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Coronavírus: escalada de casos em Pernambuco deve ocorrer, mas trabalhamos para postergar, diz infectologista

"Agora a gente espera que outros casos apareçam, inclusive que a viremia sustentada aconteça", diz o infectologista Demetrius Montenegro

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 12/03/2020 às 13:39
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FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Se o número de pessoas mortas não tem mais impacto sobre você, então olhe para quem está ao seu lado e se pergunte: Em 2023, essa pessoa continuará ao meu lado ou apenas na saudade?", diz o infectologista Demetrius Montenegro - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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Com o anúncio, nesta quinta-feira (12), dos dois primeiros casos confirmados do novo coronavírus em Pernambuco, assim como o monitoramento de um caso provável (contato próximo domiciliar de ambas as confirmações), surge a preocupação com uma possível escalada do número de casos da doença, que deve ocorrer em semanas, segundo preveem as autoridades sanitárias.

"Já esperávamos o primeiro caso. E em Pernambuco, essa notificação veio em dupla (casal de idosos que apresentaram resultados laboratoriais positivos para o vírus). Estávamos trabalhando para isso, assim como agora a gente espera que outros casos apareçam, inclusive que a viremia sustentada aconteça. Mas as ações de contenção, pelo Estado, já são estão sendo feitas justamente para postergar o maior tempo possível essa transmissão comunitária (situação em que não é mais possível identificar de quem se pegou o vírus)", destaca o infectologista Demetrius Montenegro, chefe do setor de Infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc).

O médico participou, nesta manhã, da coletiva de imprensa que anunciou os dois primeiros casos importados do novo coronavírus no Estado. São dois pacientes (homem de 71 anos e mulher de 66 anos) que moram no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, com histórico de viagem para a Itália. Ao voltar ao Estado, eles apresentaram febre, tosse e dor de cabeça e, por isso, procuraram um serviço de saúde privado na capital pernambucana. Eles foram notificados no dia 5 de março, quando fizeram a coleta das amostras laboratoriais. No processamento realizado pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), para influenzas A e B, os resultados foram negativos. Já no Instituto Evandro Chagas, no Pará, os exames positivaram para Covid-19. Ao todo, o Estado possui 39 notificações, com duas confirmações e 22 descartes.

À tarde, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) fará uma atualização do cenário epidemiológico.

Ambos os pacientes passam bem e permanecem, desde a notificação, em isolamento na unidade hospitalar. O homem está internado em unidade de terapia intensiva (UTI), estável, e a mulher em uma enfermaria de isolamento. A SES reforça que ambos os pacientes foram contaminados na Europa e começaram a manifestar os sintomas da doença ao voltar ao Estado, quando procuraram assistência médica.

CASO PROVÁVEL 

Uma mulher de 47 anos, que teve contato domiciliar com os dois pacientes confirmados para coronavírus, foi notificada na última quarta (11) apresentando febre, tosse e dificuldade de respirar. A mulher, que não precisou ser encaminhada para uma unidade de saúde, recebeu uma equipe da vigilância do Recife para fazer a coleta do material laboratorial. Ela está em isolamento domiciliar.

"Com essas primeiras confirmações da nova doença, de pessoas contaminadas na Itália, reforçamos que não há motivo para pânico. Desde a notificação, os pacientes foram mantidos em isolamento hospitalar e seus contatos próximos foram orientados a informar às autoridades de saúde caso apresentassem sintomas da doença", afirma o secretário Estadual de Saúde, André Longo.

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