Segurança

Associação de delegados denuncia que investigações estão paradas em Pernambuco

Segundo a Adeppe, delegados estão sendo pressionados para só investigarem crimes registrados neste ano. Os antigos devem ser deixados de lado

Raphael Guerra
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Raphael Guerra
Publicado em 13/03/2020 às 8:52
JC IMAGEM/ARQUIVO
IMPUNIDADE Só quatro Estados são classificados como tendo alta eficácia na investigação de assassinatos - FOTO: JC IMAGEM/ARQUIVO
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Em uma dura nota oficial enviada à imprensa, a Associação de Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe) faz uma grave denúncia contra a atual gestão da Polícia Civil. Segundo a categoria, delegados estão sendo pressionados para só investigarem crimes registrados neste ano. Já os casos mais antigos devem ser deixados de lado - o que gera a impunidade crônica no estado.

Nessa quinta-feira (12), dois ofícios foram entregues à Secretaria de Defesa Social (SDS) e no Gabinete do Governador denunciando o caso.  De acordo com o presidente da Adeppe, Bruno Bezerra, a associação recebeu várias denúncias de delegados. “Eles vêm sofrendo assédio moral da gestão estadual, inclusive relataram que o governo vai determinar a realização de correições nas delegacias para pressioná-los a cumprirem essa politica de fomento à impunidade”, disse.

No ofício, a Adeppe também informou que delegados em estágio probatório e também já veteranos são advertidos para seguir a determinação de priorizar os crimes ocorridos no ano vigente, sob pena de sofrerem remoções arbitrárias.

A entidade requer que “seja recomendada a toda gestão da Polícia Civil de Pernambuco a abstenção de atos que possam em tese afigurar assédio aos delegados de polícia para que foquem com exclusividade ou preponderância nas investigações de homicídios consumados apenas no ano corrente”, e também solicita “a imediata suspensão da tal política, mantendo-se a correta cronologia de apuração dos crimes de homicídio, evitando-se ainda prejuízo aos familiares das vitimas que almejam justiça.”

DENÚNCIA

Em julho do ano passado, o Ronda JC publicou reportagem após ouvir policiais da Divisão de Homicídios Norte e também do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, no Recife. Eles relataram esse problema, denunciando que a ordem era investigar assassinatos mais recentes para tentar demonstrar à sociedade que os crimes estavam sendo solucionados rapidamente

Na época, a assessoria da Polícia Civil desmentiu a suposta determinação. Disse também que tinha o compromisso de elucidar todos os crimes contra a vida. 

Mas, desta vez, a Adeppe está reforçando a grave denúncia. E fica a pergunta: quando a cúpula da SDS vai tomar uma providência para solucionar essa polêmica? Afinal, enquanto isso, milhares de famílias aguardam uma resposta para os crimes contra seus entes queridos. 

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