Caso Sérgio Falcão: mistério perto do fim?

Publicado em 07/07/2016 às 9:51
Edifício 14 Bis, em Boa Viagem, foi cenário da morte do empresário Sérgio Falcão. Foto: Guga Matos/ Arquivo JC
FOTO: Edifício 14 Bis, em Boa Viagem, foi cenário da morte do empresário Sérgio Falcão. Foto: Guga Matos/ Arquivo JC
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Um empresário atormentado por dívidas, perseguido por credores e por clientes insatisfeitos. A segunda reportagem da série "Investigações sob suspeita" reconta detalhes da morte misteriosa de Sérgio Falcão, dentro do seu apartamento em um edifício de luxo na Avenida Boa Viagem. Assassinato ou suicídio? Quase quatro anos depois, o mistério continua.  Edifício 14 Bis, em Boa Viagem, foi cenário da morte do empresário Sérgio Falcão. Foto: Guga Matos/ Arquivo JC Edifício 14 Bis, em Boa Viagem, foi cenário da morte do empresário Sérgio Falcão. Foto: Guga Matos/ Arquivo JC Na tarde do dia 28 de agosto de 2012, o policial militar reformado Jailson Melo chega ao edifício 14 Bis, um dos mais luxuosos da Praia de Boa Viagem. Desce da moto, se identifica na portaria e assina uma ata. Sobe novamente no veículo e entra pela garagem do prédio. Oito minutos depois, está de volta à rua e segue seu trajeto normalmente. Foi nesse curto espaço de tempo que o empresário da construção civil Sérgio Falcão, de 52 anos, morreu. As causas até hoje ainda não foram esclarecidas pela Polícia Civil de Pernambuco, porque, apesar de acreditar na tese de assassinato, a perícia final do Instituto de Criminalística aponta para um suicídio. O corpo do dono da Construtora Falcão foi encontrado pela empregada doméstica que trabalhava no apartamento dele. Em depoimento à polícia, na época, ela afirmou que estava presente no momento em que o PM reformado chegou e saiu do local. Mas não teria tido contato com ele, porque estaria isolada em uma área de serviço. Não escutou barulho de briga ou gritos. Disse apenas ter ouvido o som de um móvel sendo puxado e em seguida derrubado. Mas continuou fazendo suas atividades normalmente. O empresário não gostava de ser incomodado. Horas mais tarde, depois de receber as roupas de Sérgio Falcão, entregues por um funcionário de uma lavanderia, a doméstica foi deixá-las no quarto dele. Ao percorrer o corredor, percebeu pequenas manchas de sangue - o que a chamou a atenção. Mais à frente, próximo ao closet, estava o corpo do empresário no chão. Projétil de bala foi encontrado no dia seguinte à morte do empresário. Foto: Guga Matos/Arquivo JC Projétil de bala foi encontrado no dia seguinte à morte do empresário. Foto: Guga Matos/Arquivo JC De acordo com a perícia, o tiro foi disparado na boca do empresário e transfixou por trás da cabeça. A bala ainda atingiu o gesso do teto do closet. Suicídio ou assassinato? Por que o PM Jailson Melo, quie trabalhava como segurança, mataria o patrão? Dias após a morte misteriosa do empresário, o principal suspeito se apresentou à polícia. Afirmou à delegada Vilaneida Aguiar que Sérgio se matou. Segundo ele, a vítima o chamou para conversar. Quando os dois estavam juntos, no quarto, o empresário teria puxado a arma, uma pistola 380, que estava na cintura do PM, e atirado contra a própria boca. Mas a cena do "crime" foi alterada. Jailson Melo pegou a arma e foi embora. Não chamou a polícia alegando medo de ser preso. Jailson Melo (de camisa branca) afirmou à polícia que empresário cometeu suicídio. Foto: Arquivo JC Jailson Melo (de camisa branca) afirmou à polícia que Sérgio Falcão cometeu suicídio. Foto: Arquivo JC A família do empresário nunca acreditou na versão de suicídio. Parentes sabiam que ele era depressivo, que estaria sofrendo ameaças por conta da crise na construtora (inclusive com atrasos sucessivos nas entregas de prédios no Estado e em Alagoas), mas sempre tiveram a certeza que Falcão não tiraria a própria vida. As contradições nas perícias do Instituto de Criminalística começaram quando um dos laudos preliminares foi divulgado à imprensa. Apontava que não havia pólvora nas mãos da vítima. Então, como ele se matou? Os peritos não souberam explicar. Mas justificaram que outras provas levaram ao laudo final que apontou o suicídio: não havia sinais de luta corporal, nem de pólvora na roupa do PM reformado. O trajeto da bala, analisado por um equipamento 3D, em São Paulo, também ajudou a responder algumas questões. Um dos peritos, responsável pelos primeiros exames no apartamento de Falcão, decidiu não assinar o laudo final por não concordar com os resultados - o que gerou ainda mais dúvidas quanto à transparência dos exames. A delegada Vilaneida Aguiar também não aceitou o resultado e contestou o documento do Instituto de Criminalística. Diante da polêmica, o Ministério Público de Pernambuco designou o promotor André Rabelo para acompanhar as investigações. Para ele, também não havia dúvidas dos fortes indícios de homicídio. Na tese da polícia e do MPPE Jailson Melo foi apenas o executor do crime. Haveria um ou mais mandantes por trás da tragédia. E esse era o principal desafio das investigações da polícia. Fim do mistério? Faltando pouco mais de um mês para a morte do empresário Sérgio Falcão completar quatro anos sem solução, a família ainda aguarda por Justiça. Em entrevista ao RondaJC, o advogado Ernesto Cavalcanti, contratado pelas irmãs do empresário, afirmou que não sabia de novidades sobre o caso e que aguardava uma resposta do Ministério Público. Já a delegada responsável pelo inquérito, Vilaneida Aguiar, garantiu que até o final do mês que vem o caso será encerrado. "É prioridade máxima", afirmou. Nenhum detalhe da conclusão foi repassado. Leia Mais Caso Arturo Gatti: sete anos e muitas dúvidas Blog estreia série "Investigações sob suspeita"

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