raider), Aloy (Horizon Zero Dawn) são algumas delas.

Meninas, vocês merecem demais. A luta é nossa e o grito tem que ecoar alto: Lugar de mulher é nos games e onde ela quiser!

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