Delegacias da Mulher fechadas nos horários em que elas mais precisam

Publicado em 31/08/2017 às 7:30
Em média, quatro queixas de violência contra a mulher são registradas por hora em Pernambuco. Foto: JC Imagem/Arquivo
FOTO: Em média, quatro queixas de violência contra a mulher são registradas por hora em Pernambuco. Foto: JC Imagem/Arquivo
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Em média, quatro queixas de violência contra a mulher são registradas por hora em Pernambuco. Foto: JC Imagem/Arquivo Apesar das constantes campanhas de conscientização para que as vítimas de violência procurem as delegacias especializadas, a crise na segurança muitas vezes impede o registro de queixas. Das três delegacias da Mulher que funcionam na Região Metropolitana do Recife, apenas uma funciona no horário da noite e nos fins de semana. Quem precisa fazer um boletim de ocorrência após às 18h e não mora no Centro do Recife, tem dificuldades. Com frequência, leitoras enviam mensagens ao Ronda JC com reclamações sobre a dificuldade de registrar queixas nas delegacias da Mulher. No Grande Recife, há unidades em Santo Amaro (capital), em Prazeres (Jaboatão) e em Paulista. As três deveriam funcionar 24 horas, sete dias na semana. Era a promessa da Secretaria de Defesa Social (SDS). Na prática, porém, somente a de Santo Amaro está aberta. No Agreste do Estado, o mesmo problema. A Delegacia da Mulher localizada no município de Caruaru também foi criada para funcionar em esquema de plantão. Mas, sem efetivo suficiente, desde o ano passado ela só fica aberta de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A Polícia Civil de Pernambuco argumenta que nos horários em que as unidades estão fechadas, as queixas podem ser registradas em qualquer outra delegacia de plantão. Mas é importante destacar que as delegacias foram criadas justamente para facilitar o acesso das vítimas de violência a policiais mais preparados para receber esse tipo de queixa. Não há justificativa para que as unidades estejam fechadas nos horários em que as mulheres mais precisam. Digo isso com convicção. É a noite que companheiros chegam do trabalho, ameaçam, batem ou praticam qualquer outro tipo de violência contra as vítimas. Nos fins de semana, a folga se torna outro agravante. Bares abertos, acesso fácil ao álcool - que vira mais um estímulo à violência. O Departamento de Polícia da Mulher precisa ter um olhar mais atento aos problemas e criar meios para que as delegacias estejam abertas 24 horas e sejam acessíveis a quem mais precisa. Não adiantam inúmeras campanhas, se quando as mulheres precisam não há a quem/onde pedir ajuda. LEIA TAMBÉM A cada hora, 4 denúncias de agressão contra a mulher são registradas em Pernambuco PM punido por fazer falsa blitz, abordar mulher e abusá-la dentro de carro no Recife Violência faz homens viverem 8,1 anos a menos que mulheres em Pernambuco      

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