VIOLÊNCIA

Na contramão do Estado, Recife tem aumento de 26,8% nos homicídios em março

No somatório do primeiro trimestre, a capital também teve crescimento de mortes violentas, segundo a SDS

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 15/04/2021 às 17:20
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Bruno Campos/JC Imagem
Pernambuco conseguiu redução de 24% no número de homicídios em março de 2021 - FOTO: Bruno Campos/JC Imagem
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Atualizada às 20h20

Mesmo com a quarentena, obrigando serviços essenciais a fecharem mais cedo ou nem funcionarem nos fins de semana para diminuir a circulação de pessoas e o contágio da covid-19, a violência na capital pernambucana continuou alta no último mês de março. Segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), foram 52 assassinatos registrados contra 41 no mesmo período de 2020 no Recife. O aumento foi de 26,8%. O resultado negativo vai na contratação dos números de Pernambuco.

Em março, 276 mortes foram contabilizadas em todo o Estado - 87 a menos que no mesmo período do ano passado. Assim, a redução chegou a 24%. De acordo com a SDS, foi o melhor mês de março dos últimos 18 anos. 

Se analisado o primeiro trimestre, Recife também fechou o período com alta. Entre janeiro e março, foram registrados 150 assassinatos. No mesmo período de 2020, foram 139. O aumento foi de 7,9%. As outras regiões do Estado, segundo a SDS, apresentaram queda nos índices.

"Neste começo de ano, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de Pernambuco (DHPP) verificou crescimento de CVLIs nas Áreas Integradas de Segurança 3 e 4, onde estão bairros como Pina, Ibura, Torrões, Várzea e Afogados. Nessas áreas, houve aumento de homicídios motivados por disputas entre grupos criminosos rivais, envolvidos com tráfico de drogas", explicou a SDS.

A pasta também destacou que o DHPP está trabalhando para reverter os números. "Diante desse cenário, o DHPP reforçou as operações e conseguiu aumentar em 152% o número de prisões em flagrante no mês de março de 2021 em relação a março de 2020, passando de 25 para 63. Também subiram em 56% as prisões por mandado judicial, de 18 para 28. O crescimento da produtividade do DHPP na captura de homicidas no Recife já está se refletindo na 1ª quinzena de abril, com a retração de disputas entre criminosos e mortes em decorrência disso", informou, em nota. 

Nas localidades com mais mortes, também houve reforço do policiamento ostensivo de área e as especializadas da Polícia Militar.

ANÁLISE

Para a socióloga e coordenadora do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), Edna Jatobá, a taxa de assassinatos em Pernambuco teve queda expressiva em março porque houve uma melhor distribuição do efetivo policial nas regiões do Estado.

"O período de quarentena, imposto pelo governo estadual, foi muito bem ajustado com a SDS. O efetivo das polícias foi bem distribuído e houve mais de 80 mil inspeções em estabelecimentos. Além de diminuir o número de pessoas circulando nas ruas, isso causa um impacto muito positivo, porque a presença da polícia desencoraja a prática de crimes", analisou Edna Jatobá.

OUTRAS REGIÕES

A queda no número de homicídios, no acumulado do ano, foi liderada pelo Agreste, com uma diferença de -27,73%, caindo de 238 para 172 crimes. Na sequência, vêm a Zona da Mata (-24,66%), o Sertão (-13,04%) e a Região Metropolitana (-12,54%). Comparando os meses de março dos anos de 2020 e 2021, a Zona da Mata teve a maior redução no número de homicídios (-41,77%), seguida pelo Agreste (-35,56%), Região Metropolitana (-25,21%) e Sertão (-8,82%).

“Temos a plena consciência de que ainda estamos distantes de uma sociedade livre da violência. Crimes de proximidade, intolerância, violências contra mulher, criança e idosos, disputa pelo tráfico de drogas e ação de grupos criminosos são um grande desafio para a segurança pública e motivo de apreensão por parte da sociedade", disse, em nota, o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua. 

 

 

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