Investigação

Tragédia com voo da Noar, em Boa Viagem, completa 9 anos sem respostas

Familiares das 16 vítimas da queda do avião ainda não sabem resultado das investigações da Polícia Federal em Pernambuco

Raphael Guerra Raphael Guerra
Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 13/07/2020 às 7:47
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JC Imagem/Arquivo
Bimotor da Noar Linhas Aéreas caiu em um terreno da Avenida Boa Viagem. Dezesseis pessoas morreram - FOTO: JC Imagem/Arquivo
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A saudade dos parentes se soma à dor pela falta de respostas. Familiares das 16 vítimas que morreram no acidente com a aeronave LET-410, da Noar Linhas Aéreas, em um terreno na Avenida Boa Viagem, continuam com muitos questionamentos relacionados às investigações da Polícia Federal em Pernambuco. A tragédia completa nove anos nesta segunda-feira (13).

A dentista Taciana Farias é mãe de uma das vítimas do acidente, o também dentista Raul Farias. Segundo ela, até hoje a conclusão das investigações não foi apresentada às famílias, sob o argumento de que o caso está sob sigilo judicial. "Não temos notícia de nada. Há dois anos fui atrás, disseram que estava no Ministério Público (Federal)", contou.

As investigações foram conduzidas pelo delegado federal Antônio de Pádua, atual secretário de Defesa Social do Estado. Ele concluiu o inquérito em 2013, mas alegou, à época, que não poderia dar detalhes do caso porque estava sob sigilo. A intenção do inquérito era apontar, sob o âmbito criminal, se houve culpados para o acidente fatal. 

Na última semana, a coluna Ronda JC foi em busca de respostas dos órgãos oficiais. Mas o que constatou foi um "jogo do empurra".

A Justiça Federal em Pernambuco, por nota, afirmou que o processo ainda estava em investigação. "O andamento do processo cabe ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, restringindo-se o Poder Judiciário a decidir sobre os requerimentos formulados por essas autoridades, não havendo, até o presente momento, qualquer pedido pendente de apreciação pela Justiça Federal. "Com essa resposta, a coluna entrou em contato com o Ministério Público Federal, que negou estar investigando o caso.

A assessoria do MPF disse que "o processo em questão foi arquivado e homologado pela Justiça Federal, respectivamente, em março e abril de 2019".

Apesar da falta de respostas, familiares das vítimas fecharam acordos individuais e receberam indenizações da empresa viária, que deixou de operar naquele mesmo ano do acidente.

CENIPA APONTOU FALHAS

O acidente com o bimotor aconteceu pouco antes das 7h do 13 de julho de 2011. Segundo as investigações, o piloto detectou um problema na aeronave menos de um minuto após a decolagem e chegou a avisar à torre de controle que tentaria retornar ao Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes, mas três minutos depois o avião caiu.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que falhas humanas, mecânicas e de treinamento contribuíram para a queda. Entre os fatores, o primeiro evento que desencadeou a queda do avião foi a fadiga precoce de uma pequena peça conhecida como haleta que estava no motor esquerdo e causou a parada da turbina durante a decolagem.

O órgão federal apontou ainda que o treinamento dos pilotos para os casos de emergência por falha de motor foi insuficiente, porque foi realizado com altura de 400 pés, quando o manual indicava 1,5 mil pés.

A investigação do Cenipa não tem caráter punitivo. Ela tem o objetivo de identificar as causas dos acidentes para evitar que novos venham a ocorrer pelos mesmos motivos.

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