Polícia de PE encerra investigação de 169 homicídios sem apontar culpados

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 06/05/2019 às 7:15
Combate aos homicídios é principal desafio da Polícia Civil. Foto: JC Imagem/Arquivo
FOTO: Combate aos homicídios é principal desafio da Polícia Civil. Foto: JC Imagem/Arquivo
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[caption id="attachment_5671" align="alignnone" width="748"]"" Combate aos homicídios é principal desafio da Polícia Civil. Foto: JC Imagem/Arquivo[/caption]Se já não basta o luto, famílias de vítimas da violência em Pernambuco também convivem com o sentimento amargo da impunidade. E não é porque os autores dos crimes ainda não foram julgados. Pior: há casos em que a polícia encerra as investigações, mas não consegue ao menos apontar o nome do responsável por tirar a vida de uma pessoa e destruir a paz de seus familiares. Levantamento obtido com exclusividade pelo Ronda JC, por meio da Lei de Acesso à Informação, revela que a Polícia Civil concluiu as investigações de 169 assassinatos registrados em 2018 no Estado, mas não apontou os autores desses crimes.A maioria dos homicídios sem solução está no Interior de Pernambuco. São 154, no total. Municípios como Toritama (11), Taquaritinga do Norte (9), Gameleira (7) e Palmares (6) foram os que registraram maior número de casos de impunidade. Na Região Metropolitana do Recife há 15 assassinatos que vão permanecer sem solução - dois deles ocorreram na capital pernambucana, onde há maior investimento no combate à violência.Policiais ouvidos em reserva pelo blog relatam que muitos inquéritos são prejudicados, principalmente no interior, porque falta de profissionais de plantão e também de recursos técnicos para a realização de perícia nos locais de crimes. Além disso, há locais de difícil acesso, sem câmeras, e que também não contam com testemunhas para ajudar nas pistas que levem aos autores dos homicídios.Em nota, a Polícia Civil afirmou que "para um inquérito policial ser concluído são necessários diversos fatores: ouvidas, perícias, cruzamento de informações, exames e autorizações judiciais, entre outras diligências que são realizadas para todos os casos. A polícia só conclui um inquérito de homicídio e envia à Justiça sem apontar a autoria quando estão esgotadas todas as possibilidades para a elucidação do crime. Mas, se surgir uma nova evidência, o caso pode ser reaberto". A nota disse ainda que os inquéritos remetidos sem autoria representam 7% do total das investigações de homicídios concluídas pela polícia.INQUÉRITOS A PASSOS LENTOSReportagem publicada pelo Ronda JC em março deste ano mostrou que a Polícia Civil havia concluído 53% dos inquéritos abertos para investigar os homicídios registrados no ano passado. Dois meses depois, a taxa permanece quase inalterada. No total, 4.170 pessoas foram assassinadas. Mas só 2.378 investigações foram encerradas. As outras seguem pendentes de respostas.Apesar disso, a Polícia Civil destacou, em nota, que "a taxa de resolução de homicídios no Estado é 6,7 vezes acima da média nacional. A taxa média das polícias civis do Brasil é de 8% na elucidação de crimes contra a vida. Enquanto isso, em Pernambuco o índice fechou, em 2018, no percentual de 53,9%".LEIA TAMBÉMQuase 95% dos assaltos nas ruas não são solucionados pela polícia de PEPolícia só soluciona 3% dos roubos de veículos em Pernambuco

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